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| 28.5.09 |
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 hoje, de novo, de velho, temporal e atemporal, chuva e sol, raposa e rouxinol, noite alta, céu risonho, nesse quinta, sinta, mixtura impura, auto lá, autoral, citações e excitações, alphonsus de guimaraens, michael jackson, stones, belchior, poesia de repente, poesia de vagar, poesia com crato, vídeo abstrato, júlio castro, mia couto, gabriel souto, na pista, arnaldo baptista, pra dançar, e viajar no maiakovski, para ser franco, bem walter franco, floyd explica, o que vier a gente muda, nós no budda!
a música elecrônica dos poetas elétricos - budda pub - 22 horas
    os poetas elétricos em apresentação recente no nalva melo café salão (16.05.2009) fotos de luana ferreira |
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| por Os Poetas Elétricos [12:40] |
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| 25.5.09 |
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 O Caminho de Santiago (Uma carta para Sheyla Azevedo)
Querida Sheylinha:
Hoje quero homenagear as coisas aparentemente sem sentido ou aparentemente sem importância. E por que logo me vem você à mente? Porque muitas vezes, quando você escreve, simplesmente nada precisa fazer sentido. As coisas ficam sem esse peso, sem essa obrigação. Mesmo nas insustentáveis levezas do ser. Nada precisa fazer sentido. Tudo apenas é sentido. Porque você olha as coisas simples do cotidiano e faz delas uma imensa razão para viver, para celebrar o milagre de estarmos vivos. Adoro a anunciação do seu blog: "Esse é mais um espaço que crio para falar sobre quase tudo, ou seja, para falar sobre quase nada. Além de falar dessas coisas que me afetam o tempo inteiro, como o peso das formigas, o barulho das lesmas e a força das borboletas."
Querida Sheylinha, minha irmã vai fazer o Caminho de Santiago. E ela preparou um montão de slides para explicar melhor o planejamento da viagem, o roteiro, tudo nos mínimos detalhes, preparou isso tudo para seu marido que vai acompanhá-la e para ela mesma. Esse trabalho imenso, intenso, que mais parece uma defesa de tese de mestrado ou doutorado, foi feito por ela só para eles dois. Ela organizou tudo com fotos, trilhas, hotéis, poesias, citações, excitações, informações históricas e geográficas, cores, links, melhor e mais organizado que muitos guias especializados. E fez uma apresentação arrojada só para ele e para ela. Usando computador, TV de plasma, etc. Gastou um tempão fazendo isso. Assim, sinto que o Caminho de Santiago já começou na preparação desse trabalho.
Querida Sheylinha, nesse fim de semana assisti ao filme Santiago de João Moreira Salles. Um filme sobre o filme que João estava tentando fazer sobre o mordomo que serviu a sua família por mais de trinta anos. Chama atenção a história das pesquisas que o mordomo, muito culto, passou a maior parte de sua vida realizando para ele mesmo. Literalmente apaixonado pela nobreza do mundo, Santiago dedicou muito do seu tempo para ler e escrever sobre os nobres, histórias e mais histórias, calhamaços de papéis, aparentemente inúteis. Santiago encontrou seu caminho - um sentido para sua vida, fazendo pesquisas aparentemente sem sentido, copiando à máquina 30 mil páginas de biografias de nobres de todas as épocas e nacionalidades, enlaçando os papéis com fitas importadas da França.
 Querida Sheylinha, recentemente você comentou por aqui que estava gostando dessa minha fase Quintana. Gosto muito dessa frase dele: "Quem faz sentido é soldado". O caminho de Santiago, do mordomo dos Moreira Salles, me fez lembrar também um poema de Manoel de Barros que outra amiga postou nesse sábado lá no seu blog:
"A poesia está guardada nas palavras - é tudo o que eu sei. Meu fado é de não entender quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não cultivo conexões com o real. Para mim poderoso não é aquele que descobre ouro. Poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias: do mundo e as nossas. Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogios."
Querida Sheylinha, às vezes fico pensando porque danado me esforço tanto em atualizar esse blog que surgiu por acaso. A web designer colocou o espaço para o blog no layout do site da banda, e como nossos shows são sazonais, como Edu e Michelle não querem escrever, comecei a postar, tentando encontrar um sentido para o blog - um caminho de Santiago.
Às vezes fico pensando porque danado ainda tenho banda aos 45 anos, sem ganhar grana com isso, às vezes até quase pagando para tocar, realizando shows esporádicos com pouco público, numa cidade provinciana que vive a máxima de Cascudo que "não consagra nem desconsagra ninguém".
Mas quando lembro os escritos de Quintana, Manoel de Barros, quando leio seu blog, Sheylinha... que tem sempre a magia do cotidiano... Quando leio o blog de Caroll e tantos outros... Quando lembro as pesquisas do mordomo Santiago e sua empolgação... Quando lembro a monografia que minha irmã fez sobre a viagem que vai fazer... Tudo faz sentido porque tudo é sentido. Simplesmente isso. Uns colecionam pesquisas, selos, postais, postagens, viagens, sonhos, ilusões... Como na famosa frase de Pessoa: "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Nesse sentido, todos os caminhos são válidos e importantes. Até os aparentemente sem sentido. Todos os caminhos levam ao Santiago de cada um.
