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| 21.12.07 |
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Sexta básica
O fechamento das diferenciadas lojas Velvet Café & Música e Limbo Livros Selecionados em Natal é assunto dos mais delicados e dolorosos para mim e para muitos. Li o texto de Patrício Jr. e Gabriel Trigueiro sobre o fechamento da Velvet e da Limbo, e assim como Gabriel, que começou fazendo um comentário sobre o texto de Patrício e acabou escrevendo seu próprio texto, comecei fazendo um comentário sobre o texto dos dois e resolvi escrever um texto também.
Há pouco tempo fechamos nosso hotel em Ponta do Mel (o Costa Branca Eco Resort) e recebi a solidariedade de Marcelo Morais (dono da Velvet), e também de Gabriel Novaes e Márcio (donos da Limbo). Agora chegou a minha vez. Como diz o dito popular, cada um sabe onde o sapato lhe aperta. Por isso não vou aqui especular tanto as razões do fechamento, e apenas deixar a emoção falar mais alto, ou mesmo bem baixinho, em sussurro de homenagem.
Nesses 08 anos que vivi mais em Ponta do Mel que em Natal, eu tinha a Velvet como um lugar onde sempre voltar à cidade. Uma mistura de porto seguro e além mar. Marcelo foi responsável pela minha reciclagem musical, contribuindo e influenciando a produção do trabalho do projeto lítero-musical que participo (Os Poetas Elétricos). Eu sempre disse para Marcelo que ele é mais que um pequeno empresário, e sim um grande consultor. A Velvet ainda oferecia esse serviço de consultoria. E de graça. Respaldando a frase: "Gosto não se discute. Qualidade sim". Quantas vezes a Velvet me deixou no céu...
E depois quando eu estava no inferno, veio a Limbo. Para me anestesiar de romantismo literário com algumas doses de cachaça, em tardes de jogar conversas fora, com versos dentro. Lembro outra frase dos anos 80 que dizia: "Livros não mudam o mundo. Livros mudam as pessoas. As pessoas mudam o mundo". Pessoas como os caras da Limbo. Através de Gabriel Novaes eu conheci Daniel Minchoni que me apresentou a Fialho que selou uma nova parceria para o segundo cd dOs Poetas Elétricos através dOs Jovens Escribas. Até virei jovem de novo... imagine como esses caras são bons!
Mas nessa minha passagem pelo oeste potiguar, descobri que para Natal a grama melhor é sempre a do vizinho, enquanto que para Mossoró a caatinga melhor é a de lá mesmo.
E finalizo com alguns estranhos no ninho, talvez até que nem tão estranhos assim. Como diz Leandro & Leonardo: "Hoje é sexta-feira / Chega de canseira / Nada de tristeza / Pega uma cerveja / Põe na minha mesa / Hoje é sexta-feira / Traga mais cerveja"...
Natal é assim, vive de sexta básica: só de encher a cara, e sem muita coragem.
Ainda bem que restam os outros dias menos famosos da semana, os lados B da vida, os undergrounds das Velvets, os Limbos da paz...
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [12:23] |
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| 18.12.07 |
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Aponte
Caro leitor, caro leitora, faça como o mestre Moacy Cirne e aponte sobre a ponte.
Moacy comentou sobre o meu post anterior, reforçou o que já tinha sido observado por Mário Ivo:
"Meu caro, do alto, bem alto, a ponte minimiza o nosso símbolo maior, a Fortaleza da Barra do Rio Grande".
Como eu disse no post anterior, eu também acho isso. Mas também acho outras coisas. Não quero ser repetitivo nessa história de fazer outras pontes. Mas é que esse comentário do mestre Moacy Cirne me fez lembrar de outro mestre: Orson Welles.
O filme Cidadão Kane foi um marco na história do cinema: com a contribuição dos novos elementos da arquitetura cenográfica surgiram os tetos e consequentemente novos ângulos de câmera. Ressalto o ângulo de baixo para cima, mostrando o poder imenso do forte Cidadão Kane sobre o espectador.
