29.4.09

estradagora


já que te kerouac!

* * *

rimbaud

em uma expedição à áfrica
quem encontrou
o belo perdido?

* * *

sexo implícito

a sombra
come
o sol.

* * *

sombras e réstias me interessam...

* * *

para minha mente parada
em uma sombra inglesa
tenho um coração
andaluz.

* * *

inverno

as paredes sem ouvidos
não existe o quarto
elemento
não recinto
nada.

* * *

deixei lá fora
os bolinhos
de chuva.

* * *

nenhuma luz no fim do túnel
nada mais nos réstia.

* * *

tarja o que houver
vou sempre lhe engolir
preta, pretinha
você me tira do ar
comprimido.

* * *

a poesia sheyla de nuvens
chorou
belos jardins.

* * *

para moacy:

você tem tanta informação
que fico cheio de dados
pra falar com você!

* * *

de repente
tive uma idéia assustadora
no estalar dos medos!

* * *

EU QUERO UMA PALAVRA QUE INCENDEIE
EU QUEROSENE!

* * *

reforma ortográfica

disse a letra u:
que a terra trema
mas eu não mais!

* * *

o leão do circo macrobiótico comeu a berinjaula e fugiu para uma outra esfera.

* * *

todo homem tem seu precipício.

* * *

esquadrilha da fumaça

shows de aviões no céu
é muito ar
riscado.

* * *

shows de aviões do forró
é muito
pior.

* * *

baterista de rock que se preze nunca quer colocar tudo em pratos limpos.

* * *

se a vida não é boa
a vodka não pode prestar!

* * *

não gosto de despedaçar flor, gosto de despedaçar palavra, de sentir cada sílaba, seu silêncio e sino, às vezes nova sina de, sendo pedaço, se transformar em palavra nova, pá, lavra, ova, vindo cá, escavindo, escavando... num disse me disse: nova invencionice! não gosto de mudar o rumo da rosa, mas com a prosa é diferente, gosto quando ela me assusta e sai pela tangente, e sabemos:

tangente pra tudo nesse mundo!

* * *

ah! sou um poeta de segunda! fica complicado pensar em outra coisa depois do domingo.


carito
por Os Poetas Elétricos [09:23]
25.4.09
CAMPOS MIMADOS

poemas fora de

ardem

para adrianna coelho

* * *

pela tua poesia andei
agora pise com cuidado:
plantei para ti
campos
mimados.

* * *

o sol alpino
na cabeça
o frio nada valha.

* * *

nenhum verso
seguro.


solto:


palavras




explodem no ar!


* * *

o sol
laço
quando
sou só


luço.


* * *

quero terminar essa poesia tonta
mas dizer não é tão ruim
que quando me dou conta
estou perto do sim.

* * *

amor

o gavião cai
por águia
abaixo.



carito
por Os Poetas Elétricos [16:55]
22.4.09
fotos de carito

borbuLETRAS


* * *

voltei porque
quando morei
em marte
eu só queria
manteiga da terra!

* * *

gosto de ti geni
do teu genipapo cabeça
da maçã das tuas bochechas
do sumo da tua manga rosa onde sumo com dois dedos
e prosa
goza
abacate-me os cabelos
sapo-ti pulo e perco o juízo
sua filha da fruta deixe eu tirar ao menos uma casca
da minha banama-te!

* * *

textículo com problema de densidade geográfica

deixe de ficar gautemole! não quer ficar honduras? seu filho de uma nicarégua! seu país baixo nível! se bula homi, deixe de protocolo, deixe de ficar quioto! holanda logo, vamos! ripa na tulipa! desse jeito ninguém vai mais querer me amesterdá!

* * *

faço um pedido:
uma estrela cá...den...tro!

* * *

tento respir...a...r...cima do bem e do mau...tner e nem preo...culpo-me se já usei isso a...r...tes!

* * *

os tempos idos
fritam
os novos mexidos.

* * *


não
LUTO
contra o dos meus dias.

* * *

............................criou um site de bebidas (?) chamado the dark site of the run........................ se a pessoa não conhecer o disco do pink floyd não vai entender............... que me importa (ele disse) não é campanha publicitária não tô nem aí escrevo o que eu quiser escravo quem quiser eu mesmo não........................... nem sei ainda se esse run é run de correr em inglês ou rum de beber e eu nem gosto tanto foi mais pra combinar com o mote que eu tô num mote sem cachorro..................................................