Beijos e boa semana!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [12:49] |
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| 19.5.09 |
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 Ontem, ou melhor, hoje, de madrugada, postei aqui o poema acima. Não descobri a pólvora, mas a idéia, mesmo provavelmente desgastada, explodiu assim mesmo, com uma esperança Quintanesca: "Às vezes a gente pensa que está dizendo bobagens e está fazendo poesia". E antes de postar o possível poema acima, eu tinha feito essa primeira versão abaixo.
 Como se vê, nada demais. A meta a ser atingida é a metalinguagem. O poema é a sua própria explic'AÇÃO, com algumas variações. Por isso mesmo para alguns seria mais um não-poema. Mas um não-poema para mim é um poema sim! Tanto que provocou várias possibilidades. Porque depois que postei a versão lá de cima, ainda deletei a postagem e a refiz assim:
 Depois de muita tentativa e tentação, decidi postar todas as avessões, acompanhadas desse pecado - esse (in)próprio texto interpretativo, já que como tão-bem diz Quintana, "não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação". O texto acompanhando o poema tentando explicar o seu processo, faz do poema-possesso, é pleonasmo, e mata-a-linguagem!
E assim o poema-sim não pára de me caningar: vou dormir, ele me acorda, querendo se reinventar! Esse poema não tem o que fazer não? Ô caninga danada!
Espelho, espelho eu, existe algum poema mais (tr)avesso do que o meu?
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| por Os Poetas Elétricos [13:06] |
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| 18.5.09 |
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"A música está na pessoa"
Conheço e gosto muito da música dos Beatles desde pequeno, através dos meus irmãos mais velhos que compravam seus LPs. Nasci em 1964, e de alguma forma eu estava ali testemunhando a história dos quatro garotos de Liverpool, inclusive depois que a banda acabou. Minha irmã trouxe Wings pra casa, e até hoje sou apaixonado por Band On The Run. Mas durante a carreira solo deles, houve um momento em que senti uma musicalidade mais estranha. E doce. Estranhamente doce ou docemente estranha. Foi quando George Harrison lançou o LP "Dark Horse" - transcendental, melancólico, alegre, ótimo! Meu irmão mais velho era apaixonado por esse disco e eu também fiquei assim - por osmose. Depois o título da canção que dá nome ao álbum se transformou no nome do selo de George na época pós-Apple.
Ontem encontrei por acaso (e comprei) o DVD "The dark horse years 1976 - 1992" (que cobre o período em que o Beatle lançou trabalhos por seu próprio selo), com imagens nunca lançadas oficialmente. Passei o domingo à noite assistindo a essa reunião de vídeos, apresentações, entrevistas... (o DVD antes só era encontrado como parte de um luxuoso Box set com seis álbuns). E destaco aqui alguns depoimentos do beatle mais discreto e sereno, extremamente humanitário, "que nos apresentou o oriente, que se diferenciou pelo uso elegante da slide guitar (que produz um som alongado, choroso)"...
Alguns bons ensinamentos de George para começar a semana...
Carito
 "Sempre achei que a música que faço é muito pessoal. Seria errado moldá-la só para servir a um mercado. Era assim que funcionava nos anos 70. Alguém disse: 'Aceite-me como sou ou deixe-me em paz'. Você tem que levar as coisas com bom humor."
"Todos sonham em seres ricos e famosos. Quando o sonho se torna realidade, você pensa: 'Isso não é tudo'. Falta alguma coisa. Não importa quanto dinheiro você tenha. O importante é ser feliz. Infelizmente, a felicidade só pode ser alcançada se estivermos preparados mentalmente. O objetivo final é encontrar Deus."
"Tudo mudou em 25 anos. Primeiro, sou muito mais jovem agora do que era antes. Canto e toco melhor. Sou uma pessoa mais feliz. Tudo mudou."
"Sinto muito amor e acho que realmente é isto que importa."
"Estive envolvido por muito tempo, e ainda estou, com Ravi Shankar... o músico indiano. O vi tocar em diversas situações. Quando ele não estava com sua cítara e entrou na sala... percebi que ele era a música. O instrumento é só... Quando está lá no canto, não tem vida. Mas quando ele toca, ele ganha vida, como a guitarra. A música está na pessoa, de verdade. Qualquer um... Jeff Beck pode entrar nessa sala e não tem que ter uma guitarra, o que quer que esteja, está nele. É o que acredito. Cada um coloca sua própria individualidade."
(George Harrison) |
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| por Os Poetas Elétricos [14:44] |
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| 11.5.09 |
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Jim Jarmusch & Tom Waits Nem te conto! (e não me conte) ou: um devaneio sobre a poética em preto & branco do tempo e espaço Jim Jarmuschiano
Meu amigo e mestre Moacy Cirne que me desculpe, mas vou aqui devanear novamente sobre cinema.
