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| 24.12.09 |
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O PRES'ÉPICO
A árvore de Natal lá de casa era repleta de cartões de Natal pendurados junto com as bolas, estrelas e outros belos adereços natalinos. Meus pais tinham muitos amigos e cartões não paravam de chegar. Minha mãe tinha várias opções para enfeitar a árvore, e a cada ano fazia uma árvore de Natal diferente, personalizada. Em um ano podia puxar para o dourado, noutro ano a árvore era mais prateada, noutro era o vermelho que predominava. Podia ter bolas todas do mesmo tamanho em um Natal, ou de tamanhos diferentes em outro. Minha mãe podia criar uma unidade estética na árvore seguindo um determinado padrão, ou a unidade era criada noutro momento através de uma mistura sempre muito bem equilibrada.
O presépio era sempre o mesmo e não podia ser diferente, pois não havia um presépio como aquele em lugar nenhum - com tantas ovelhas e carneiros, e pastores, e boi, e vaca, e anjos, e, claro, o menino Jesus, Maria, José, os três Reis Magos... Ah! Os três Reis Magos vinham caminhando sobre uma trilha de pedrinhas que trazíamos da praia de Pirangi. E cada dia nós os movimentávamos um pouquinho sobre o caminho de pedrinhas. E eles só chegavam no dia 06 de janeiro (Dia de Santos Reis)... Chegavam a uma espécie de gruta que minha mãe arquitetava com muita criatividade. Dentro da gruta ficava a manjedoura. E o menino Jesus somente era colocado na manjedoura no dia 25 de dezembro, quando ele nascia. E a manjedoura era forrada com capim.
Geralmente eu e meu irmão Mário Ivo ajudávamos a montar o presépio, embaixo da escada, onde havia um espaço amplo de jardim. Assim aproveitávamos a areia natural. E ali minha mãe bolava muitas idéias legais. Simulava, por exemplo, pedras e montanhas com papel pintado. O laguinho era feito com um espelho que refletia os carneirinhos bebendo sua água. A vegetação era feita com pó de madeira pintado de verde. Ali havia arquitetura, cenografia, instalação, cinema, tantas linguagens... E tudo era contextualizado dentro, digamos, de uma geografia histórica.
Minha mãe continua uma verdadeira artista, e muito religiosa. E o presépio nos últimos Natais tem sido montado em uma mesa na sala do apartamento de minha mãe. Não temos mais aquela casa. Aquela grande casa hoje é uma clínica médica. Não temos mais o laguinho de espelho. Não temos mais meu pai - pelo menos fisicamente. Olho para esse novo pequeno presépio e vejo aquele. E vejo meu pai, sem precisar olhar para nenhum lugar, por todos os cantos.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [00:29] |
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| 15.12.09 |
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PREPARANDO AS SÍBALAS
pássaro sofrendo de amor na via.
dor de cotovia.
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rimou com asco e quase se atirou do penhasco
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quis fumar mais que um março mas ele não abril!
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depois daquela nossa noite acordei tarde joguei água no rosto e saí
DE CARA LEVADA!
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sabe aquele olhar de nave todo iluminado? pois é pois era assim que você me olhava você não dizia você abduzia.
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a sombra é sobra ou o bote da cobra?
a réstia é resto ou o todo disfarçado?
É PRECISO TOMAR CUIDADO!
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quando o corpo tem sede de corpo o corpo cede.
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NAMORO EM VERSO SUBMERSO
vejo algo marinho com uma alga profunda.
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cor é luz que diz na igreja matiz.
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deixar a torneira aberta do coração para colocar tudo em prantos limpos.
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RODADA
tua saia na minha calça nossas roupas querem dançar valsa.
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ANÚNCIO
bando meio desligado assalta corações a fio.
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um poema a rigor precisa de precisão?
se não apenas dominar as técnicas do coração.
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o impreciso é preciso!
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...escreve tetos por linhas portas.
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HUMOR CARTESIANO
o geólogo disse para o futuro poço: você tem vazão o buraco é mais embaixo!
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SEM CONSEQUÊNCIA
poema-piada não é gênero não é nada com tudo é mais uma causa inventada.
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carnaval fora de épico agoniza. vai ivete, sangrá-lo!
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à noite conto palavras carneirinho é uma delas.
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isso é roça nova, isso é muito natural.
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arregaço as mangas chupo o caroço vou ficando moço.
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não sou castelo antes fosso.
a ponte me leva disso .
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conheço um pouco de arte COMO A PALMA DA MINHA MÃE que me deu de mãos beijadas esse interesse por outro tipo de cidade... conheço um pouco dessa outra cidade COMO O SCOLLA DO MEU PÉ que segue no rastro de filmes que dão de dez na realidade...
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vou passar minhas férias com ettore scolla, mario monicelli, vittorio de sica, paolo e vittorio taviani, jean-claude carrière, millôr fernandes, josé paulo paes, viviane mosé, alice ruiz, fabiano calixto, bruna beber, ruy proença, cidadão instigado...
uma verdadeira COLÔNIA DE FERAS!
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [09:53] |
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