30.7.08
Texto muito sentido pescado lá no blog de Carlos Gurgel:


MÚSICA, ARTE E PSICODELISMO NA AREIA
( NATAL, ANOS 70 )


Mais cedo ou mais tarde as mudanças chegariam. Nos anos sessenta a concentração de banhistas se deslocaria de Areia Preta até a Praia do Forte, com suas piscininhas naturais e a imponência do Forte dos Reis Magos guardando o lugar. Para lá se dirigiam as famílias, crianças com pás e brinquedos de areia, casais de namorados que caminhavam de mãos dadas sob o olhar de todos. A Praia do Meio, na sua condição de ser do meio, deixava que viessem a ela as classes mais baixas: quem descia das Rocas ou tomava o ônibus no Alecrim ou Cidade da Esperança. O pessoal de uma praia não invadia as areias da outra, cada um consciente de seu espaço. Com os anos setenta, novos ventos sopraram naquele pedaço de praia. A revolução mundial dos costumes refletia por aqui. Contracultura, movimento hippie, baseados, tudo isso vinha aportar também em nossas praias. Filmes como Easy Rider e Woodstock eram exibidos na Sessão de Arte do cinema Rio Grande, discos dos Beatles e dos Rolling Stones evaporavam das prateleiras. O comportamento jovem passava a ter outro relevo. Tudo era determinante, as roupas que se usava, aquilo que se comia e, claro, a praia a qual se frequentava. Segundo o músico Luiz Lima, que viveu ativamente essa época, " no início da década de setenta, começou a acontecer uma transformação nos ares e nos lugares da cidade, em toda parte a moçada começava a se dividir. De um lado ficavam os ?caretas?, de outro, nós, os ?malucos? ". Para os caretas, tudo continuaria igual, já os outros precisariam de mais espaço para estravazar sua arte e inconformismo, distante da área militar e família da Praia do Forte. Foi aí que se descobriu a Praia dos Artistas. A praia deixava de ser um lugar destinado apenas a caminhadas ou banhos de sol e mar, tornando-se porto para o deleite do corpo e da mente, aproveitado ao longo de todo o dia e também durante a noite. Logo começaram a surgir bares, barracas, quiosques, boates, espaços culturais, que se estendiam da Praia dos Artistas até a Praia do Meio, que se tornaram cartão de visita de Natal e grande opção de quem quisesse conhecer a noite da cidade. As areias ganhavam o colorido das batas indianas, camisetas explodindo em motivos psicodélicos, e o brilho dos corpos ao sol rivalizava com o brilho das lantejoulas ao luar. Arte e cor eram trazidas por uma grande leva de estudantes universitários, pretensos artistas locais, que tinham na Praia dos Artistas seu ancoradouro. O país atravessava uma fase de ditadura e opressão, talvez por isso, o ato de criar se fizesse tão necessário. Bares como o Tirraguso, o Artmanhas, a Casa Velha se enchiam de rostos jovens. Eram atores, dançarinos, artistas plásticos, poetas ensaiando o que ia ser a época de ouro da cultura da cidade. Todos fazendo uso daquele espaço para mostrar o que sabiam. E não parava por aí...o tinham as barracas toscas da Praia do Meio, ainda na areia, como a famosa "Barraca da Marlene" para quem queria sentir o mar perto. "Era nas barracas que nos reuníamos para compor as melodias da banda Gato Lúdico, eu, Jaime Figueiredo, Carlos Lima e Claudio Damasceno. Lá vivíamos noitadas acompanhados do violão, dos mixes de cachaça com cerveja e tiragosto", lembra o arquiteto e artista plástico Vicente Vitoriano. Na época, a praia possuia dois espaços culturais: a Galeria do Povo e o Artelier. Também abrigando o primeiro restaurante macrobiótico de Natal, onde o pessoal ia se liberar das toxinas consequentes dos excessos noturnos com os pratos do proprietário Véscio Lisboa. Na segunda metade dos anos setenta, surgiu o Festival do Forte, idealizado pelo músico Luiz Lima, o artista plástico Sandoval Fagundes e o escritor Carlos Gurgel. "O festival acontecia na terceira lua de cada mês e era um momento de muita música, muita poesia e muita loucura, depois disso, nunca houve nada em Natal tão contundente para nossa cultura como o Festival do Forte", recorda hoje Gurgel, com os olhos cheios de nostalgia. Yuno Silva, estudante de Comunicação, era criança nesse período, mas lembra de quando era levado pelos pais junto com o irmão para curtir o festival, "Os moleques ficavam pulando naquela casa de armar no meio do Forte. Era incrível, sendo criança, ver de perto artistas como Chico César, Aguillar, Chacal, Jards Macalé...são tempos que não voltam mais. Durante os anos setenta e oitenta, a praia dos artistas era um lugar concorrido durante toda semana. A jornalista Cione Cruz diz que " a partir das quintas feiras, íamos à praia de dia para tomar sol e à noite exibíamos nosso bronzeado nos bares e boates de lá". Havia ainda uma turma que fazia da praia dos artistas a sua casa, gente que chegava de manhã, depois da aula, de mochila nas costas, trocava o calção de banho e ia jogar frescobol nas areias ou surfar naquelas ondas. Um bom exemplo desse tipo de frequentador era o jornalista Flávio Rezende, assíduo jogador de frescobol, "chegava por volta da 11, 12 horas, depois das aulas do curso de Comunicação da UFRN e ficava até às 18 horas". Nos anos oitenta se intensificou também a prática do surf, daí vieram o campeonatos ao bar caravela, transmitidos nos alto falantes. "Sinto saudade do rock muito alto que tocava durante os torneios, dos amigos sem hora pra ir embora, as paqueras na beira da praia e os beijos na boca apaixonadíssimos, que até deixava a gente meio fraco..." Com a ida dessas décadas, foram-se também a grande maioria dos frequentadores do lugar. A maturidade e as ocupações iam distanciando pouco a pouco os antigos. E a falta de segurança inibia a formação de uma nova geração de praieiros. A reurbanização e construção dos quiosques de cimento, ao invés das barracas, não foram suficiente para assegurar a reestruturação da área. Natal acontecia agora bem longe dali. As diversões eram outras, as praias também. A burguesia ia de carro até os distantes litorais norte e sul, procurando aquilo que já não se via mais no urbano: segurança, tranquilidade. O desfile de beleza nas praias urbanas, as paqueras no calçadão, davam lugar a um outro tipo de oferta. O "quem me quer" adquiria outra feição com a explosão do turismo e a procura dos estrangeiros pelas mulheres locais.

