27.8.08
um dia aziago,

de zanha, infeliz, sem senha pra azenha, azucrinando o azul, onde está o alvissareiro? a doçura, o untar, o que não se faz mordaz? um dia aziago, irritado, não untado, o cume do azedume, que vem azafamar a palavra-zagaia avizinhando-se desditoso ligeiramente deslocado para a esquerda do peito, e zomba dos poetas nas colinas altaneiras.

um dia sem esmero, transtornado, ilusório, transformado em mero
palavrório.


carito
por Os Poetas Elétricos [18:29]
25.8.08
AVISO IMPORTANTE

Atenção: devido às chuvas, o show que nós íamos fazer no Castelo Pub Bar foi adiado para outubro. Em breve divulgaremos a nova data. Agradecemos a compreensão.
por Os Poetas Elétricos [19:25]
7.8.08


Nós nos deitamos e fumamos; e agora, sem palavras, nos entendemos perfeitamente, na eloqüência de um silêncio que não apenas contém tudo o que já foi e tudo o que um dia será dito, mas também inutiliza toda essa vasta babel, deixando somente a pureza etérea daquela poesia sem palavras que só os maiores poetas vislumbraram em epifanias. Tais epifanias parecem surgir na fumaça de cigarro que paira sobre mim. Shakespeare - "Aprendei a ler o que o silencioso amor escreveu" - entrelaçado com o grande testamento de Pound: "Tentei escrever o paraíso/ Não se mova / Deixe falar o vento / Esse é o paraíso".

Aprender a ler o que o silencioso amor escreveu, curvar-se ao poder do vento. Isso é viver. Isso é saber que aquilo que pode ser dito ou escrito não é nada diante desse silêncio e desse poder. O mestre Cha' na Niu-t' ou Fa-Yung, mais de 1300 anos atrás: "Como podemos obter a verdade com palavras?"


(Do livro A ÚLTIMA CASA DE ÓPIO, de Nick Tosches)


por Os Poetas Elétricos [17:34]
4.8.08

Rimbaud na África


Os homens pareciam bastante selvagens, com seus cabelos presos em longas tranças e untados de manteiga. Este era um hábito dos gauleses antigos, dos quais Rimbaud diz: "Acho-me no vestir tão bárbaro quanto eles. Só não besunto a cabeleira" ("Sangue mau"). Dessa forma, o passado pagão e o presente africano se confundem no mercado de Zeila.

Os issás tradicionalmente portavam armas - dardos e zagaias, espadas e escudos - e Rimbaud e Righas, sem dúvida, portavam rifles: Remingtons, provavelmente. Em sua carta de 2 de novembro, Rimabud escreveu de forma displicente sobre os riscos da viagem, ao mesmo tempo assustando e tranquilizando sua mãe: "Não preciso dizer que só s epode andar aqui armado e existe o risco de deixarmos a pele nas mãos dos galas - embora esse perigo já não seja tão grande".

Apesar dessas últimas palavras tranquilizadoras, os riscos eram bem grandes, e pouco antes de a caravana de Rimbaud deixar Zeila, no dia 16 de novembro, chegou a notícia de que a caravana de Henri Lucereau havia sido atacada e "destroçada" pelos galas na região dos itous, a noroeste de Harar. Uma canção gala diz:

Uma lança sem sangue não é uma lança
Amor sem beijos não é amor.


Extraído do livro "RIMBAUD NA ÁFRICA - OS ÚLTIMOS ANOS DE UM POETA NO EXÍLIO (1880 - 1891)", de CHARLES NICHOLL.

por Os Poetas Elétricos [09:21]
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