29.3.08

Xchxchlclxcx...

Não era a tampa do ralo, era a tampa de uma caixa de som. O som de baratas era pré-gravado. Xchxchlclxcx... Como se escreve o som de baratas? Como um som de vassourinhas na caixa puxando um jazz. E jazz, se for das antigas, tem a ver com baratas, inferninho, decadência nem sempre com elegância. Fante, Bukowski, Kerouac, Whitman... Baratas on the road, baratas se aplicando para a festa, baratas drogadas, trompetistas, escritoras, autodestrutivas... alto lá! E baixa aqui: sou uma barata de jardim. E odeio esses sons pré-gravados. E gosto de Vivaldi, da primavera, dos clássicos franceses. Clássicos mesmo! Não estou falando de Rimbaud, Verlaine, Baudelaire, esses pervertidos... Nem vem que não tem! E a barata do jardim ficou falando tudo isso para mim sob a tampa que não era do ralo. Eu ali abaixado escutava atentamente, incrédulo, e tomando coragem para tirar de vez aquela tampa. O que estaria ali por trás? O buraco do ralo ou um alto falante? Canos de esgoto ou fios elétricos? Até que tomei coragem e... tchan, tchan, tchan! Encontrei mesmo foi uma barata de esgoto olhando pra mim, fazendo biquinho e dizendo em sotaque francês de araque: pôrra! Cara! Você cortou minha onda! Eu já estava até acreditando que eu era mesmo uma barata de jardim! Então perguntei para a barata: foi você que inventou essa história da tampa do ralo ser a tampa de uma caixa de som? Não foi ele! Escutei uma voz que veio de dentro da tampa da tomada do barbeador ao lado da pia. Ah! De novo não, pensei. Essa história de tampas está me enchendo o saco. E eu que inventei essa história. Então posso fazer dela o que eu quiser. Confesso que não tenho coragem de matar barata na vida real. Tenho nojo. Mas aqui, na imaginação da tela do computador e ainda mais com esse sono...Ahhhhhhhhhhhhhhhhh! Vem Kafka, vem! Xchxchlclxcx...

Carito

por Os Poetas Elétricos [20:52]
26.3.08
MANIFESTO

direito
ao avesso!


Carito
por Os Poetas Elétricos [11:14]
24.3.08

VARIAÇÕES SOBRE UM MESMO TREMA


Sabe o que as reticências falaram para o ponto final? As reticências disseram:


- Não queremos ir direto ao ponto... E ponto final... Ou melhor: E reticências... Pois nós temos que puxar esses pontos pro nosso lado... O que queremos mesmo é rir direto aos pontos, pois dizendo essas besteiras nós achamos graça, que ainda não tinha entrado na história porque a história estava muito séria pro seu gosto... Achar graça é um ponto importante porque ela oferece outros pontos de vista...

- Uuuuuuuu! Vaiou o ponto final.

- Espere só nós retirarmos dois dos nossos três pontinhos e os colocarmos em cima do u... Você vai tremer nas bases...

- Se vocês fizerem isso vocês ficarão só com um ponto e virarão um ponto final.

- Nesse ponto você tem razão... Deus nos livre de ficarmos iguais a você...

- Mas eu sou um ponto final feliz.

- Nós não vemos a menor graça em você... Falar nisso... Nós não estamos achando graça...

- Ela foi embora. Não achou nenhuma graça nessa história de vocês. Façam outra, tipo: chapeuzinho circunflexo e os três pontinhos.

- O que você é é um tonto final...

- Pode ser. Mas eu estou em vocês e vocês não estão em mim.

- Claro... É preciso três de você para valer uma de nós...

- Nos pequenos pontos estão as grandes reticências.

- ...


Carito

por Os Poetas Elétricos [12:24]
19.3.08

- Como você quer esse direto?

- Ao ponto!


Carito

por Os Poetas Elétricos [22:47]
17.3.08
A day in the life


Os Poetas Elétricos no Sebo Vermelho (foto de Joane)...


No dia 14 de março saímos do casulo. Depois de 02 anos sem fazer shows, nosso grupo experimental experimentou de novo a sensação de mostrar a cara em dois shows no mesmo dia, depois do experimentalismo do isolamento. O isolamento é uma experiência pra lá de particular - particular mesmo, no sentido ao mesmo tempo mais amplo e menos amplo da palavra. Passamos esse tempo todo concentrados no novo disco, em criar e recriar, em experimentar de forma pra lá de independente, fugindo de modismos e outros ismos vigentes. Ismo pra nós só neologismo entre outras invencionices. Mas o isolamento também tem um preço. E o palco causa dependência. Então chega a hora da síndrome da abstinência e temos que voltar à cena.


VOLTAMOS EM GRANDE ESTALO!


