30.9.09
ainda
falta
muito
para
o
fim
da
tarde.

o
que
foi
esse
estrondo?

foi
o
sol
se
pressu
pondo!


carito
por Os Poetas Elétricos [09:43]
29.9.09
quando a gente se junta
a gente se janta
dá um nós
na garganta.

carito
por Os Poetas Elétricos [10:14]
28.9.09
eu tonto, menino, bobo, abestalhado
homem, felino, ferino, ferido, tarado
me deixo enganar pelos pêlos, velha sina
cheiro forte, pele em flor, sexo das meninas.

não são apenas casos, fendas, fundos, fados
pau duro, renovado, pecado que mira ao lado
imagem que tira o sono, entrega, às vezes mágoa
são também meus olhos rasos d'água.

sim! eu acredito! em contos de fodas!


carito
por Os Poetas Elétricos [11:46]
25.9.09
gostava da hora do anoitecer em meu carro
o chamado
lusco-fusca.


carito

por Os Poetas Elétricos [15:11]
24.9.09
a divina cor média

antes do anoitecer
a divina cor média
despintou

e a amarga
ilusão
numa planície sem sim

a fera dos começos
devorou
minha calma

sou pescador
de alusões
a minha alma

eu, tu, elefante
em mim
dante

basta

al dente
de mar

fim.


carito
por Os Poetas Elétricos [08:38]
14.9.09
hoje tratei a poesia
como se ela batesse ponto
que tonto sou!
a poesia não dá expediente.

* * *

hoje quando entrei no quarto, o quarto estava de cabeça para baixo, pisei no ventilador, a cama quase caía na minha cabeça, minha cabeça voou para cima do quarto que estava embaixo, bati no chão com a cabeça...

* * *

hoje quero dar nômades aos bois
para eles saírem dos currais
e eu morrer de inveja
em longos ais...

* * *

no soneto
aos poucos
meto

o hai
cai
em tentação

a prosa me goza

uma vinheta
é uma rápida
punheta

e assim
me tiro
de letra.

* * *

ALGUMAS PALAVRAS:

garimpo, sarampo
a primeira traz fama
dor, ilusão, pedra, pó
a segunda traz cama
amor, alusão a minha avó.

olimpo, esperanto
a primeira eu sinto
deuses, berço
a segunda é tanto
que desconheço.

razão, paixão
a primeira me poda
a segunda me inunda
me afunda, me afoga, é foda!

* * *


no
fundo
sinto
que
eu
poço
tudo.

* * *

nunca soube separar
a poesia da vida
a chegada da despedida
a carta do baralho
o coração do caralho
esparta de atenas
o que vai do que dura
tudo apenas
se mistura.

* * *

taí um cara que não estava redondamente enganado: cristóvão colombo!

* * *

essa onda
entre eu e você não pode acabar
em espuma
que seja uma conclusão mais terna:
quero no mínimo esperma
cabelo grudado na perna.

* * *

você quer esse presente
bem ou mal passado?

* * *

não consigo parar de pensar:
o que ficaria
nesse lugar
do não-pensar?

* * *

existe dom para a poesia?
conheço o dom
quixote
meu poema quis ser dom quixote
mas é apenas mancha
na vida de ninguém
besteira, que é que tem?
meu poema desistiu de ser dom, quixote
só glosa, sem mote
e sem nenhuma cancha
balança o sancho, a pança
dança
o xote de la mancha.

* * *

quando eu morrer
se for dia, que anoiteça
se for noite, que amanheça
mas se for entardecer...
ah! como vai arder!

* * *

agora sou guarda noturno
vão-se os medos
quando ficam os anéis
de saturno.

* * *

palavra paleva-me daqui numa palava de vulcão em fusão em confusão na pá lavra jazida na palarva em migração nas palarvamigas me passando a perna nas palavramigdalas na garganta acamada oh palavramada oh palavra inflamada fique do meu lado e palivre-me de tudo que não seja inventado...


carito
por Os Poetas Elétricos [15:04]
11.9.09
fui mais rápido que o espelho
e lhe disse:

- eu não tô nem aí!

