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| 29.11.07 |
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esse vício.... poemana... exercício da semana...
i - quando a letra a virou repressora
se a ao ver-te te a dverte: "não se divirta!"
mas como adverte se a diverte?
me permita tirá-la de letra: tir -l de letr
e pulo para me embriagar com a próxima logo ali logo ao lado
para ficar inconsuante: b de beber até cair no c de chapado!
ii - na ponta da língua
o poema desembôca entre os dentes.
iii - duelo ao meio-dia em frente à igreja
baby the billy foi ofuscado pelo barulho do sol a sino!
iv - uma pergunta enquanto dura
a camisinha é uma roupa de gala?
v - ejaculação precoce
as mulheres são de vênus (navios) quando o homens são de morte!
vi- técnica para combater o item anterior
só gozar no fingir dos ovos.
vii - para não morrer de véspera
a casa ia ser vendida. ela ia embora. mas mesmo assim ela continuava a aguar as plantas. a cuidar de tudo. como se fosse pra sempre. detalhadamente. devagar e toda a vida. e silenciava. e vivia. de costume do interior. do seu interior. para não morrer de véspera.
viii - poesia moderna
ela faz lipo-inspiração todo dia o tempo não a atinge, nem nada ela tem o corpo fachada
ix - o amor me deixa em cactus...
...e eu me abraço aos teus espinhos e sangro e espirro espermas suor e lembranças doces enquanto os carros correm no asfalto misturo musas e missas com a minha mãe aos domingos após o dia ensolarado na praia enfadado estou e tem um significado diferente na espanha quando um amigo lá me perguntou: - que tienes? - pues, nada estoy enfadado - pero, porque estas enfadado? foi quando descobri que enfadado lá é puto mas aqui é enfadado da praia do dia corrido lentamente sob o sol samba-rock suor e cervejas e eu tô muito longe de tá puto tô muito longe de uma maneira geral só enfadado de lembranças abraçado a saudades espinhosas feriando a mente feito domingo num dia qualquer da semana...
x - ...na rua do amar dura
seu amor me deixou na sarjeta mas é seu calor que me salva desse meio-frio.
xi - aquele conto
aquele conto só poderia ter sido escrito por alguém que tivesse conhecido uma praia assim. e essa praia é assim. larga, épica, yang, árida e com o maior estirâncio do mundo.
aquele conto só poderia ter sido escrito por alguém entorpecido assim. e eu estou assim. embrigado de baudelaire, de vinho, de virtude, de poesia.
aquele conto só poderia ter sido escrito por alguém rocker assim. e eu estou assim. escutando stones, mexendo os quadris, dançando selvagem no meu quarto.
aquele conto só poderia ter sido escrito por alguém letrado. mas eu estou pelo menos com vários dicionários de lado. inclusive de rima: letrado, de lado, afogueado, agateado, agatunado, passado, antepassado, lesado, liberado, inalado, fretado, maconhado, manufaturado, mandibulado, palavreado, raptado, pasmado, pau-rodado, multifacetado, transviado, vento-virado, venado, supracitado, tarado, triscado, vascularizado, vibrado, viajado, zangado.
mas aquele conto só poderia ter sido escrito por alguém que já morreu.
por que não escrevi aquele conto? o que é que eu ainda estou fazendo aqui?
puta que não pariu!
carito
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| por Os Poetas Elétricos [22:35] |
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| 27.11.07 |
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Pérolas aos tortos
O II ENE (Encontro Natalense de Escritores) realizado recentemente em Natal, com certeza ajudou a tirar a cidade do ostracismo da literatura por esses dias. Paradoxalmente, a tenda armada para toda a programação do ENE acontecer parecia mesmo uma ostra. As críticas construtivas em relação aos problemas ocorridos por tudo ter acontecido nesse espaço reduzido (palestras, exposições, café e shows), bem como outras observações críticas importantes eu deixo para jornalistas, escritores e/ou articulistas competentes como Alex de Souza, Tácito Costa, Moacy Cirne e João da Mata que muito bem comentaram sobre o evento em seus espaços internéticos. O jornalista e escritor Rodrigo Levino também fez uma ótima análise do ENE no Jornal de Hoje. Assim que o texto de Levino sair na net ele vai me enviar o link para deleite dos interessados. Eu enquanto dublê de artista e blogueiro acidental admirador de pensamentos não retilíneos vou me atrever a destacar apenas alguns momentos aos quais presenciei e que considero pérolas jogadas aos tortos como eu.
Na mesa sobre "Palavra Escrita, Palavra Cantada", o democrático e amigo jornalista e escritor potiguar Carlos de Souza, o Carlão, iniciou o bate papo dizendo que enquanto mediador ia deixar o tema livre, devido ao fato de estarmos diante de tantas feras: Chacal, Antônio Risério, Fausto Nilo e Maria Lúcia Dal Farra. E também porque ele tinha conversado antes com Chacal que lhe disse que gostaria de ter estado mesmo era na mesa do dia anterior, sobre Poesia Alternativa e Desbunde.
