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| 31.10.08 |
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tu que me ensinastes a palavra estendida secando no varal de dois sóis: teus olhos.
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [14:44] |
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| 30.10.08 |
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esqueci de me fechar e tudo entrou em mim: pularam aqui pra dentro sapos e chocolates pregos enferrujados e puddles marimbondos caboclos e panteras negras abelhas rainhas e a queda da bolsa a alta do dólar, rimbaud e banda calipso o himalaia, tex e kit carson, topo gigio e britney spears bauhaus, textos em esperanto, pilotos kamikase, gengivas sensíveis latas de goiabada, colunas sociais, jethro tull e taj mahal o raso da catarina, garrafas soltas no oceano, assassinos em série, ky gel jesse james, george bush, antônio francisco, ipods e peixes-galo valentina, pedras de amolar, jesus cristo superstar, a oitava série inteira e mais um big mac fotos 3x4, negra li, motores v8 de não sei quantos cavalos e lesmas, fios de alta tensão mark chapman, jontexs, amelia earhart, drops dulcora, esgotos a céu aberto e a galeria uffizi homens bomba, ku klux kan, marcelo tas, paulo maluf e brasileiros barrados na espanha tartarugas ninja, hds externos, tabelas periódicas, ingressos para a broadway do abba, fezes e super-heróis faustão, sombra das mangueiras, vibradores, ataulfo alves, purpurina e hugo chavez o dragão da maldade, profiteroles, dr. smith, marcellus bob, engarrafamentos, uma voz pedindo me fode, me fode uma onda perfeita em formosa, uma dor de barriga dos diabos, espelhos quebrados e acalantos, fellini, pasolini, chás de camomila e cogumelo, refrigeradores brastemp, cavaleiros do forró, john lennon, pedras de crack, jorge fernandes, ratos gabiru e tiramissu tá dando um trabalho danado pra separar! carito |
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| por Os Poetas Elétricos [18:37] |
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É a comida que me come Eu que corto a lâmina É o escarro que me entra na boca Eu que dou choque na tomada O carro que coloca a chave em mim e me liga São os óculos que usam meus olhos escuros É a urina que entra em meu pênis Passo a noite acordando e quando o despertador toca eu durmo. Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [00:51] |
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| 29.10.08 |
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i. quase pego o desapego
ii. quando penso suspenso
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [00:14] |
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| 27.10.08 |
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 o maior império de irapuru
entrei timidamente e logo fui devorado pelas quatro paredes do pequeno quarto todas as paredes tomadas por páginas de revistas de mulher pelada um quarto inteiro de peitos e bucetas e bundas e bocas e pernas e coxas e olhares não sei quantas mulheres nuas olhando para mim mulheres das mais variadas (porque naquela época as revistas como playboy e ele&ela traziam mulheres bem diferentes umas das outras) belas, gostosas, algumas em tamanho quase real (eram os pôsteres) não acreditei: - eu vou dormir aqui? que quarto de hóspede!!! aquilo sim é que era um papel de parede!!! muito melhor que o papel de parede das salas do colégio religioso em natal (o saudoso colégio salesiano são josé) a minha amizade com o neto do major (o imperador do sertão, o coronel theodorico bezerra)) me fez ganhar um presente maior que a famosa fazenda que eu estava visitando aquele quarto sim era o império dos sentidos um campo de sonhos infinitamente maior que a fazenda irapuru o rio lavou a ponte e eu lavei a burra choveu no sertão choveu na minha aorta: coração em tempo de explodir pênis et circenses!
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [14:25] |
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| 24.10.08 |
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"É preciso cegarem-se todos para que enxerguemos a essência de cada um?" Elen Cuña in Cornflake Promises
Como (quase) vi o filme Ensaio Sobre a Cegueira
Vrummmm, vrum, vrummm... Essa talvez não seja uma onomatopéia de uma furadeira, talvez de um carro, mas sendo assim - de uma máquina. Então, tudo bem. Tudo bem nada! Imagine, caro leitor, cara leitora, o barulho irritante de uma furadeira somado a risadas e conversas de operários no trabalho de alguma construção em um shopping center e em algum lugar justamente atrás da sala do cinema onde você está (quase) assistindo a um filme que há muito tempo você desejava ver.