(http://onthee.blogspot.com/)
por Os Poetas Elétricos [21:30]
26.7.08
QUANDO...

...PLANTEI FACAS CAÍ SOBRE ELAS TODAS ME ATRAVESSARAM NENHUMA DOR SENTI NENHUM SANGUE JORROU UMA GOTA SEQUER SEQUER UMA DORZINHA DE NADA NADA NADA SENTI NÃO MORRI CULTIVEI FACAS E SÓ COLHI VAZIOS COMO INGÊNUAS SÃO MINHAS ARMAS...


Carito
por Os Poetas Elétricos [22:36]
23.7.08
atraversos

* * *

vagueio
e num instante
me embriago

estremeço
desabotôo
tua lembrança.

* * *

alojo
minha palavra
no corpo do teu texto.

* * *

mudo de ser
e já estou
noutro lugar.


Carito
por Os Poetas Elétricos [09:20]
18.7.08
PROGRAMAÇÃO MADA 2008

14 de Agosto (QUINTA)

O Rappa
Motosierra (URU)
Brand New Hate (RN)
Sweet Fanny Adams (PE)
NV (RJ)
Radar Indie
Poetas Elétricos (RN)

----------------------------------

15 de Agosto (SEXTA)

Lobão
Pato Fu
Autoramas (RJ)
Curumim (SP)
Isaac e a Síntese Modular (RN)
Poliéster (RS)
Subaquático (BA)
Lunares (RN)
The Volta (RN)

---------------------------------

16 de Agosto (SÁBADO)

Seu Jorge
Josh Rouse (EUA)
Cordel De Fogo Encantado
Mallu Magalhães (SP)
Falcatrua (MG)
Macanjo (RJ)
Sem Horas (PB)
Rosa De Pedra (RN)

por Os Poetas Elétricos [22:38]
17.7.08

mar à tona


surgiu

do exercício


da lembrança.


carito

por Os Poetas Elétricos [21:25]
14.7.08

"Outros sons, outras batidas, outras pulsações"...


Quando eu pensava na palavra grito sempre me vinha à cabeça a cabeça do quadro de Munch gritando. Uma vez escutei numa palestra sobre pós-modernismo o seguinte: na era contemporânea tudo se reinventa. Ou seja: é uma era onde tudo já era.

Era uma vez... um campeonato de futebol onde o Fluminense quase ia ser campeão. Não gosto muito de futebol. Também não desgosto. Sou até Flamengo "de formação", influência do meu irmão mais velho. Mas quase virei Flu nesses últimos tempos, principalmente por causa da impressionante força do grito do meu vizinho de bairro - quando o Fluminense fazia um gol o cara gritava pra lá de Munch, Tarzan, ou dos mais escandalosos coitos. Vocalista de rock pesado grita piano se comparado ao meu vizinho tricolor.

Minha mulher que gosta de futebol mais do que eu, sempre baixava o som da tv na hora dos gols do Fluminense: não há dúvida que o grito desse meu vizinho que só conheço pelo som era muito mais impressionante que o grito transmitido pela tv, mesmo na tv sendo a soma dos gritos de uma grande torcida.

Na decisão da Copa Libertadores da América não escutei um só grito do meu vizinho. Até hoje não sei, mas acho que ele foi assistir a partida lá no Maracanã, pois a cada gol do Flu, o som da tv era baixado e... nada de grito do vizinho!

