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| 27.2.08 |
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K entre nós Jota é mais que uma letra. É um nome de um cara. E Jota também é um cara engraçado. Mas isso só quem sabe sou eu e a letra K (eu sou a letra L), principalmente quando K está em seu devido lugar: K entre nós, entre Jota e eu. Ou seja, entre ele e L. Mas K, K entre nós, tá de saco cheio de ser saco de risada não só de Jota, mas de todo mundo, em e-mails e essas gírias todas de mensagem de celular tipo KKKKKKKKKKKKKKK KKKKKKKKKKKKKKKK KKKKKKKKKKKKKK que as pessoas sempre escrevem pra dizer que uma coisa é engraçada. K não está mais achando graça nenhuma. E K entre nós, Jota continua insistindo na risadagem KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!! Já eu, a letra L, estou em crise de identidade porque eu sou mais eu, ou seja mais L. E quando eu digo isso, soa muito parecido com ?eu sou mais ele? e as pessoas pensam que eu sou mais ele: Jota. Então K, entre nós, também tá puta comigo, porque acha que eu tô de risadagem com Jota. Eu também tô de saco cheio dessa risadagem e também de tá amarrada ao alfabeto. É muito chato ficar condenada a ficar junto de Jota e K para o resto da vida. A verdade é que eu sou meio a fim de Jota, mas K entre nós, K fica entre nós o tempo todo acendendo vela. Queria por um fim nessa história, um fim nesse alfabeto que me amarra: fugir para o fim do alfabeto e descansar dessa história toda, tô muito cansada de tudo isso, tô precisando tirar uma soneca com ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!!! Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [22:16] |
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| 24.2.08 |
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Papos da alma Ou: soul-papos!
I - PAPO MOINHO
- Não quero nada com conservantes. - Nem Don Quixote? - É. Acertou na lata. Esse sim! Dom Quixote com Cervantes em lata. - E o Sancho? - A praia lá de Noronha? - Não a praia do Sancho Pança. A praia dele e do Don Quixote. - Qual é? - A praia dos sonhos. Venta muito, brother! De vento em popa nos moinhos de invento. - Tá parecendo papo de poeta, de surfista, sei lá... - A literatura é uma onda! Um conservante natural para os sonhos! - Que papo moinho. - O mundo é um moinho. - Agora tirou a música da cartola, digo - do Cartola! - Ta tudo inté ligado... - Inté...
II - PAPO MACHADO
- Se correr o bicho peba! - Não! O ditado é assim: se correr o bicho pega! - Estou falando do bicho peba! - Peba? - É. É um tatu! - Ah! - É porque você não é daqui. - Mas também sei fazer essas frases. Escute essa: se correio o selo prega! - É engraçado. Mas quer dizer o quê? - Não sei ainda. - Eu sei a índia. - Iracema? - Ah! Você também tem o dom da coisa! - Dom Casmurro? - É. Captou? - Capitu.
III - PAPO CABEÇA
- Conheci uma menina que me fez perder a cabeça. - Eu notei. Bem que a minha mãe me disse que você só tem pescoço! - Pois é. Mas eu sou carne de pescoço. Não vou desistir dela não... - Da cabeça ou da menina? - Ah! Sei lá! Tô sem cabeça pra conversar... - Que papo cabeça esse da gente. - Ao contrário: é papo sem cabeça. - Sem pé nem cabeça. - Sem pé também, né? Por isso que o papo não sai do lugar.
IV - PAPO PRO AR
- Li algo zen. - O que foi? - O zen não precisa explicação. - Então não explique. - Claro que não. Ou melhor, claro que sim: não explico. - É verdade. Sim! Esta não explicação está muito clara. - Nossa! Como está claro isso tudo. Você vê? - Claro! Cada vez mais claro! Vejo nosso papo indo embora, pro ar. - É bom demais construir um papo pro ar. - É uma honra! - Ser zen deve ser isso, né? - Deve ser mais ou menos isso. - Não. E sim! Se oriente: é não e sim! Mais e menos. Em vez de mais ou menos é mais e menos. - Sei... Sei que a gente chega lá. Pelo menos nosso papo tá chegando.... Tô vendo nosso papo cada vez mais longe... Tchau papo! - Tchau!