As mensagens de sempre na tela antes do filme contrastavam com esse estranho e absurdo ruído na sala: "Por favor, desligue o celular", "não converse", etc. e... vrummmm, vrum, vrummm... E o vrummmm, vrum, vrummm foi se prolongando, se alastrando filme adentro, tal qual a doença da história do filme. De fora pra dentro, de dentro pra fora.Caro leitor, cara leitora, eu tinha reservado essa frase para o final do post, mas vou projetá-la logo aqui, agora: se for assistir ao filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA no Midway Mall em Natal é melhor perguntar antes se eles ainda estão fazendo esse trabalho, ou melhor - esse desrespeito ao expectador! Enquanto o filme mostrava a cegueira na ficção na adaptação do livro de Saramago, muito bem colocada na tela por Fernando Meirelles, a vida então imitava a arte. Cegueira por todos os lados. Eu me perguntava: será que ninguém está vendo (ou ouvindo) o que está acontecendo? Reclamei aos funcionários do cinema que comunicaram à gerência que por sua vez comunicou à gerência do shopping e... nada! Minha mulher já tinha ido falar com os funcionários do cinema, eu fui de novo, e depois do filme nos juntamos a outra senhora também indignada, para falar diretamente com a gerente do cinema. O filme acabou e não conseguimos assisti-lo com os vazios necessários, que foram indevidamente preenchidos pelo barulho da furadeira. Espero verdadeiramente que a esperança da cena final do filme possa fazer sentido. Enquanto instalação inusitada o incidente funcionou muito bem. Uma pena que não nos avisaram que iria haver essa performance. Sempre me senti perseguido no cinema: por pessoas conversando perto de mim, uma criança chorando incomodando mesmo de longe, um celular ligado e outros exemplos infelizes. Mas nenhum tão infeliz e absurdo como esse cujo protagonista é o próprio cinema. A primeira furadeira no cinema a gente nunca esquece! A gerente do cinema ainda quis nos dar novas entradas para uma outra sessão, ou até para outro filme se assim desejássemos, como uma forma de compensação. Educadamente, não aceitamos. Porque talvez isso significasse a solução de um problema que decididamente não estaria resolvido dessa forma. Preferimos fazer um paralelo com o próprio filme que quase vimos: é preciso enxergar algo mais!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [11:41] |
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| 20.10.08 |
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Como (quase) não vi a Mona Lisa
Cresci vendo os impressionistas e pós-impressionistas na sala de jantar. Minha mãe tinha réplicas de quadros que para mim se tornaram emblemáticos como "O Cavalo Branco", que era todo verde por causa das folhagens. E claro que isso me influenciou desde cedo para a quebra de paradigmas, ou no mínimo para procurar ver sempre algo mais nas coisas.
 O Cavalo Branco (Paul Gauguin, 1898)
Depois me apaixonei pelas metáforas do surrealismo de Magritte, principalmente o quadro-provocação "Isso não é um cachimbo". E o cachimbo lá, bem desenhadinho, mas não sendo cachimbo e sim apenas a representação de um cachimbo na pintura.
Isto não é um cachimbo (René Magritte, 1928/29)
Do renascimento me apaixonei pelo museu a céu aberto que é Florença. E em Paris, quando cheguei ao Louvre eu já tinha percorrido uma boa parte da cidade, principalmente o D'Orsay onde tive a Síndrome de Stendhal quando vi alguns dos originais da sala lá de casa. Mas eu já tinha conhecido Picasso em Madrid, e ficado fã do cara que desconstruiu tudo, que quis inserir o conceito da quarta dimensão nas telas, do tempo, como uma película de cinema dissecada, do cara que podia pintar igual a Da Vinci, mas quis inventar sua própria onda. Por isso que, apesar de estar a metros da Mona Lisa, faltando apenas entrar no Louvre através da Pirâmide, resolvi me questionar se eu não estava sendo escravo da minha obsessão em ter conhecimento artístico, em querer aproveitar tudo do mundo da arte - afinal, a Europa era quase o máximo para mim. Porque no fundo, ou no raso mesmo, descobri que eu queria mesmo era colocar os pés descalços no laguinho da pirâmide e passar a tarde ali sem fazer nada.