Então me veio uma saudade imensa, maior que a ponte, forte como o Forte, do tempo em que eu caminhava pela praia com o meu amigo poeta e cantor Délio Miranda, que hoje caminha praias mais acima.
Das nuvens.
Eu e Délio cantando e recitando poemas junto aos recifes... Compartilhando silêncios... Lembro quando chegávamos próximos ao Forte dos Reis Magos, vendo-o de baixo para cima. Parecia que éramos o mar batendo em sua base. Sabíamos um diferente caminho das pedras. Caminhávamos ao redor da fortaleza em slow motion. Pelo lado de fora, nos equilibrávamos junto às paredes imensas e às ondas batendo no alicerce... Era mágico.
Hoje quando caminho pela nova ponte com minha companheira Joane e faço ainda mais essa ponte com o passado, aproximo tempos e filmes, reais e imaginários, grande angular, panorâmicas e macros.
Sinto-me pequeno em um mundo belo e vasto, ora devasto. Olho para mais longe, até onde a vista não alcança, em busca do não-lugar, do pensamento-deserto, da solidão e incomunicabilidade do tempo-Antonioni.
Do espaço poético psico-Délio:
"Duna Paisagem de um branco vibrante Onde a noite traz as estrelas Onde a chuva é seta ligeira Que cai Livre cai Livre vai Duna"...
Hoje quero só ser... palavras sem tempo, onde me encaixo, palavras de Délio acima, palavras de Délio abaixo, em todos os planos:
"Garrafa solta no oceano"...
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [16:38] |
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| 17.12.07 |
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Rios, Pontes e Overdrives
Hoje Mário Ivo postou sobre a nova ponte de Natal. Para quem está lendo esse post e não mora em Natal e/ou não sabe ainda da existência da ponte, não posso resumir ou explicar essa ponte sobre o Rio Potengi que une a Praia do Forte com a Praia da Redinha em poucas palavras. Mas a palavra polêmica com certeza é uma delas. A ponte mais que une a zona norte com a zona sul - ela provoca discussão, reflexão, um outro olhar sobre a cidade de Natal. E através dessa ponte, quero apenas fazer algumas outras pontes:
Uma ponte com o post de Mário Ivo
Diferente de Mário Ivo eu senti um arrepio na espinha sim! Fiquei maravilhado com a paisagem. E com a facilidade de logo chegar em casa quando venho da zona norte, como observou meu amigo Aldo Jr. Não tenho mais que passar por aquela confusão da Ponte de Igapó e do Alecrim. E até gostei da ponte. Apesar dos pesares, achei-a até leve. Achei-a bonita, enfim. Não tenho vergonha de dizer isso. E por que teria? Sei lá... aquela história: na dúvida, não ultrapasse. Mas ultrapassei e gostei. Como muitos que até lembraram da Ponte Rio-Niterói. Por outro lado, ou melhor, por ambos os lados, também concordo com Mário Ivo e com mais um monte de gente que considera a ponte antes mesmo de ser passada de já ser realmente ultrapassada.