Escutei algo assim uma vez: "uma história para ser vivida, não contada." Não sei se foi no filme "Remando al Viento" sobre a trupe de Lord Byron, incluindo os Shelleys (Mary e Percy), numa espécie de possível making of da criação da clássica história de Frankenstein. Mas essas são outras dores e bastidores... Hoje quero falar sobre Jim Jarmusch.
Sempre penso que foi meu irmão Mário Ivo que me disse uma vez nos anos 80: "Cinema é imagem em movimento". Aprendi isso e nunca mais esqueci a lição de casa. Porque essa lição na rua fica mais difícil de fazer - pessoas mal educadas nos cinemas conversando durante os momentos chamados "tempos mortos" dos filmes. Em casa fica mais fácil a concentração nos filmes que têm uma linguagem mais alternativa, mais slow-motion, que não têm o fast-food hollywoodiano e televisivo dominante. E fast-food é mesmo fast-foda!!! Para mim esses tempos mortos são muito vivos, e fico realmente muito puto com as interferências externas nesses momentos, atrapalhando o delicado movimento das imagens, muitas vezes quase paradas, se não fosse a própria respiração do filme.
Aprendi faz tempo que o que diferencia a sétima arte das outras é a imagem em movimento. História (e estória) há nos livros, música nos discos, e imagem parada em muitos lugares - fotografias & derivados - revistas, jornais, livros, exposições, outdoors... É a imagem em movimento que diferencia o cinema do resto, ao mesmo tempo em que ele reúne tudo. Mas hoje com tantas outras formas de expressão artística e meios como a internet, tudo está muito ampliado e misturado, num instalar-de-ações...
Muito me interessa o ritmo de filmes como os de Win Wenders. E Win Wenders e aprendendo a gostar dessa desaceleração... Adoro "Paris, Texas"! E lembrei agora de um filme mais recente, de uma diretora mais contemporânea - "A Vida Secreta das Palavras" (de Isabel Coixet). Esse filme me tirou de tempo. Literalmente. Mas se alguém me pedir para contar esse filme, eu não saberia. Até poderia tentar, faria um resumo da história, mas como conseguir revelar uma sensação só sentida através daquelas imagens?
Não sou fumante, mas já fumei um cigarro inteiro com um personagem de um filme em tempo real. E isso ninguém me contou.
Algumas muitas pessoas insistem em querer compreender os filmes de uma forma mais objetiva. Prefiro a máxima de Antonioni quando diz que "não é fundamental que um filme seja entendido. Cinema é antes de tudo uma experiência sensorial." Como contar um filme como "L'Aventura"? E como contar os filmes de David Lynch?
Mas, como já disse, hoje eu quero falar sobre a poética em preto & branco do tempo e espaço Jim Jarmuschiano - tão simples, ingênua, ingenial... tão independente!
 E a idéia desse texto começou quando minha mulher Joane me pediu para lembrá-la como é o filme "Permanent Vacation" (de Jim Jarmusch), que assistimos juntos há algum tempo. Fiquei procurando falar sobre o filme e percebi que ele não tem uma história assim... tão início-meio-fim... para ser contada. Sobre "Permanent Vacation" li na net um texto muito bom, no qual destaco a frase: "personagens solitários em uma trama sobre o nada". Ainda assim, para mim, qualquer resumo soa tão... tão pouco... Então lembrei a Joane algumas imagens... Melancólicas, poéticas - completou Joane ao também lembrá-las.
 Assim também sinto "Down By Law"... Em um entendimento subjetivo através do ritmo lento que estabelece aos poucos uma cumplicidade filme-expectador. Cumplicidade a qual conquistamos através do exercício do olhar atento à delicadeza dos movimentos das imagens, dos diálogos nonsenses, dos silêncios, e da música marcante (sempre presente nos filmes de JJ - um apaixonado por jazz, rhythym & blues e rock). Apesar de no início do filme não termos o conhecimento aparentemente necessário para entender a densidade que existe na vida daquelas pessoas, o filme se arrasta e nos arrasta para dentro dele. Uma profundidade que não é dada, mas você a sente. Através das imagens p&b, da linguagem, do despertar de sensações... da poesia do nada!
Como bem concluiu Joane: "No final você está íntimo dos caras".
 Já sobre "Sobre Café e Cigarros", li uma crítica que diz que ele não pode ser considerado um filme. Então acho que ando preferindo os "não-filmes"...
Penso que há uma conexão direta entre os universos "Jarmusch-Beckett". Há algo de "Esperando Godot" nos filmes de JJ. "Nada é mais real do que nada". "Não há nada mais a dizer, embora nada tenha sido dito."
Por isso, me desculpe caro leitor, cara leitora - mas não posso contar a história desses filmes. Também não quero que ninguém me conte sobre filmes assim... Seria o fim! E fim é uma coisa que esses filmes realmente não têm...
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [16:46] |
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| 10.5.09 |
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o mar ia o mar ria amaria maria

feliz dia das mães sempre!
carito
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| por Os Poetas Elétricos [19:22] |
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