* * *

ali, atrás
tenho lembranças remoitas.


carito

por Os Poetas Elétricos [15:12]
10.9.09
porque me entristeci
estou de volta e estou de vulto
meu tanto é meu pranto
quando sou muito assim
nado em nada
escrevo e escravo, não e sim, vejo no fim
um recomeço.

hoje vou mudar
de endereço e os adereços
abandonar, procurar
rimas sem rumos
não pesar a gramétrica, balança-chamas
cometer deslize, copiar marize
plantar cortes, suportar
as dores do mundo, me atirar
mar e muralha, vala que a valha
sorte da navalha, poesia pra hortar os pulsos
adubar impulsos, papéis avulsos
incendiar.


carito
por Os Poetas Elétricos [11:34]
7.9.09
vou não indo
quando começo
findo.

carito
por Os Poetas Elétricos [09:44]
5.9.09
nunca vi um sábado tão súbito
de repente domingou
cheio de segundas intenções.

carito
por Os Poetas Elétricos [14:29]
3.9.09
uma frase, eu quase
um poema, quem dera
um dia, consigo
escrever uma longa espera.

carito
por Os Poetas Elétricos [22:54]
1.9.09
Uma bela crônica para uma triste notícia

Transcrevo aqui a bela crônica do jornalista Carlos Magno Araújo sobre a morte de Tico da Costa, no blog Substantivo Plural.


A alegria e a tristeza de Tico

Por Carlos Magno Araújo


A besta fera que humilha e elimina é cega.

É pistoleira sem mira - cruel e injusta.

Não fosse assim teria atingido tantos outros antes de Tico da Costa. Por aí não há quem não mereça.

É dos artistas de quem se poderia dizer, sem medo de errar, como se disse um dia de Cascudo - genial e humilde.

A convite do meu amigo Roberto Homem de Siqueira estive na casa de Tico da Costa, na Cidade Verde. Deve fazer uns dois anos.

Estava também outro amigo nosso, Carlos Roberto Pereira, também jornalista.

Com Tico, os irmãos, entre os quais João Salinas, talento, bom humor, simpatia, tudo junto e misturado.

Era só uma noite normal de confraternização e amizade.

Tico se re-instalara em Natal havia pouco tempo e Roberto Homem, que fez a melhor entrevista já publicada sobre o artista, queria encontrá-lo.

Fomos noite adentro, entre vinhos, queijos, cervejas, conversas leves entremeadas pelo talento do anfitrião e dos irmãos.

Tico contou sua história desde Areia Branca, como a emoção na infância ao ver dois cantadores de rua tocando violão, num desafio. E lembrou como isso o inspirou.

Falou das andanças pelo mundo, da amizade com Phillip Glass e tocou tudo o que pedimos.

Tico era um mestre do violão. Tocava com o instrumento nas costas e até com os pés. No You Tube, procurando direitinho, dá para achar imagens dele manuseando seu brinquedo.

Era um grande cara que Natal e o Rio Grande do Norte não valorizaram à altura.

Saí daquele encontro cismado e encabulado com o fato de nós, da imprensa, também não termos conseguido apresentá-lo como merecia.

Ao final, Tico me deu um disco de presente - cantando músicas em italiano.

Pediu humilde uma resenha. Não precisava nem ser favorável. Queria apenas ver publicada num jornal local.

Dizia que tinha com ele, guardadas, matérias e análises de seus trabalhos publicados em grandes jornais dos EUA e da Europa, Itália especialmente.

Mas não escondia, dizia ele, certo constrangimento quando em ocasiões que precisava mostrar a repercussão de seu trabalho não aparecia sequer um jornal de sua terra.

Não havia mágoa nem nada - só uma certa tristeza, revelada apenas e certamente, por causa das taças de vinho.

Cheguei a pedir a alguns jornalistas especialistas em música - jornalistas e músicos há aos montes por aqui - que fizessem o texto, para dar a ele (o disco) a importância que eu, provavelmente, não conseguiria alcançar - eu achava que era importante o tal distanciamento crítico. Não consegui que fizessem.

Agora que Tico da Costa se foi me sinto um pouco devedor. Fica comigo, depois que a besta fera aprontou mais essa, o imenso sabor de algo incompleto, de um compromisso a que faltei, de um tipo de justiça que poderia ter feito e fracassei.

Mas Tico na sua grandeza e na sua humildade saberia entender.

Esta é uma segunda-feira, enfim, com gosto de melancolia. Há um belo dia de sol, tanta gente na rua, mas há um sentimento de vazio e perda.

Aí embaixo o link da entrevista que Roberto Homem fez com Tico da Costa - para ler e guardar.

aqui

E aqui, vídeo de Tico com Phillip Glass.

por Os Poetas Elétricos [17:18]
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A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
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Assista aqui o video vencedor do Curta Natal 2006
"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

Para visualizar em tamanho maior: Assista Aqui!
Video selecionado para a 20a Mostra do Audiovisual Paulista