31.12.09
Nessa viagem
Minha passagem
É de ida e vodka!

Carito


FELIZ 2010!
por Os Poetas Elétricos [16:52]
28.12.09
passagem

me disseram que um dia eu vou morrer
com sorte estou
no mínimo, no meio
do caminho

então adeus
adeus chipre, java, islândia e tasmânia
para fazer essas viagens
eu teria que ter pelo menos cinquenta anos
para cada uma

não sei ir sem ficar
nem sei voltar
tão rápido como turista
também não escolho uma
não encolho uma
estendo meu adeus:

adeus marte, plutão, platão e aristóteles
galileu e galiléia
mudei de idéia!
embarco no primeiro navio!
ufa! foi por um fio!

carito
por Os Poetas Elétricos [17:55]
24.12.09
O PRES'ÉPICO

A árvore de Natal lá de casa era repleta de cartões de Natal pendurados junto com as bolas, estrelas e outros belos adereços natalinos. Meus pais tinham muitos amigos e cartões não paravam de chegar. Minha mãe tinha várias opções para enfeitar a árvore, e a cada ano fazia uma árvore de Natal diferente, personalizada. Em um ano podia puxar para o dourado, noutro ano a árvore era mais prateada, noutro era o vermelho que predominava. Podia ter bolas todas do mesmo tamanho em um Natal, ou de tamanhos diferentes em outro. Minha mãe podia criar uma unidade estética na árvore seguindo um determinado padrão, ou a unidade era criada noutro momento através de uma mistura sempre muito bem equilibrada.

O presépio era sempre o mesmo e não podia ser diferente, pois não havia um presépio como aquele em lugar nenhum - com tantas ovelhas e carneiros, e pastores, e boi, e vaca, e anjos, e, claro, o menino Jesus, Maria, José, os três Reis Magos... Ah! Os três Reis Magos vinham caminhando sobre uma trilha de pedrinhas que trazíamos da praia de Pirangi. E cada dia nós os movimentávamos um pouquinho sobre o caminho de pedrinhas. E eles só chegavam no dia 06 de janeiro (Dia de Santos Reis)... Chegavam a uma espécie de gruta que minha mãe arquitetava com muita criatividade. Dentro da gruta ficava a manjedoura. E o menino Jesus somente era colocado na manjedoura no dia 25 de dezembro, quando ele nascia. E a manjedoura era forrada com capim.

Geralmente eu e meu irmão Mário Ivo ajudávamos a montar o presépio, embaixo da escada, onde havia um espaço amplo de jardim. Assim aproveitávamos a areia natural. E ali minha mãe bolava muitas idéias legais. Simulava, por exemplo, pedras e montanhas com papel pintado. O laguinho era feito com um espelho que refletia os carneirinhos bebendo sua água. A vegetação era feita com pó de madeira pintado de verde. Ali havia arquitetura, cenografia, instalação, cinema, tantas linguagens... E tudo era contextualizado dentro, digamos, de uma geografia histórica.

Minha mãe continua uma verdadeira artista, e muito religiosa. E o presépio nos últimos Natais tem sido montado em uma mesa na sala do apartamento de minha mãe. Não temos mais aquela casa. Aquela grande casa hoje é uma clínica médica. Não temos mais o laguinho de espelho. Não temos mais meu pai - pelo menos fisicamente. Olho para esse novo pequeno presépio e vejo aquele. E vejo meu pai, sem precisar olhar para nenhum lugar, por todos os cantos.


Carito
por Os Poetas Elétricos [00:29]
22.12.09
INFÂNCIA

um dia chego lá
e não quero que ninguém me ache
já podem ir abrindo
o portão do forte apache!

carito
por Os Poetas Elétricos [09:40]
18.12.09
Pão assado lá dentro
Sol assando lá fora
O veraneio era bom.

Carito
por Os Poetas Elétricos [23:19]
Foto de Edu Gomez
Verão

O sol despertou meu cadáver e descascou minha pele morta. Quanta luz nos meus olhos, quanta luz, meu Deus! Quero mudar. Procuro um canhão para me socar. Quero ser o homem-bala do circo, quero desafiar o globo da morte, quero andar na corda bamba e fugir com a trapezista.

Carito
por Os Poetas Elétricos [09:18]
15.12.09
PREPARANDO AS SÍBALAS

pássaro
sofrendo de amor
na via.

dor
de cotovia.

* * *

rimou com asco
e quase se atirou
do penhasco

* * *

quis fumar
mais que um março
mas ele não abril!

* * *

depois daquela nossa noite
acordei tarde
joguei água no rosto e saí

DE CARA LEVADA!

* * *

sabe aquele olhar de nave
todo iluminado?
pois é
pois era
assim que você me olhava
você não dizia
você abduzia.

* * *

a sombra
é sobra
ou o bote
da cobra?

a réstia
é resto
ou o todo
disfarçado?

É PRECISO TOMAR CUIDADO!

* * *

quando o corpo
tem
sede
de corpo
o corpo
cede.

* * *

NAMORO EM VERSO SUBMERSO

vejo algo
marinho
com uma alga
profunda.

* * *

cor
é luz que diz
na igreja
matiz.

* * *

deixar
a torneira aberta do coração
para colocar
tudo em prantos
limpos.

* * *

RODADA

tua saia na minha
calça
nossas roupas querem dançar
valsa.

* * *

ANÚNCIO

bando meio desligado
assalta corações
a fio.

* * *

um poema
a rigor
precisa
de precisão?

se não
apenas dominar
as técnicas
do coração.

* * *

o impreciso é preciso!

* * *

...escreve tetos por linhas portas.

* * *

HUMOR CARTESIANO

o geólogo disse
para o futuro poço:
você tem vazão
o buraco é mais embaixo!

* * *

SEM CONSEQUÊNCIA

poema-piada
não é gênero
não é nada
com tudo é
mais uma causa inventada.

* * *

carnaval fora de épico
agoniza.
vai ivete, sangrá-lo!

* * *

à noite conto palavras
carneirinho é uma delas.

* * *

isso é roça nova, isso é muito natural.

* * *

arregaço as mangas
chupo o caroço
vou ficando moço.

* * *

não sou castelo
antes fosso.


a ponte me leva disso .

* * *

conheço um pouco de arte
COMO A PALMA DA MINHA MÃE
que me deu de mãos beijadas esse interesse por outro tipo de cidade... conheço um pouco dessa outra cidade
COMO O SCOLLA DO MEU PÉ
que segue no rastro de filmes que dão de dez na realidade...

* * *

vou passar minhas férias com ettore scolla, mario monicelli, vittorio de sica, paolo e vittorio taviani, jean-claude carrière, millôr fernandes, josé paulo paes, viviane mosé, alice ruiz, fabiano calixto, bruna beber, ruy proença, cidadão instigado...

uma verdadeira
COLÔNIA DE FERAS!



carito
por Os Poetas Elétricos [09:53]
8.12.09
Minha saudade é tão grande
Minha saudade é tão antiga
Que o tempo da minha saudade
É um tempo geológico.

Carito
por Os Poetas Elétricos [12:44]
4.12.09
Que seja terno enquanto fure
O luto proibido e não aceito
Ah! Esse verão escondido no peito!

Carito
por Os Poetas Elétricos [00:42]
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Palarveando
A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
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Assista aqui o video vencedor do Curta Natal 2006
"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

Para visualizar em tamanho maior: Assista Aqui!
Video selecionado para a 20a Mostra do Audiovisual Paulista