Assim, não entrei no Louvre, não vi a Mona Lisa, quem Moacy Cirne revelou recentemente ser uma roqueira dos anos 70 na Caicó de Todos os Seridós. E eu digo mais: roqueira fã de David Bowie, da androgenia e da polêmica, achei a danada muito parecida com uma senhora hippie que sentou ao meu lado no laguinho da pirâmide.
Oh Mona deixa eu ir / Oh Mona eu vou só / Oh Mona deixa eu ir pro sertão de Caicó...
Carito
Retrato de uma roqueira dos anos 70 na Caicó de Todos os Seridós ou Quem Medo da Mona Lisa? (por Moacy Cirne, 2008)
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| por Os Poetas Elétricos [08:39] |
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| 19.10.08 |
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domingo
à noite saio de salto alto desengonçado
e mais homem que nunca.
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [18:01] |
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| 17.10.08 |
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SEXO INTELECTUAL
- Meta a linguagem! Meta a linguagem!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [00:45] |
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| 16.10.08 |
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Uma impressão, uma revelação Fazia tempo que eu não revelava fotos. Com essa história de máquina digital quase não se revela mais fotografias. E nos contentamos em vê-las no computador. Sei que isso acontece com a maioria das pessoas. Às vezes pensamos em revelar e vamos deixando pra depois, pra depois... Hoje fiz uma volta ao passado. Primeiro escolhi uma loja do centro da cidade em vez de ir ao shopping. O fato de ir a uma loja no centro, o fato dessa loja ser de fotografia, o fato de eu ter ido para fazer uma revelação... Sim! Eis uma revelação: essas lojas praticamente acabaram. E as poucas que existem, possuem poucos funcionários e poucos clientes. Revelar fotos tornou-se algo em extinção. Passeando pela cidade, fui com um amigo tentando lembrar os nomes das inúmeras lojas de fotografia antigamente existentes em Natal. Hoje resta praticamente uma, digamos, mais significativa. Mas não conseguimos lembrar das lojas que sumiram, praticamente sem deixar vestígios. Lembramos até como era o envelope de uma delas, as cores, o álbum que vinha grátis... Nosso cérebro deu pistas, mas nossos neurônios escorregaram nelas. Ficamos apenas com os sinais de uma civilização que está desaparecendo. Afinal, pra que serve mesmo fazer a arqueologia das lojas de fotografia da cidade de Natal? Mas chegando em casa, vendo as fotos impressas no papel, tocando-as... Que sensação! A impressão que tenho sobre a impressão das fotos é que isso se tornou uma experiência sensorial! Afinal, revelando fotos, ainda podemos ter contato de novo com algo que realmente existe. Como os papéis rabiscados nas inúmeras pastas na estante. A estante é real. E agora o instante é virtual. As fotos no computador não existem no plano real, nem os textos do Word, nem esse blog. Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [15:10] |
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| 14.10.08 |
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Sussurro de liberdade
Dia desses, na memória, na memória que ficou, que ainda tenho consciência, Afonso Martins ao telefone me diz que vai ao centro da cidade, à loja de discos Modinha, comprar um LP de Je T'aime. Resolveu assumir que gosta muito dessa música e pronto. Como Afonso não grita, fala sempre de forma discreta, educada, encarei isso não como um grito de liberdade, mas como um sussurro de liberdade, e fiz coro: desde então pude ser feliz gostando livremente de Je T'aime, de Please Don't go, Pholhas, Bread, luz negra, de algo que transcende ao brega e à fossa, quando aqueles teclados atingem minha alma, me dão uma estranha sensação de bem estar e me arrastam para uma nostalgia insólita de um tempo que não vivi. Uma alegria triste, um estado sublime de... melancolia! Eu quero uma pra viver!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [09:59] |
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| 13.10.08 |
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"O TESÃO VENCE O MEDO"
Essa falta de medo que me fez dançar frevo mesmo sem saber, na frente de todo mundo, na frente dos pernambucanos doutores em frevo, se nutre da mesma vitamina, bebe do mesmo combustível incendiário que move personagens fictícios como Hermila e Alice, e reais como Rodrigo Levino.
