Abrindo um antigo caderno foi que eu descobri: Antigamente eu era eterno.
(Paulo Leminski)
Escritos da adolescência
1 -
O poeta não é só aquele que escreve aquelas poesias que causam suspiros. É também aquele que vive aqueles suspiros que causam poesias.
2 -
Se o se fosse concreto Nossa boca estaria cheia de pedras.
3 -
Meu rastro: meu ganho e meu gasto (Escrito no Peru, em julho de 1981, no diário de viagem)
Em cada canto que eu passo Eu deixo um pedaço de mim E levo da saudade uma lição que eu traço De separar o que é bom do que é ruim Que são os pedaços deixados Agora mais ricos e conciliados Com visões e línguas universais Com leis e canções naturais.
Lamento muito essa perda. Receba meus sentimentos, minha solidariedade neste momento de forte emoção.
Apesar de nunca tê-los conhecido com profundidade, os irmãos Lóla-Fon-Eustachio sempre fizeram parte do meu imaginário, das minhas referências e reverências. Lembro de mim ainda jovem-adolescente debutando na noite poptiguar andando com olhos de fome artística-cultural por entre a antropofagia de bares como Casa Velha, Tirraguso, Yara Bar... e espreitando admirado pela janela da casa de vocês na Praia dos Artistas um mundo novo que eu também queria para mim!
Um forte abraço para Lóla e Eustáchio!
Descanse em paz, Fon!
Carito
Na foto: Lola, Fon e Eustáquio, nos anos 70, em Natal. (Foto postada por Clotilde Tavares no Grupo Aldeia Poti)
já tive os dedos melados de nanquim ao escrever poemas sem fim em tempos lidos nem sorte nem azar nem coisas grandes nem pequenas apenas a musa escapando por entre os dados num lance de dedos aprendi a sofrer por humor, paixão atônita, e coisas que ninguém diz e fui feliz.
me livrar dessa lembrança é uma luta uma lembrança filha da puta ô lembrança pentelha essa lembrança é uma desgraça mas se me der na telha se me der na traça e se você me der na praça... qual é mesmo a sua graça?