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| 29.4.09 |
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estradagora
já que te kerouac!
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rimbaud
em uma expedição à áfrica quem encontrou o belo perdido?
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sexo implícito
a sombra come o sol.
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sombras e réstias me interessam...
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para minha mente parada em uma sombra inglesa tenho um coração andaluz.
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inverno
as paredes sem ouvidos não existe o quarto elemento não recinto nada.
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deixei lá fora os bolinhos de chuva.
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nenhuma luz no fim do túnel nada mais nos réstia.
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tarja o que houver vou sempre lhe engolir preta, pretinha você me tira do ar comprimido.
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a poesia sheyla de nuvens chorou belos jardins.
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para moacy:
você tem tanta informação que fico cheio de dados pra falar com você!
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de repente tive uma idéia assustadora no estalar dos medos!
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EU QUERO UMA PALAVRA QUE INCENDEIE EU QUEROSENE!
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reforma ortográfica
disse a letra u: que a terra trema mas eu não mais!
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o leão do circo macrobiótico comeu a berinjaula e fugiu para uma outra esfera.
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todo homem tem seu precipício.
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esquadrilha da fumaça
shows de aviões no céu é muito ar riscado.
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shows de aviões do forró é muito pior.
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baterista de rock que se preze nunca quer colocar tudo em pratos limpos.
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se a vida não é boa a vodka não pode prestar!
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não gosto de despedaçar flor, gosto de despedaçar palavra, de sentir cada sílaba, seu silêncio e sino, às vezes nova sina de, sendo pedaço, se transformar em palavra nova, pá, lavra, ova, vindo cá, escavindo, escavando... num disse me disse: nova invencionice! não gosto de mudar o rumo da rosa, mas com a prosa é diferente, gosto quando ela me assusta e sai pela tangente, e sabemos:
tangente pra tudo nesse mundo!
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ah! sou um poeta de segunda! fica complicado pensar em outra coisa depois do domingo.
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [09:23] |
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| 21.4.09 |
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A Praia de Tabatinga, no município do Conde - Paraíba. Paraíba sem pressa e a poesia da tempestade
Esse título veio assim como as chuvas desses dias na Paraíba, o sol se escondia, a chuva caía, o sal escorria poesia e tempo... Ah! O tempo... Ah! A poesia... Nas palavras do poeta Fernando Mendes Vianna:
"O Tempo, esse rumor de água corrente. Um instante em nós; depois, eternamente."
Rafael Fernando Mendes Vianna no "Tabatinga Arte Bar", lendo poemas de um dos livros de seu pai: "MARINHEIRO NO TEMPO: ANTOLOGIA".
Conheci agora na Paraíba esse maravilhoso poeta carioca radicado em Brasília... Conheci-o em livro e através do seu filho, num encontro casual no "Tabatinga Arte Bar": um canto-recanto-encanto na beira da praia de Tabatinga (não a praia de Tabatinga do RN - essa agora, como já disse, na Paraíba). Fernando Mendes Vianna morreu (fisicamente) em 2006 e renasce em cada palavra de sua poesia, no livro que seu filho Rafael carrega pra cima e pra baixo por entre os cânions da praia de Coqueirinho, poesia mais nua que Tambaba, recitada no bar do pintor Alberto em Tabatinga, num sarau em meio à tempestade... na véspera de ir embora... ter que ir embora... pra onde? Ah! O tempo de novo, o tempo! Raios que o partam! Bebo novamente o poeta:
"Na pedra a onda nidifica, e o dente puro da espuma na pedra fica. O tempo dói sem pressa: eterno rói, dia após dia, o elemento humano e sua inútil penedia.
Até que a roca seja só uma praia indefesa - pó."
O artista plástico Alberto Diaz, proprietário do "Tabatinga Arte Bar", juntamente com sua esposa Cibele - filha do poeta Zé Laurentino que também fez parte do nosso sarau improvisado através dos seus cordéis chegados até nós pelas mãos de Cibele...
E nós, amigos recém-formados, turistas acidentais, há tempos sabemos - do pó nascemos e ao pó voltaremos, indefesos diante de tanta poesia e natureza, celebrando a arte, principalmente a arte de viver, sentindo:
"Todo corpo é mar, é ar, é terra. Viaja-lo."
A praia em frente ao "Tabatinga Arte Bar" Ah! O poeta... nas palavras do poeta:
"Sua meta é o fundo. O mundo é a morte sob mil formas. Por isso ele próprio se transforma, insubmisso".
Praia de Tabatinga, vista desde o bar de Alberto Ah! Esses dias na Paraíba! Foram dias de tempestades, de idéias, de grafias e geografias físicas e humanas, de poesia e mais poesia de Fernando Mendes Vianna:
"ANTES DE TEMPESTADE
O mar, uma lâmina fria.
Todos o pensavam manso, todos o pensavam frio...
O mar, lâmina dura, de aço.
O mar, num ácido escuro se consumia."
E eis que no último dia o céu alumia e o poeta não se despede:
"Meu absinto é o sol."
Volto na contramão do slogan que diz "A Paraíba tem pressa"... Planto a rosa dos ventos do poeta em meu coração e meu slogan é nuvem de Fernando Mendes Vianna:
"A nuvem é meu talismã, minha tatuagem, minha única ruga, minha fotografia azul de tuareg."
Carito
Joane no "Tabatinga Arte Bar" - aniversariando em abril chuvas mil! Esse post é também um presente para ela, musa e companheira, poesia e natureza...
FOTOGRAFIAS DE CARITO & JOANE. POEMAS DE FERNANDO MENDES VIANNA.
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| por Os Poetas Elétricos [19:06] |
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| 3.4.09 |
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Meu tio foi pescar
Meu tio foi pescar. Dessa vez estrelas no céu. Meu tio sempre foi um cara que eu admirei. Meu irmão Mário Ivo, ótimo escritor e jornalista, já falou, e daquela maneira genial dele, sobre o meu tio. E coisas que eu tinha pensado em dizer. Mas não vou me preocupar em repetir. Meu tio repetia pescarias e era muito bom nisso. Pescava peixes, livros, modus vivendis e operandis próprios. E de tanto repetir fez sua história, deixou sua marca, sua arca, marco, barco, lancha, jipe... Eram a vara e anzol para a pesca da aventura e do pioneirismo!
Ainda muito jovem, pescou a modelo que existia dentro de minha mãe, sua irmã, quem ele fotografava com um olho de peixe: mergulhando fundo em sua beleza! As fotos que ele fez de minha mãe são de uma sereia! Uau! Eles se chamavam, entre si, Dú e Dau.
Fez o canal para a odontologia potiguar se desenvolver, sendo pioneiro na endodontia. Trabalhava com bocas, e a sua, quando aberta, era tirada certa. Humor preciso, inteligente, exigente.
Pescou minha tia em uma rede de entregas. E nos rumos, em prumos, meus primos.
Amazônia, Cotovelo, Bonfim eram algumas das suas casas, além daquela da Rua Miguel Barra. Com a garagem com porta de filme americano e cheia de ferramentas, tudo organizado para o seu "do it yourself". Faça você mesmo! E meu tio fazia. E registrava com fotografias em slides, criando um home cinema autoral à frente se seu tempo. Meu tio era de vanguarda, meu tio era o tal! Pesquisador, seus livros eram os que a TV por assinatura às vezes são hoje em dia. Ele sempre foi a fundo em muitos canais.
Meu tio deixou sua impressão digital em uma época analógica. E criou sua própria lógica.
As linhas da sua impressão eram as linhas das varas de pescar.
Antenado com o mundo, com o universo, ele agora arremessou mais longe.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [22:48] |
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