Numa entrevista que pesquei na UOL o cineasta Karim Aïnouz fala de algo em comum entre as personagens Hermila, de "O Céu de Suely", e Alice da nova minissérie homônima da HBO:
"A Alice e a Hermila são as minhas queridas meninas. Elas têm uma coisa muito parecida. Elas são personagens que estão seguindo por um caminho da vida e que se dão conta de que pode haver outro. E elas vão tentar ver qual é esse outro caminho, apesar de não saberem qual é. Eu acho que isso é muito bonito, pois é uma coisa da juventude. É uma falta de medo e uma vontade de experimentar uma outra vida, que não é aquela vida que está apontada para você. Acho que não falei com a ênfase necessária, mas elas são personagens extremamente corajosas. Tem um filme que eu adoro, que é um filme alemão, que eu acho que está entre os meus filmes favoritos, cujo título é 'O Medo Devora a Alma'. E aqui eu acho que é algo como 'o tesão alimenta a alma', 'o tesão vence o medo'. O tesão no sentido mais bacana do termo. No sentido de que a falta de medo é sinônimo de vida."
E do blog do escritor e jornalista Franklin Jorge destaco os trechos abaixo na entrevista que ele fez com o também jornalista e escritor Rodrigo Levino:
"O que você herdou do seu pai? O gosto pelo risco, que embora ele tenha assumido apenas num determinado período da vida, admiro mais que a postura linear desde o fim dessa fase até hoje. E de sua mãe? Coragem, penso eu. Dê-me fatos para esclarecimento de heranças. Do meu pai o pouco medo que tenho de arriscar, mudar, sair do que não me dá prazer. Larguei Direito, nunca exerci, quando percebi que não teria prazer algum fazendo aquilo, cercado de códigos, leis. Decidi escrever e viver disso, ir contra a maré da estabilidade, do jeito que ele fez quando um dia saiu de Messias Targino e se danou pelo mundo, voltando anos depois. Da minha mãe a coragem de esgotar todas as possibilidades para conseguir o que quero, diante de portas na cara, chás de cadeira. Não desisto. Mais fatos. Dia desses indo para o trabalho pela estrada de Ponta Negra, num ônibus demoniacamente lotado, vi um gari deitado no canteiro, na grama, cheirando uma flor. Foi a coisa mais sublime que testemunhei na cidade. Uma xanana, que não se perca pelo nome. Outra soberba foi o Rio Amazonas. Chorei enquanto aquele mundo d?água se descampava na minha vista. Fiquei emocionado. Me arriscaria naquele rio, teria coragem de ir por suas locas e igarapés. Herdei o gosto por água doce dos meus pais. Açudes da infância."