Para o pocket-show no Sebo Vermelho, vivemos uma manhã de aventuras no centro da cidade de Natal, tentando estacionar onde não há estacionamento, parando em local proibido para poder descarregar nossa parafernália eletrônica em uma distância que fosse possível para quem tá de quarentena (na casa dos quarenta) e entrou na musculação mas a musculação ainda não entrou - chegar com a parafernália eletrônica foi uma verdadeira crônica. Se fosse Moisés o mar de carros se abriria pra gente passar. Mas somos apenas Os Poetas Elétricos - ali, quase alá, meu bom alá, a nos ajudar no meio da Avenida Rio Branco tentando atravessar e lesos imersos no undigrudi pop-tiguar. Nessa imersão-inversão, o poeta moderno é uma ilha eletrônica cercado de carros por todos os lados. Já dentro do local do crime, o calor travou nosso equipamento digital: o sebo estava realmente vermelho, pegando fogo, um inferninho de intelectuais misturados ao povão que passava na calçada, descia dos ônibus, o céu é aqui! O céu de Abimael, viva! O equipamento passou a funcionar graças à chegada de um ventilador e o show deve continuar, então tem que pelo menos começar: os fins justificam os meios-dias! Com direito a incidente diplomático - não percebemos todos em tempo o pedido do escritor Ney Leandro de Castro para recitar um poema, justamente quando estávamos terminando a apresentação, antes da última poemúsica: a base eletrônica já tinha sido solta e ninguém manda em computador nesses tempos pós-modernos. Acontecer isso logo com Ney, de quem nós todos do grupo somos fãs de suas pelejas. O show terminou, parece que o público gostou, apesar do som lá dentro estar uma merda... Pensei: microfoniaaaaaaáá, eu não quero uma pra viver! Depois a mesma epopéia de volta com o equipamento - ainda prefiro ser uma metamorfose ambulante? Claro que sim, mesmo delirando todos de calor dentro do jipão com o ar condicionado quebrado e uma discussão na pauta que pariu: será que Ney se sentiu barrado no baile?


... e no Palácio da Cultura (foto de Mário Ivo)


Descemos para o Palácio da Cultura pra passar o som do show da noite (abrindo para Chico César)... Fomos passar o som e fomos mesmo foi passados pra trás, digo, pra frente - pras seis da tarde e como era de se esperar só passamos o som mesmo na hora do show, já pintando as sete, e tudo virando um oito, depois de Chico César ter passado o som com quase todo seu show. Sendo assim, conseguimos tocar antes e ao mesmo tempo depois de Chico César. O público devia estar nos culpando pelo atraso. Mas como dizer alguma coisa sem parecer antipático ou mal agradecido? Chico César e sua banda, produtora, todos muito simpáticos poderiam pensar que estávamos falando mal deles. Então dai a Chico César o que é de Chico César: todo aplauso que houver nessa vida! E como falar alguma coisa sobre a Fundação José Augusto, que nos considerou tanto nesse dia com esse maravilhoso convite? Na dúvida não ultra-pense - o jeito é só tocar mesmo, e deixar a poesia falar mais alto, não tão alto porque a voz tava baixa, o som tava ruim, mas ainda assim tudo se encaixa: pandora vamos embora pois já tá na hora, ainda mais felizes nesse dia em encontrar alguns famosos para nós na platéia de aranha, na teia de Mário Ivo, Carlão e Alex de Souza, Vlamir Cruz, Afonso Martins, Carlos Fialho, Adriano de Souza, Moacy Cirne, Plínio Sanderson, Flávio Freitas, Sayonara Pinheiro, Marcellus Bob entre outros tantos humanóides... E depois do show ainda encontramos 03 garrafas de vinho na Pizzaria Calígula, e o poeta Carlos Gurgel - com quem rimos muito principalmente quando ele nos perguntou depois de saber desse nosso a day in the life: vocês ainda não têm roadie?


Ê vida on the road... E onde roadie?


Carito


por Os Poetas Elétricos [21:15]
13.3.08

a tradição que se em vão guarda ou não vão guarda não é mais a questão se o vão é livre se a guarda é b'elo de ligação e com-tradição não se pára-o-doxo: liberdade para as palavrasons!!!


experimentalismo-pop


os poetas elétricos eletrificam música e poesia sem pré-conceitos, ganharam vários prêmios com o primeiro cd lançado em 2004, foram indicados pela revista bravo, acabam de concluir o segundo cd a ser lançado em breve, e nesse recital-show do dia da poesia vão misturar poemúsicas dos 02 discos voadores - utilizando bases eletrônicas para as poemúsicas do novo cd e ácidos eletro-acústicos para as poemúsicas do primeiro...


por Os Poetas Elétricos [11:15]
10.3.08

Aos contos e barrancos, o caminhão sem tamanho e o terreno móvel

Leio na traseira da carreta a minha frente: VEÍCULO LONGO - COMPRIMENTO = 25 METROS.