* * *

LA NUVEM VA

depois do verão sinto os meses no frio da navalha. para mim depois de abril é maiakovski e em julho quero ser a lâmina que cortázar a escuridão.


carito
por Os Poetas Elétricos [23:27]
21.4.09
A Praia de Tabatinga, no município do Conde - Paraíba.


Paraíba sem pressa e a poesia da tempestade


Esse título veio assim como as chuvas desses dias na Paraíba, o sol se escondia, a chuva caía, o sal escorria poesia e tempo... Ah! O tempo... Ah! A poesia... Nas palavras do poeta Fernando Mendes Vianna:

"O Tempo, esse rumor de água corrente.
Um instante em nós; depois, eternamente."

Rafael Fernando Mendes Vianna no "Tabatinga Arte Bar", lendo poemas de um dos livros de seu pai: "MARINHEIRO NO TEMPO: ANTOLOGIA".

Conheci agora na Paraíba esse maravilhoso poeta carioca radicado em Brasília... Conheci-o em livro e através do seu filho, num encontro casual no "Tabatinga Arte Bar": um canto-recanto-encanto na beira da praia de Tabatinga (não a praia de Tabatinga do RN - essa agora, como já disse, na Paraíba). Fernando Mendes Vianna morreu (fisicamente) em 2006 e renasce em cada palavra de sua poesia, no livro que seu filho Rafael carrega pra cima e pra baixo por entre os cânions da praia de Coqueirinho, poesia mais nua que Tambaba, recitada no bar do pintor Alberto em Tabatinga, num sarau em meio à tempestade... na véspera de ir embora... ter que ir embora... pra onde? Ah! O tempo de novo, o tempo! Raios que o partam! Bebo novamente o poeta:

"Na pedra a onda nidifica,
e o dente puro da espuma
na pedra fica. O tempo
dói sem pressa: eterno rói,
dia após dia, o elemento
humano e sua inútil penedia.

Até que a roca seja só
uma praia indefesa - pó."

O artista plástico Alberto Diaz, proprietário do "Tabatinga Arte Bar", juntamente com sua esposa Cibele - filha do poeta Zé Laurentino que também fez parte do nosso sarau improvisado através dos seus cordéis chegados até nós pelas mãos de Cibele...

E nós, amigos recém-formados, turistas acidentais, há tempos sabemos - do pó nascemos e ao pó voltaremos, indefesos diante de tanta poesia e natureza, celebrando a arte, principalmente a arte de viver, sentindo:

"Todo corpo é mar,
é ar, é terra.
Viaja-lo."

A praia em frente ao "Tabatinga Arte Bar"

Ah! O poeta... nas palavras do poeta:

"Sua meta é o fundo. O mundo
é a morte sob mil formas. Por isso
ele próprio se transforma, insubmisso".

Praia de Tabatinga, vista desde o bar de Alberto

Ah! Esses dias na Paraíba! Foram dias de tempestades, de idéias, de grafias e geografias físicas e humanas, de poesia e mais poesia de Fernando Mendes Vianna:

"ANTES DE TEMPESTADE

O mar, uma lâmina fria.

Todos o pensavam manso,
todos o pensavam frio...

O mar, lâmina dura,
de aço.

O mar, num ácido escuro
se consumia."

E eis que no último dia o céu alumia e o poeta não se despede:

"Meu absinto é o sol."

Volto na contramão do slogan que diz "A Paraíba tem pressa"... Planto a rosa dos ventos do poeta em meu coração e meu slogan é nuvem de Fernando Mendes Vianna:

"A nuvem é meu talismã,
minha tatuagem,
minha única ruga,
minha fotografia azul
de tuareg."


Carito

Joane no "Tabatinga Arte Bar" - aniversariando em abril chuvas mil! Esse post é também um presente para ela, musa e companheira, poesia e natureza...


FOTOGRAFIAS DE CARITO & JOANE.
POEMAS DE FERNANDO MENDES VIANNA.


por Os Poetas Elétricos [19:06]
16.4.09
O amigo e escritor José Correia Torres, do blog POTIGUARANDO nos presenteou com as fotos que bateu do nosso show no Colégio Ciências Aplicadas. Segue abaixo uma pequena mostra:














por Os Poetas Elétricos [00:12]
14.4.09
* * *

ficou pisando em novos e por isso não conseguiu conversar com o futuro...