Já eu continuo procurando os açudes que se formavam nas ruas de Olinda, nas chuvas dos carnavais. Sei que eles têm comunicação com os mares de dentro. E é preciso coragem para mergulhar. Sem máscaras.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [10:29] |
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| 11.10.08 |
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Imagem pulada do site
A invenção do frevo
Quando mais jovem, bem mais jovem, lá pelos idos anos 80, bem no início, bem levado, debutei em Olinda levado por essa vontade de conhecer o novo, de jogar o corpo no ar e captar algum estado alterado para a mente. Não havia ainda Chico Science provocando na mistura vanguardista a curiosidade e o gosto pela tradição. Mas quem não sentia essa tradição? Já havia essa tradução da tradição via Alceu Valença, e ela estava nas ruas, na arquitetura, na música dos blocos... era carnaval! Lembro que um dia eu estava dançando loucamente mesmo sem conhecer passos nem entender por nomes coisas como frevo, maracatu, ciranda, mas me sentia amigo de infância de Lia de Itamaracá. Acompanhando uma troça a turma abria espaço para quem quisesse ir lá no meio fazer um "solo" de frevo. Os pernambucanos têm essa coisa dos ritmos e da dança no código genético, os simpatizantes estrangeiros de outras capitais que dançavam ali com certeza estudaram um pouco, pois aprenderam e não fizeram feio. Mas e eu? Tão jovem e tão ingênuo, tão cheio de vida, de vontade de participar, meti a cara, ou melhor: os pés. Pernas pra que te quero se não pra pular feito um doido uma dança que ninguém entendia, não era frevo, e era frevo: o meu frevo, dança inventada por mim. Ninguém me lixou, mas aos poucos o pessoal foi me ignorando, como quem diz: punk-rock até tem por aqui porque Olinda sempre surpreende, mas é noutro setor. Bem, nem saí de fininho, porque eu não tava nem aí, tava ali mesmo no meio de corpos que se esbarravam e assim fui me misturando com meu frevo danado e inventado por mais 10 anos de carnaval em Olinda, com a coragem de quem é jovem, sem medo do ridículo, até que troquei aquelas carnes por outras, junto a crepúsculos em baixo de saias e praias rodadas...
Carito
OBS.: Existem 120 passos de frevo registrados. E extra-oficialmente: 121 (com o meu).
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| por Os Poetas Elétricos [09:30] |
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| 10.10.08 |
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A BARRAGEM TÁ PESADA
Seu pranto de ave presa É represa Em meu coração.
Sangria de açude maior Nunca vi.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [09:59] |
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| 6.10.08 |
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FESTIVAL DOSOL 2008: VENDA ANTECIPADA DE INGRESSOS COMEÇA AMANHÃ.
E eis a programação oficial. Você pode saber mais no site do festival.
DIA 01 DE NOVEMBRO - RUA CHILE 22H30 - THE DONNAS (EUA) 22H00 - BLACK DRAWING CHALKS (GO) 21H30 - FORGOTTEN BOYS (SP) 21H00 - AMP (PE) 20H30 - MQN (GO) 20H00 -TERMINAL GUADALUPE (PR) 19H30 - THE SINKS (RN) 19H00 - BARBIEKILL (RN) 18H30 - CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN) 18H00 - STAR 61 (PB) 17H30 - ROSA DE PEDRA (RN) 17H00 - LUNARES (RN) 16H30 - FEWELL (RN) 16H00 - ROCK ROVERS (RN) DIA 02 DE NOVEMBRO - RUA CHILE 21H40 - MUKEKA DI RATO (ES) 21H10 - CATÄRRO (RN) 20H30 - TORTURE SQUAD (SP) 20H00 - VENUS VOLTS (SP) 19H30 - EXPOSE YOUR HATE (RN) 19H00 - RIVER RAID (PE) 18H30 - CALISTOGA (RN) 18H00 - DISTRO (RN) 17H30 - BRAND NEW HATE (RN) 17H00 - PLASTIQUE NOIR (CE) 16H30 - AK-47 (RN) 16H00 - GANDHI (RN) DIA 12 DE NOVEMBRO - CASA DA RIBEIRA (ENTRADA GRATUITA) 20H20 - ELMA (SP) 19H30 - DEBATE (SP) DIA 13 DE NOVEMBRO - CASA DA RIBEIRA (ENTRADA GRATUITA) 20H20 - O GARFO (CE) 19H40 - OS POETAS ELÉTRICOS (RN) 19H - EDU GOMEZ (RN) |
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| por Os Poetas Elétricos [11:23] |
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| 1.10.08 |
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PIDÃO
Quero a crônica de Sheyla Que me lembra Clarice Quero o texto de Mário Sobre uma moça de nome Alice Quero Moacy fora de si Sabendo de todos os filmes do mundo!
Mas não quero mais viajar na maionese Eu agora só como poesia orgânica.
Quero uma passagem de Ada E volta.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [21:57] |
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