Meu personal trainer Tavares me narrou algo que depois fui conferir pessoalmente de carro e também a pé: o acostamento estreito, quase inexistente, e a via dos pedestres desconfortável para quem nela caminha por ser também estreita demais. A ponte também não tem ciclovia, e enfim, foi dinheiro demais que poderia ter sido mais bem aproveitado. A ponte ainda é paradoxal, porque nos mostra o Forte dos Reis Magos de cima - uma visão única que só tinha quem se aventurava num caro e raro vôo pela área... Mas ao mesmo tempo, como também me observou Mário Ivo, a ponte por ser muito grande, muito alta, fez praticamente o Forte desaparecer. Sabemos que ela tinha que ser alta, por causa dos navios, etc. Mas o Forte perdeu a referência e a reverência. Mário Ivo me fez uma segunda ponte a seguir:
Uma ponte com o Farol de Mãe Luiza
Do mesmo jeito que os altos edifícios de Areia Preta fizeram o Farol de Mãe Luiza desaparecer. E assim Natal vai perdendo antigas e importantes referências. E eu vou fazendo outras pontes:
Uma ponte com a Via Costeira
Lembro que na época da construção da Via Costeira também houve muita polêmica. Eu mesmo fui contra vários aspectos da implantação da Via Costeira, enquanto estudante de arquitetura & urbanismo. Mas também fui um dos primeiros a me beneficiar e a gostar de passar pela Via Costeira quando eu morava do outro lado da cidade. Até hoje sempre que preciso ir de um lado para outro da cidade uso a Via Costeira, vendo o mar que me acalma por entre as frestas deixadas pelos hotéis. Apesar de uma questionável distribuição dos terrenos para um também questionável tipo de hotelaria, das infelizes interferências visuais de muitos hotéis praticamente fantasmas, da dificuldade de acesso, do isolamento e elitização da praia, ganhamos também nesse caso benefícios paradoxais: uma praia tranqüila em plena cidade, um parque urbano de natureza preservada e protegida (o Parque das Dunas) e uma via rápida e de bela paisagem: às vezes dá até pra ver o Morro do Careca!
Uma ponte com uma ponte italiana
Já que todo mundo tá falando, como diria Raulzito: eu também vou reclamar! Essa nova ponte poderia ter outra sob ela. Não é invenção minha. Vi na Itália. A ponte de cima para carros sombreando a de baixo para ciclistas e pedestres. Uma ponte dupla, bacana mesmo.
* * *
Bem... mas vou ficando por aqui, que tá me dando uma vontade danada de ultrapassar a ponte ultrapassada para ir lá na Redinha comer ginga com tapioca e com uma cerveja gelada...
E com essa água na boca, aconselho o leitor a beber a informação polêmica direto na fonte, digo - na ponte (os fatos, as fotos e as gingas estão aí... para provar!).

Foto by www.natalonline.com
Foto: Vlademir Alexandre - www.nominuto.com
Foto: Junior Santos - Tribuna doNorte
E, diga-se de passagem, (litoralmente): uma ponte escultural! Enquanto faço outras pontes e lembro outras esculturas - da Veneza Brasileira, na voz do finado Chico, com ciência: rios, pontes e overdrives, impressionantes esculturas de lama...
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [18:02] |
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| 7.12.07 |
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Elvis sacou primeiro!
Descobri a pólvora: antes de explodir, Elvis, The Pelvis, dançou Bambolê!
Almoçando esses dias com a minha mãe, ela me relembrou que quando eu era criança eu quis dançar bambolê. Quem não lembra do bambolê pode acessar aqui. Quem lembra sabe que meninos não dançavam bambolê. As meninas dominavam o brinquedo, em todos os sentidos. Depois que minha mãe falou isso meus neurônios adormecidos mexeram os quadris: como eu gostava de dançar bambolê! Na verdade, eu tentava. Não cheguei a ser bom nisso. Eu achava isso bom, mas eu não era nisso bom. Devo ter sofrido alguma daquelas infinitas lavagens cerebrais que os adultos fazem nas crianças. Principalmente os homens. Quando crescemos, nós, homens, deixamos de praticar a pulação diurna da fase infantil, passamos pela polução noturna na fase adolescente, para desenvolver enfim a manipulação 24 horas na fase adúltera. Com certeza fui desestimulado a dançar o bambolê, pois não era coisa de menino, de homem. Hoje penso que um bambolê invisível se instalou na minha adolescência roqueira, quando baixava Mick Jagger nas partes baixas e eu rebolava em frente ao espelho no paradoxo da canção: com muita Satisfaction! Hoje percebo que o bambolê deu um rolê muito antes disso: se ele não tivesse dançado bambolê, Elvis, The Pelvis, não tinha feito sua grande revolução para as massas! Carito
Elvis, The Pelvis... dançando um bambolê invisível?