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [20:15] |
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| 19.2.08 |
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A lasquinha Hoje vou fazer um poema sobre a lasquinha do pé da mesa de centro da sala. Como ela surgiu, quando e o porquê. Não sei se vou descobrir o motivo, se vou conseguir responder essas poucas perguntas de grandes possibilidades. Mas sei que posso inventar... uma razão, uma história, uma importância para a lasquinha existir. Posso dizer que foi a vassoura que bateu no pé da mesa. Ou o pé da mesa que topou na vassoura. Posso até inventar que a lasquinha foi medicada, recebeu todos os cuidados, curativo, e a lasquinha nada mais é que a cicatriz do corte e não mais o corte. Posso dizer também que a vassoura não bateu sem querer e sim por querer, porque o pé da mesa denunciou a vassoura que estava colocando a sujeira para debaixo do tapete. Mas vou ficar com outra versão: essa mesa que eu ganhei veio num navio pirata, e o voraz capitão tomava vinho sobre a mesa, numa grande taça de bronze, onde também jogava moedas de ouro e planejava mais saques, pilhagens. Era nessa mesa onde ele ditava ordens e onde deitava mulheres ardentes. Até que um dia a mesa cansou dessa vida pirata: a mesa deu no pé, e deixou essa lasquinha. Essa lasquinha que nem existe, que eu inventei apenas para inventar ainda mais, enquanto passo a flanela e imagino onde poderia ser a tal lasquinha, enquanto a mesa passa a perna na história... o lustra móveis ilustra esse verdadeiro móvel nesse poema em constante movimento... Ah! Eu só queria tirar uma lasquinha do exercício diário de criar. Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [09:39] |
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| 12.2.08 |
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Solidariedade concreta para a arte abstrata
E continuo postando homenagens ao meu pai - agora um texto belíssimo do médico, escritor e artista plástico Iaperi Araújo. Na verdade, trata-se de um e-mail que Iaperi passou para meu irmão Mário Ivo, logo que soube do falecimento do nosso pai.
Mário Ivo publicou esse texto hoje em sua coluna no "Jornal de Hoje - Primeira Edição". Mário Ivo parte desse texto e de outro belo e-mail do médico e poeta Napoleão de Paiva Souza para fazer uma bonita homenagem ao nosso pai, intitulada "Arte, Protesto e Sentimento Íntimo".
Diante de tantos e-mails e telefonemas que estamos recebendo, escolhi também esse texto de Iaperi para postar aqui, porque para mim, além do significado pessoal, ele representa também um importante testemunho sobre um fato histórico para a cultura do Rio Grande do Norte. O texto de Iaperi mostra a grande sensibilidade de nosso pai para com a cultura do nosso Estado, apoiando os artistas, os jovens pensadores, inclusive, nas situações mais adversas:
"Mario:
Estava na praia para descansar durante o carnaval quando li no jornal a noticia da morte do Dr. Jessé. Não sabia-o seu pai, mas desejo expressar além da minha tristeza pela sua morte, prestar um breve depoimento sobre nossa amizade.
Em 1966, o Governo do Estado fez realizar um Salão de Artes no Museu do Sobradinho. Com premiação. Alguns artistas novos e que já buscavam caminhos alternativos para suas expressões artísticas, até por conta da vanguarda que invadia o mundo e aqui, como protesto contra a ditadura militar que se instalava, não concordaram com os critérios de seleção e premiação. Um grupo resolveu fazer um Salão alternativo e de vanguarda e lançou o Esquema Kaos, abrigando-o na Galeria de Artes da Prefeitura, na Praça André Albuquerque. Dr. Jessé era Secretario da Educação, que na época acumulava a Cultura e mesmo com as ameaças e opiniões contrárias nos deu todo o apoio. Aí se abrigaram os pops, os alternativos, os loucos varridos e toda a sorte de experimentalistas. Eu expus uma escultura em gesso da cabeça de São Sebastião, numa caixa de madeira envolta em aniagem, traspassada por uma flecha. Olhe que eu havia sido premiado em gravura no Salão do Sobradinho. No Kaos, estavam expostos abstratos e experimentalistas com caixas de papelão, embalagens, restos do lixo cultural e da sociedade. Uma barafunda para chocar realmente a inteligentzia potiguar. Nosso Kaos foi mais visitado que o Salão do Sobradinho. Dr. Jessé inclusive patrocinou um troféu para o melhor trabalho do Kaos, um entalhe em madeira com um aplique em ouro da figura do galo, símbolo cultural da cidade. Um troféu tradicional para uma arte nem tanto. Mas a coisa não foi prá frente, pois na própria vernissage a policia veio e fechou. Queriam quebrar e arrebentar, mas a interferência do Prof. Jessé permitiu que pelo menos por um dia, a exposição ficasse aberta ao público. Coisas dos tradicionalistas contrariados ou da mão pesada da ditadura. Fica o registro do gesto do Prof. Jessé que acolheu a alucinação de jovens contrariados, abrindo a Galeria para o que achávamos que era arte e protesto. Que Deus o acolha com a mesma solidariedade com que nos acolheu".
(Iaperi Araújo)
Obrigado Iaperi! Obrigado a todos! Agora somos nós que agradecemos toda essa solidariedade. Agradeço em nome de toda a família. Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [23:15] |
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| 9.2.08 |
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Meu irmão Mário Ivo conversou comigo sobre o que ele chamou de uma idiossincrasia sua - se ele devia tornar pública sua dor. E eu também fiquei pensando sobre isso... se também devo tornar pública essa dor que também é minha, tão grande e particular... assim, aqui - em um simples blog. Afinal, o que é um poema, um texto, um blog, diante de toda uma vida. Principalmente se tratando da vida de nosso pai.

