30.1.08
caiu de gripe:

no assoalho,

o nariz!


carito

por Os Poetas Elétricos [14:58]
28.1.08
o ladrão

me programei para dormir até mais tarde. mas acordei no meio da manhã. um ladrão roubou meu sonho. por isso acordei.

não consigo dormir sem sonhar.

ainda vi o vulto do ladrão correndo para a varanda. não faz mal, pensei. e comecei a sonhar novamente, dessa vez acordado.

não consigo ficar acordado sem sonhar.

eis que o ladrão voltou e carregou também meu novo sonho. ah! dessa vez fui atrás do ladrão. cheguei até a varanda do apartamento e em tudo vi o ladrão: nos prédios precipitados, nos carros aprisionados, nas pessoas pressurosas, na vida iminente, urgente, impaciente, nervosa:

- pega ladrão!


carito
por Os Poetas Elétricos [22:26]
27.1.08

espírito desviante



o que não me fere
mas logo me devora
me traz a desordem
fuga, fluido, dispersão

não mede esforço
para impregnar-me
das coisas mais
vagas

cospe poesia, fumaça
areia, esturro, sedação
minha boca é sorvida
pelo seu arfar

e joga contra os recifes
vinte mil palavras bonitas
navega sílabas náufragas
pedaços do meu pensar

espatifa a estrutura trafegável
escandaliza peixes e capitães
e pesca gritos do fundo
do mar

liberta frases e corta linhas
prefere os anzóis, outros sóis
ecos inumeráveis, culturas impenetráveis
dias magros e céus riscados

do mapa.


Carito
por Os Poetas Elétricos [18:41]
24.1.08
a viagem

estava eu meditabundo
a medrar tudo
com fome de nada

vi corpos despencando no abismo
em uma mudez


retirei o equipamento
composto de tapa-ouvidos
e óculos com lente grande angular

o presente que o louco me deu
transformou-se em um pássaro
encantador

o mundo girou
eu caí no abismo e
me juntei aos corpos que sorriam.

carito
por Os Poetas Elétricos [10:08]
21.1.08

Com uma fuga atrás da orelha

No início do filme Mediterrâneo aparece uma frase: "nesses tempos difíceis, às vezes fugir é o melhor remédio". Meu plano de fuga de hoje inclui algumas frases feitas (num tal de abre asas e fecha aspas) e som em alto volume.

Beto Guedes diz numa canção: "Encontrar o coração do planeta / E mandar parar / Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas". Assunto recorrido esse - do tempo mais corrido e menos rido. É preciso rir do tempo, rir com o tempo, cantar "time is on my side, yes it is". Ilusão que seja... E o que é a vida senão a procurar de SIMs?

Sábado eu fui à comemoração do aniversário de um grande e velho amigo. O tempo parou de repente. E também voltou atrás. Sei que há um monte de teorias sobre o que é saudosismo, nostalgia, essas coisas. Mas sei também que a banda setentista paulista de rock Joelho de Porco um dia disse - "eu vou escrever no muro: hoje é o passado do futuro".

Ontem um certo passado virou presente de novo, se reinventou. Hoje já é passado de ontem novamente. E o tal do futuro? A banda punk gaúcha oitentista cantava: "O futuro é vortex".

Pois é. Na festa de Aldo Jr. houve um momento que uma parte da turma se juntou espontaneamente junto à fogueira do som. O som tem esse fogo, já que música é alma. Ficamos juntos do equipamento, como nos velhos tempos. Só que agora pilotando um iPod - um prato cheio de canções para nossas refeições musicais atemporais. Cada um, na sua vez, escolhendo sua(s) música(s), entre clássicos e clássicos do rock. Sem conversar. Nada contra o que a outra parte da turma fazia numa mesa que se afastou do barulho cada vez mais perto de nossas oiças. Não mais a música de fundo (que de fundo acaba sendo de findo). E sim nós de fundo para a música de profundo.

Nada de novo. Antes já era assim: íamos para a casa um do outro só para escutar LPs, a tarde inteira, sem conversas, só audição. Para prestar atenção mesmo!

Regressão é isso?

Regredir é também avançar. Parar é também se movimentar. Parar para se cobrir de sonhos em movimento, no descobrir e redescobrir. Como Manuel de Barros em sua infância desbravando "o império do chão".