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| por Os Poetas Elétricos [11:30] |
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| 4.12.07 |
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o conto dos pássaros
pepe deluxe death in vegas bjork air antony and the johnsons led zeppelin floyd nirvana the who sean lennon jimi hendrix moby tricky de repente todos esses nomes não lhe disseram mais nada e ele pensou cansei de escutar som internacional agora eu quero algo nacional e de repente também cansou de céu cibele mutantes marcelinho da lua seu jorge tom vinícius elis joelho de porco cid campos arnaldos antunes baptista moisés santana casa das máquinas nação zumbi e achou que a saída estava na entrada de sua cidade e foi escutar melhor bugs cleudo freire seu zé alcatéia maldita os poetas elétricos eletro bilhar elegia e seus afluentes mad dogs valéria oliveira simona talma luís gadelha luiz lima experiência apyus dusouto edu gómez bonnies manoca barreto até que resolveu misturar tudo mas não achou que era por aí na verdade ele estava tentando escrever um conto que resolveu chamar de o conto dos pássaros para fazer uma brincadeira com o canto dos pássaros só para inserir a idéia de um cara que por um momento encheu o saco de som normal e foi curtir o canto dos pássaros e esse conto era sobre isso sobre um cara que leu na revista trip mais nova numero 161 uma matéria com um sujeito para lá de interessante que fez uma história particular para o bem público o sr johan dalgas pioneiro que catalogou o canto dos pássaros do brasil incluindo a lenda uirapuru e com muita cara de pau com licença para matar com suas melhores intenções de proteger e sendo muito bom de bico com magnatas e milicos fez lps com cantos de passarinhos com certeza de encalhe venderem com muito sucesso mais de hum milhão de cópias e até hoje preserva a natureza com o que foi e é da sua natureza interior compre um relógio onde a cada hora aparece um canto de pássaro diferente eu vou comprar e também os cds remasterizados no site www.sinai.com.br/dalgas/novo/index.htm e acho que consegui fazer a história real do mr dalgas entrar no meu conto quando estava tudo por um pio
carito
MR. JOHAN DALGAS
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| por Os Poetas Elétricos [17:09] |
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| 1.12.07 |
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Um estranho no (leite) ninho
Dentro de toda uma neurologística, o médico me proibiu de tomar café. Nada de café nem chocolate. Eles estimulam uma recaída no meu tratamento para me livrar da quimicodependência de penetração anal... gésica na minha mente - uma medicação pop chamada dorflex. Minha mente ficou funcionando igual a esses automóveis com motor flex, com opção de álcool e gasolina no mesmo carro. Quem tem carro assim diz que o motor fica confuso, em crise de identidade. O meu motor dorflex é mais ou menos assim - minha mente fica mais flex, sem dor, mas fica falhando, e aquele pequeno círculo que dá a forma ao comprimido é um círculo vicioso.
No início desse novo hábito eu achava que era preciso ter muita fé para tomar leite sem acompanhamento. Você sabe, caro leitor, cara leitora, cara leiteira, que o café move montanhas! E leite sem chocolate não morde! Não morde o apetite nem desperta o pecado da gula. A xícara da questão é: engula! Sem pecado, só com o juízo. Afinal, eu digo para eu mesmo: não esqueça! Com o tratamento o juízo volta pra cabeça.
Mas sei que esse não é o juízo final. E que o meu motor pode ficar até sem gasolina, mas ainda enche o tanque do texto com álcool adjetivado. E essa história de tirar leite de pedra não é tão difícil assim. Olhando melhor a xícara, ela me deu uma colher de achar: eu fechei os olhos e pensei - res'pires fundo! E veio com o leite quente o aroma da minha infância. Aquele aroma de eternidade, sem café, sem dorflex, sem álcool, sem motor flex, só o motor da imaginação... sem chocolate... Ah! Não! Sem chocolate não! Aí já é demais. Nem sou tão fanático assim por chocolate... Mas chocolate faz parte da infância, quando a gente não é bom nem mau, só bombom e tal... Então quando abri os olhos vi aquele estranho no ninho, no meu leite ninho, o chocolate se materializou ali com a força da imaginação da criança que agora faz hummmmmmmmmmmmmmmm!!!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [14:19] |
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