Mas justamente por ele nos ter ensinado sobre a importância das coisas simples, dos pequenos grandes gestos, que resolvi postar aqui e ali algumas homenagens. Vou começar com um pequeno poema que fiz hoje, logo cedo. Escrevi-o ainda na cama, ainda de olhos fechados, numa mistura de dormir e acordar... Melhor chamar de sonhar esse meu pensar sobre ele:
Desabafo Um poema para meu pai JESSÉ DANTAS CAVALCANTI (25.02.1921 - 06.02.2008)
Vou mandar tudo pra lá Para a concha In China
Para assim poder escutar Os silêncios Do seu Mar
Um mar de orientes Para nos orientar E nos salvar de qualquer Ocidente
Brinco com as palavras Porque você me ensinou A ser Feliz!
Saudades eternas do seu filho e amigo Carito Obrigado pai! Abença!
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| por Os Poetas Elétricos [11:40] |
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| 1.2.08 |
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POEMA-SURF-PROCESSO & seis filmes para o carnaval
- Cara, tá rory-russel hoje. Podia pintar um vento leste para deixar o mar glass. - O bom seria pegar uma carona pro Pepino. - Minha vontade é pegar minha gatinha e sair por aí tripiando de montão. - Podi crê xará! Altas ondas... O diálogo acima faz parte do que restou na minha cabeça de uma matéria sobre surf da revista Manchete nos anos 70. Voltei a surfar hoje. Pelo menos, a tentar surfar. Na verdade, sempre tentei. Porque sempre fui tentado. Aluguei uma FunBoard. Hoje se aluga pranchas. E a FunBoard é apenas uma das muitas opções dentre os vários tipos de pranchas de hoje em dia. Você vê sua idade, condições, estilo, objetivo, para que tipo de onda, etc. E escolhe a prancha. Para mim vi que o melhor é uma FunBoard. Mais fácil de entrar na onda, de descer num estilo mais tranqüilo, menos radical, mais contemplativo. O post de hoje linka surf com Décio Pignatari. Alguns muitos anos atrás assisti a uma palestra sobre semiótica onde ele disse: a pessoa pode enriquecer mais sua área com a área dos outros do que com sua própria área. Na verdade não sei nem qual é a minha área. Gosto muito de Chacal, que diz num livro: especialistas no mundo não faltam, por isso tornei-me livre atirador em assuntos vários. Surf é poesia. Existem vários tipos. Outro dia o mestre Moacy Cirne deu uma aula sobre as possibilidades da poesia em seu blog. Entre sonetos, cordéis, hai cais... dependendo da estrutura da prancha do poema, o cara encontra a solução para deslizá-lo. Surfar é um poema. É um poema oriental: a espera da onda, a escolha da onda, o estado de observação, concentração e meditação, a relação com o mar, a escolha do lado, pra que lado você vai, a tentativa, a queda, outra tentativa, a disciplina, a perseverança, a determinação, o exercício, o equilíbrio, o ritmo, a linguagem, a conquista da obra, a divisão da onda com o surfista ao lado... É um poema-processo: é sempre uma onda diferente, a onda se reinventa. Ah! E não podemos esquecer a parafina. Ajuda o cara a ficar em cima da prancha, pois quem tem que escorregar é a prancha, e não o surfista. Mas você tem que passá-la sempre, toda vez que for surfar. E o que seria a parafina da poesia? Quarta-feira fui ao lançamento da edição especial da Revista Brouhaha sobre os 40 anos do poema-processo. Destaco (na página 39): As estruturas criadas são efêmeras e servem apenas de matrizes operatórias para a produção de outras múltiplas versões, sempre inconclusas. "Processo: auto-superação do poema que se gasta conforma suas probabilidades vão sendo exploradas e que envelhece quando é sobrepujada por outro poema que o admita e o exceda". É em suma uma proposta de socialização prática e coletiva do poema de vanguarda, querendo fazer do leitor um co-autor e integrando o poema à cultura de massas. E por falar em cultura de massas, o carnaval vai começar. Mas por motivos particulares, não estou nesse clima. Vou viajar: aluguei 06 filmes que se passam em lugares como Istambul, num povoado da Argentina, numa ilha da Sicilia, na Palestina, na Riviera Francesa... Assim como as pranchas se modernizaram e o surf se tornou mais acessível, as passagens baratearam: é só ir numa locadora de DVDs e por R$ 4,50 já estamos na Turquia, cineliteralmente em uma outra história. Pois assim como existem várias possibilidades poéticas, o mesmo acontece com viajar - existem várias formas de viajar. Viajar é uma dessas possibilidades poéticas. E surfar é a maior viagem. Associar coisas e mais coisas também. Acabei de inventar um poema: A CHUVA FEZ O BURACO REFLETIR: ENCHO LAGO EXISTO! Carito Bom carnaval para todos! |
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| por Os Poetas Elétricos [19:59] |
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