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| 29.11.09 |
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Outdoor em Firenze - 1995 (Foto de Carito) Totalmente apaixonado
Me apaixono por tudo ou quase tudo. Tudo que me toca, que me acende, que me ascende, que me exila, que me exala. Essas coisas que mais se sente, e nem sempre se explica. Que não vêm pra explicar, vêm pra confundir (como diria Chacrinha e/ou Tom Zé).
Já me apaixonei por um outdoor. Lembro uma vez que me apaixonei por uma moça durante um outono na Itália. Eu estava pedalando em Firenze e vi a fotografia de uma moça em um outdoor. Passei pelo outdoor e fiquei com a imagem da moça na cabeça. Na verdade, a imagem de duas moças - pois ela me dobrou a visão. Tomei coragem e voltei. Fiquei sem saber o que dizer a ela. Ou a elas. E fiquei ali parado, olhando, namorando à distância - mais uma paixão platônica! Foi bom enquanto durou.
Também já esperei por uma paixão sem saber. Há muito tempo atrás, em um dia de inverno de doer os ossos, conheci uma menina em Campinas. Conversamos, dançamos, e passamos quatro anos sem nos ver, sem nos falar, sem nos escrever. Até que nos reencontramos numa paixão histórica, como se nunca houvesse acontecido esse hiato, que realmente nunca aconteceu. É minha amiga até hoje.
E num eterno verão, me apaixonei por um aparente descompromisso com uma menina muito jovem e bela, que de tão mais nova que eu, me ensinou tantas coisas novas e belas. Ela me deixou tão livre que fiquei preso a ela. Faz dezessete anos que estamos juntos.
Sem falar nas paixões impublicáveis.
E não só me apaixonei por mulheres. Também me apaixonei por muitos homens: um dia, quando entrou setembro, me apaixonei pela primavera de Beto Guedes... Quantos homens abriram as janelas do meu peito: os impressionistas, Byron, Shelley, Rimbaud, Fante, Whitman, Bukowski, Vinicius, Leminski, Wim Wenders, Antonioni, Matisse, Magritte, Gaudi, Robert Plant, Manoel de Barros... A maior paixão de todos foi meu pai. E quando ele morreu ele não morreu. É uma paixão para toda a vida e para toda a morte. Que sempre me faz lembrar uma bela frase de Mia Couto: "Morto amado nunca mais pára de morrer".
Também já me apaixonei pelo deserto e por áridos-movies reais. Já me apaixonei por um autorama (e olha que eu já tinha 17 anos!), já me apaixonei por muitos jipes, e agora estou arriado os dois pneus pela minha nova bicicleta. Sonho com ela todas as noites esperando a hora de acordar para pedalar. Deixo de badalar, troco balada por pedalada, troco o mundo virtual pelo mundo pedal, acordo no meio da noite para admirá-la, essas coisas que só um homem apaixonado faz. Quem se importa? Eu! Enfim, sou totalmente apaixonado por mim.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [19:45] |
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