Vou ultrapassar a carreta com cuidado para não bater de frente com algum carro que venha no sentido contrário: VUUUUUUUUUUUUUUUUM!

É preciso acelerar com firmeza para ultrapassar um carro com 25 metros de comprimento.

Mas um caminhão desse tamanho ainda não é suficiente.

Para o que eu quero.

Eu quero transportar meu terreno de 120 metros de comprimento por 2 metros de largura.

Quando comprei esse terreno todos os meus amigos foram contra, e me alertaram: esse terreno é um absurdo, você vai se arrepender, é estreito demais.

Mas eu não me arrependi. Não vou xingar meus amigos e dizer o que é estreito. Quantos estreitos existem por aí. Estreito mental é uma merda. Mas conheço alguns estreitos que são deliciosos. HUMMMMMMMMMMMMMMMMM! Só para citar alguns: o estreito de Gilda, o estreito de Tatá, e o estreito de Gibraltar. Rima boba, né? Mas é tudo verdade.

Pensar nesses estreitos quase me tirou da estrada. Essa estrada também é um pouco estreita. Mas também é um estreito muito gostoso. De um lado o abismo para o mar, do outro a montanha que não pára de subir. E esse outro caminhão que tento ultrapassar agora que não pára de crescer: VUM! VUM! VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM!

Maravilha! É um caminhão enorme e eu vou poder transportar meu terreno. Preciso falar com o motorista. Não vou entrar em detalhes porque preciso transportar esse meu terreno mais pra cima. Quando eu chegar lá no alto vocês vão entender. Mas esse caminhão não acaba nunca. Estou ficando com medo de acontecer algum acidente. Vou pisar ainda mais fundo:

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

VUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM!

Não consigo ultrapassar:

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUM

VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM...

Caro leitor, cara leitora, dirija um pouco esse conto pra mim que eu não agüento mais tentar ultrapassar esse caminhão. E por favor, escolha logo um FIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!


Carito

por Os Poetas Elétricos [23:38]
8.3.08

mulheres

milhares

milhas

m ares

ares

alhures

olhares

melhores


carito

por Os Poetas Elétricos [08:23]
7.3.08

O homem que comia isopor

Conheci Omar Morto durante uma palestra sobre o mar morto. É isso mesmo - Omar acrescentou ao seu nome o apelido morto, para homenagear o mar do qual ele era fã. Omar era fanático pelo mar morto e participava de tudo que envolvia seu nome. Seu fanatismo chegou a uma atitude extrema a qual passou a fazer parte de sua rotina. Passou a comer isopor para boiar quando fosse se banhar em qualquer mar.

Eu entendia Omar, pois na época eu era viciado em milk shake de chocolate e como eu não tinha dinheiro, eu comprava Nescau ou Toddy e fazia de conta que estava tomando milk shake... Era só fechar os olhos e... pronto! Hummm! Uma delícia! Assim também acontecia com Omar: ele fechava os olhos, deitava no mar e fazia de conta que estava boiando no Mar Morto, já que ele não tinha dinheiro para viajar para tão longe.

Como quase todo mundo sabe, o mar morto tem esse nome devido ao excesso de sal que faz com que as pessoas flutuem em suas águas. Omar não podia dizer que tinha uma vida sem sal. Mas apesar de feliz por ter encontrado uma forma de estar sempre próximo ao mar morto, Omar era triste por causa da sua solidão amorosa. Apesar de boiar no mar morto, Omar afundava em uma solidão cada vez mais viva. Até que um dia ele foi fazer um cruzeiro em um mar próximo - o atlântico mesmo - e conheceu uma linda moça. O barco afundou e não cabiam todos no bote salva vidas do pequeno barco. Omar, através de sua capacidade de flutuação, virou bóia e salvou a moça, que estava fazendo o cruzeiro para se livrar de uma profunda depressão onde ela se afundava cada vez mais. Ao fazer com que a moça parasse de afundar em vários sentidos, Omar também parou de afundar no além-corpo. E foi aí que conseguiu que não só seu corpo boiasse, mas sua mente também.

Sua mente parou de afundar na solidão.

Era o tempero que faltava em sua vida.


Carito

por Os Poetas Elétricos [11:14]
4.3.08
O OLVIDO E O OUVIDO

não dê olvido

à cabeça.

ao contrário, lembre-se

não se esqueça

e tire de letra:

uma letra muda,

faz uma diferença

gritante!

disso eu não duvido

sou todo ouvido.


Carito

por Os Poetas Elétricos [14:31]
1.3.08

ACEITA UMA TRAÇA?


- Não quero mais saber desses meus escritos, desses papéis que não servem pra nada, me dê algo pra beber!

- Aceita uma traça?


Carito

por Os Poetas Elétricos [19:05]
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Maria Elétrica
Palarveando
A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
O Espírito das Letras
O Aniversário de Gni
 
Assista aqui o video vencedor do Curta Natal 2006
"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

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