* * *

meio do terrâneo:

esse mar se faz de morto pra comer o cú dos banhistas!

* * *

ao fausto de mim! goethe back! goethe back!


carito
por Os Poetas Elétricos [01:58]
12.4.09
PazCoa e amor!


Carito
por Os Poetas Elétricos [22:42]
11.4.09


não tinha estilo


mas escrevia

em grande estalo:


* * *


voyer


que o buraco seja eterno

enquanto fechadura!


* * *


relacionamento frio


disse a foca assim:

ele é muito escorregadio!

e ela me soul foca! disse o pingüim.


* * *


- só a cabecinha!

e nádegas a declarar:

- tal manha não é documento!


* * *


meta a linguagem excitada:

guaranal em pó!


* * *


bio

lógica

(ou darwin ou desce):


no cromo

símios!


* * *


lá e cá

misturo

o novo com o tempo

ido

atento

a ficar

distraído.


* * *


pintura íntima


de alma sofrida

calo.


* * *


o domingo

não sábado de nada.


* * *


o bofe

enciumado gritou:

a racha

dura!


* * *


o vagalume recebeu uma cantada

e ficou

todo aceso.


* * *


já estacionei aqui

tenho uma vaga



lembrança.


* * *


eu sumo! disse o fruto quando viu o liquidificador...


* * *


baratinhas quando nascem

se espalham pelo chão...


* * *


cineasta recebe uma menção horrorosa por um filme de terror...


* * *


no aniversário do bandido

ele apagou as velhinhas.


* * *


páscoa:


vai começar tudo de ovo!


carito


"sem o humor é impossível entender a dialética".

(bretch)


"dizer bobagens areja a alma".

(quintana)

por Os Poetas Elétricos [18:06]
8.4.09
Dau fotografada por Dú


por Os Poetas Elétricos [22:18]
3.4.09
Meu tio foi pescar


Meu tio foi pescar. Dessa vez estrelas no céu. Meu tio sempre foi um cara que eu admirei. Meu irmão Mário Ivo, ótimo escritor e jornalista, já falou, e daquela maneira genial dele, sobre o meu tio. E coisas que eu tinha pensado em dizer. Mas não vou me preocupar em repetir. Meu tio repetia pescarias e era muito bom nisso. Pescava peixes, livros, modus vivendis e operandis próprios. E de tanto repetir fez sua história, deixou sua marca, sua arca, marco, barco, lancha, jipe... Eram a vara e anzol para a pesca da aventura e do pioneirismo!

Ainda muito jovem, pescou a modelo que existia dentro de minha mãe, sua irmã, quem ele fotografava com um olho de peixe: mergulhando fundo em sua beleza! As fotos que ele fez de minha mãe são de uma sereia! Uau! Eles se chamavam, entre si, Dú e Dau.

Fez o canal para a odontologia potiguar se desenvolver, sendo pioneiro na endodontia. Trabalhava com bocas, e a sua, quando aberta, era tirada certa. Humor preciso, inteligente, exigente.

Pescou minha tia em uma rede de entregas. E nos rumos, em prumos, meus primos.

Amazônia, Cotovelo, Bonfim eram algumas das suas casas, além daquela da Rua Miguel Barra. Com a garagem com porta de filme americano e cheia de ferramentas, tudo organizado para o seu "do it yourself". Faça você mesmo! E meu tio fazia. E registrava com fotografias em slides, criando um home cinema autoral à frente se seu tempo. Meu tio era de vanguarda, meu tio era o tal! Pesquisador, seus livros eram os que a TV por assinatura às vezes são hoje em dia. Ele sempre foi a fundo em muitos canais.

Meu tio deixou sua impressão digital em uma época analógica. E criou sua própria lógica.

As linhas da sua impressão eram as linhas das varas de pescar.

Antenado com o mundo, com o universo, ele agora arremessou mais longe.


Carito
por Os Poetas Elétricos [22:48]
2.4.09
tor
to




olhe
onde:


pisa!



carito
por Os Poetas Elétricos [01:15]
1.4.09
primeiro de abril


mentira dessa!



carito
por Os Poetas Elétricos [11:46]
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