Leminski já dizia: "distraídos venceremos". Clarice Lispector também já falou da importância de estarmos distraídos. E Chico Science cantou: "eu me organizando posso desorganizar". É importante nos distrairmos do mundo real, para a distração de um outro mundo menos organizado cartesianamente - também real, mas menos visível.

Nessa perspectiva, o ponto em questão é um ponto de fuga. Uma fuga atrás da orelha. Uma fuga que é também um encontro. Um encontro sonoro que me inquieta: por que ele não acontece mais vezes? Então é isso: de vez em quando desplugar o cérebro da tomada do mundo corrido (por um tempo mais rido e menos ido), plugar o cérebro no som e...

...aumenta que isso aí é rock and roll!!!

Carito

por Os Poetas Elétricos [09:17]
19.1.08

Por uma vida mais avarandada

Meu irmão Mário Ivo armou recentemente no alpendre de seu blog uma rede de lembranças com vista para o horizonte infinito. E ficou balançando essa rede. Como eu não podia deixar de sentir esse balanço, esse navegar, entre o porto seguro e o além mar?

Sinto não só porque é impossível não sentir suas palavras encantadas, mas também porque eu estava lá junto com ele, numa das redes balançada por nossa mãe na nossa casa da praia. Lembro que nossa mãe armava as duas redes próximas uma da outra, e num mesmo armador o punho de uma se encontrava com o punho da outra, e juntas se transformavam em um timão sob o comando da mão da nossa mãe que cantava e contava histórias em tardes inesquecíveis. A imaginação de invento em popa balançando o barco-rede.

Como não sentir as palavras encantadas que me fazem ainda mais recordar o que não canso de lembrar: nosso pai à noite me contando histórias sobre ondas volumosas, tenebrosas, tortuosas, e eu ficando com medo daquele além-mar só para poder me abraçar ao seu porto seguro, caindo na rede e virando peixe-filho adormecendo no amor do peixe-pai. E meus irmãos rindo do meu medo, um riso gostoso, um medo gostoso, um brincar de ter medo, um embalar doce embalar.

Alpendre, terraço, varanda. Esse espaço onde foram construídos os pilares de toda uma civilização. Os pilares para as redes de entregas. A civilização da nossa família. E de tantas outras que receberam esse legado, esse sonho, esse desejo: por uma vida mais avarandada!

Carito

por Os Poetas Elétricos [10:06]
17.1.08
Se o se fosse concreto nossa boca estaria cheia de pedras.

Carito

por Os Poetas Elétricos [08:29]
14.1.08

pente fino


os piolhos

em

catarse.


Carito

por Os Poetas Elétricos [23:08]
13.1.08
TODA MATRIZ
TÁ POR UM
TRIZ.

Carito
por Os Poetas Elétricos [20:00]

Olho nas prateleiras:

Aparelho de barbear para peles sensíveis, pasta de dentes para dentes frágeis e gengivas delicadas...

Mas não há nada para corações sensíveis, frágeis, delicados...

Supermercado reeira.


Carito

por Os Poetas Elétricos [09:57]
12.1.08
LEMBRETE

o distante
existe.


Carito
por Os Poetas Elétricos [05:50]
9.1.08
céu brincando

nuvem
e vai.


Carito
por Os Poetas Elétricos [14:40]
6.1.08
Sou a falha
Do sistema
A tralha sísmica da terra
O surto circuito

Sou a pane
Et circenses
Yes nós temos no
Sense

Sou o ônibus passando
A calça passando
A torrada assando
Qualquer coisa

Dentro doida
Fora de ar
Fora de área
Gol sem placa

Placa
De dente
De carro
Qualquer associação

Dos moradores, dos nadadores
Tudo que bóia
Tudo que nada
For.


Carito
por Os Poetas Elétricos [21:52]
2.1.08
JEEP, JEEP... HURRA!

Ontem, primeiro de janeiro, disseram que eu fiz 44 anos. Mas na pressa esqueceram um 4. Aí acabei fazendo apenas 4 anos. Estou precisando reaproveitar essa idade bem devagar. Bem... nem tão devagar: ganhei um jeep envenenado. De sonhos!

FELIZ 2008 PARA TODOS!!!

Carito

Um poeta menor e seu primeiro jeep.
por Os Poetas Elétricos [13:01]
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Maria Elétrica
Palarveando
A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
O Espírito das Letras
O Aniversário de Gni
 
Assista aqui o video vencedor do Curta Natal 2006
"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

Para visualizar em tamanho maior: Assista Aqui!