Sinto também que depois que ele voltou, as noites são de um silêncio cortante, como se um grito preso quisesse sair por aí, de um desses prédios vizinhos onde ele mora. O Fluminense perdeu a copa, eu perdi o grito do vizinho, mas achei a tal reinvenção pós-moderna: quando penso agora na palavra grito não penso mais no grito de Munch - primeiramente penso no grito do vizinho desconhecido, e logo penso em um grande e ensurdecedor silêncio.


Carito

por Os Poetas Elétricos [11:44]
6.7.08

POESIA... MAS NÃO FOI!


O objetivo dessa carta aberta ao público é explicar o motivo pelo qual não nos apresentamos nesse último dia 05 de julho de 2008, referente à abertura do show dO Teatro Mágico em Natal, no Auditório do Centro de Convenções. Por respeito ao público, aos nossos fãs, amigos, e à imprensa, achamos que devemos dar essa satisfação.

Antes de tudo, gostaríamos de ressaltar que não temos nada contra O Teatro Mágico (grupo pelo qual temos muito respeito). Infelizmente não chegamos a ver o espetáculo do grupo, nem conhecer ou trocar idéias com os seus integrantes, o que poderia ter sido bem interessante.

Na verdade a noite tinha tudo para ser interessante e mágica também para nós. O lugar, a dimensão do evento, uma possível interatividade com o grupo principal, etc.

Infelizmente partiram da própria produção dO Teatro Mágico os motivos que impossibilitaram nossa apresentação.

Chegamos ao auditório do Centro de Convenções às 10h30min da manhã, e quando pudemos iniciar nossa passagem de som em torno de 1 hora da tarde fomos interrompidos pela produção dO Teatro Mágico que pediu para que parássemos e saíssemos do palco, pois eles precisavam passar o som deles e nós estávamos atrasando esse trabalho. Voltamos mais tarde para passar o som, às 16h30min, mas a organização dO Teatro Mágico não saiu mais do palco até praticamente às 19 horas (mesmo todos sabendo que o evento estava marcado para começar às 18 horas, que havia uma banda para fazer a abertura e que a mesma ainda não havia passado o som, e que o respeitável público já se acumulava inquieto lá fora, visivelmente irritado com o atraso). Para completar, quando finalmente pudemos subir no palco para passar o som (1 hora depois do horário que o show havia sido marcado para iniciar), não pudemos simplesmente virar um pouco uma caixa de retorno para que o guitarrista Edu Gómez pudesse escutar sua guitarra. O lugar dessa caixa de retorno estava devidamente marcado e ela poderia voltar perfeitamente para o seu devido lugar depois do nosso show, afinal tudo estava sendo acompanhado por um técnico de som competente. Mas o pessoal da produção dO Teatro Mágico foi radical na proibição desse pequeno gesto. Se esse raciocínio deles tivesse fundamento não haveria MADA, DoSol, nenhum festival, nenhum evento com mais de uma banda dividindo o mesmo palco. O pior de tudo foi a forma como fomos tratados pelo Sr. Daniel Pereira (responsável pelo som e representante do Teatro Mágico). O Sr. Daniel Pereira foi altamente arrogante, mal educado, grosso, estúpido, desrespeitoso, preconceituoso, mesquinho, e não só conosco. Entre outras coisas nos colocou (acompanhado da produtora do grupo): que nós estávamos querendo mexer em todo o palco (!), que a luz era uma droga, que o som era uma porcaria, que o lugar não prestava, e que ele já sabia que seria uma merda vir fazer esse show em Natal. Fomos praticamente ignorados todo o tempo por ele, e a impressão que ficou é que ele realmente não queria que nós abríssemos o show.

Enfim, já não bastasse o atraso imenso, já não bastasse não termos passado o som, se quiséssemos fazer o show não podíamos mexer em nada, sequer virar um pouco essa caixa de retorno (que era a única coisa que queríamos fazer). Que teríamos que nos adaptar. Senão não haveria show dO Teatro Mágico. Então longe de nós estragarmos a festa da atração principal e do público ávido para ver a trupe de São Paulo. Ao mesmo tempo também não podíamos estragar nosso próprio show, onde não havia nenhuma condição e mais nenhum clima para ser realizado. Afinal, também temos nosso próprio show, temos nossa dignidade, nosso auto-respeito, e nosso respeito para com o público. Decidimos nos retirar para deixar a festa principal acontecer. Que por sinal, aconteceu com o sucesso esperado. Nossos agradecimentos a outro Daniel, o Daniel Cavalcanti Campos, da produção local que gentilmente nos convidou para fazer o show de abertura. E parabéns ao grupo pelo seu Teatro Mágico. Infelizmente não foi o mesmo teatro do Sr. Daniel Pereira: um teatro sem nenhuma magia, um teatro feio, muito feio.

Depois soubemos que a produtora do grupo reconheceu para a produção local que o técnico Daniel Pereira tinha exagerado. Mas já era tarde. Bem tarde. Ou melhor, bem noite: já estávamos longe, chorando o vinho derramado, fazendo o titânico dever de casa da anti-escola de atitude-rock que também veio lá da terra da garoa: "não vou me adaptar"...


Os Poetas Elétricos

por Os Poetas Elétricos [22:05]
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