Chacal
O pensamento dinâmico dos participantes da mesa pegou fogo logo no início, quando Chacal disse que não ia fugir do tema. "Agora que já estudei, me preparei, quero falar sobre o tema". Chacal falou que a turma dele no Rio dos anos 70 estava mais ligada ao palco de que à pagina. Uma geração de poetas alternativos, vivenciando o mundo dos shows de rock, arte-manhas e performances. E se auto-ironizou, dizendo que em termos de literatura "éramos, e até hoje somos, analfabetos". Disse também que achava a poesia na página algo triste, sem vida, que a poesia foi aprisionada na escrita, no livro, que em seu estado natural ela era falada, que ela é do corpo. E lembrou as origens da poesia, fazendo um breve resgate de sua história. E também leu um texto seu fortalecendo esse seu pensamento:
"imagine se... por algum estranho motivo, a música parasse de tocar... e fosse consumida apenas através de partituras. o mundo ia ficar mais triste. foi isso que aconteceu com a poesia. ela se afastou da fala, do corpo, se confundiu com a escrita e se afastou do público tornando-se monopólio de um estreito círculo de iniciados. mas isso está mudando. isso está mudando."
Fausto Nilo
Fausto Nilo disse que não era poeta. Era letrista. E que diferenciava bem letra de música de poesia. E lembrou um cara que abria letra em fachadas de prédios comerciais em sua cidade natal no interior do Ceará - Quixeramobim. Ele disse que preferia ser comparado a um abridor de letra. Carlão em certo momento provocou essa discussão citando a letra de uma música sobre a qual ele se perguntava: isso não é um poema? Fausto Nilo chegou a dizer que tinha sido criado escutando clássicos da MPB como Adelino Moreira e Jair Amorim, e que escutava a letra diretamente quando ouvia o disco, já que na época não era comum haver nos discos encartes com as letras. E disse que não gosta das letras serem publicadas nos encartes dos discos porque elas devem ser ouvidas nas canções e não lidas separadamente.
Certa vez Moraes Moreira lhe pediu uma letra para uma música de carnaval. Fausto inicialmente resistiu àquela nova experiência, pois sempre achou suas letras melancólicas, sem clima para carnaval. Mas fez a letra. E não gostou do que fez. Foi à Bahia e lá viu Moraes colocar sua letra na perna enquanto musicava de primeira mais um clássico da MPB. Ali na música, a letra se transformou e Fausto Nilo passou a gostar do que fez. Histórias como essa seduziram o público, que talvez não soubesse ser ele o letrista de mais de 400 sucessos da música brasileira - inúmeras de suas letras hoje em dia fazem parte do inconsciente coletivo nacional. O artista plástico e meu amigo Flávio Freitas, que estava sentado ao meu lado nesse momento, adorou especificamente essa história que Fausto contou: ele estava num hotel da Bahia e achou que estava sonhando com sua canção, acordou e ouviu (e viu) ela sendo cantada na rua, num bloco de carnaval, sendo seguida pela multidão. Ele saiu do hotel e foi atrás da sua canção. Realmente um quadro vivo.
Apesar de letrista, Fausto Nilo entende e se sente até lisonjeado quando é confundido como poeta. Mas ele disse que não sabe fazer como os poetas, que não sabe ser poeta. Fausto Nilo disse ainda que a palavra poeta sempre foi usada de forma pejorativa, depreciativa. Até hoje, muitas vezes, a palavra poeta é usada por alguém que possui um poder financeiro maior para diminuir alguém com alguma capacidade intelectual destacada: "é um poeta!"
Antônio Risério - quando rodou o baiano!
Baixou Orson Welles no baiano: nem tudo é verdade, foi o que Risério provocou, referindo-se a alguns comentários dos amigos da mesa. Começou dizendo que a personagem da poesia comentada por Maria Lúcia podia estar feliz em sua condição de mulher objeto ou algo assim. Pelo menos assim entendi. Entendi também que Risério quis dizer que nenhum participante ali devia priorizar uma coisa em detrimento de outra, que não havia uma forma de poesia, de palavra, com uma verdade para destituir a verdade de outra. Ele disse a Chacal que a pessoa podia gostar de estar recolhido ao silêncio da página que Chacal chamou de triste, e ainda: que esse momento também podia ser alegre para alguns.
Dentro de um clima irreverente, mas extremamente lúdico e amigável (porque são todos amigos), ele disse que Chacal era mentiroso e que ele não era analfabeto coisa nenhuma, que sabia que ele lia João Cabral e tantos outros. Disse que Fausto Nilo sabia muito bem o que fazia (referindo-se a um outro momento de sua fala que não comentei aqui), que Fausto tinha um repertório fantástico de cultura musical e que suas músicas eram paródias de clássicos da MPB e por isso eram maravilhosas. Enfim, ele quis dizer que todos tinham responsabilidade em falar do trabalho de manufatura da arte da palavra, e cutucou a explicação curta de cada um com a sua fala longa e ferina indo direto ao ponto que nenhuma obra é tão por acaso, e envolve sim um forte compromisso intelectual com o fazer artístico.
Antônio Risério contou ainda uma história curiosa: disse que o amigo em comum de todos eles ali, Caetano Veloso, andou dizendo numa entrevista que fez a canção "Outras Palavras" porque sua empregada deixou um bilhete na porta da geladeira: outras palavras: fui embora! Risério disse: "mentira de Caetano! Ele fez essa canção porque leu Joyce e tantos outros. Chega dos artistas posarem disso e daquilo. Temos que ser responsáveis. Para dar o exemplo. Eu sou um intelectual e falo como intelectual". Enfim, caro leitor, cara leitora, se você não esteve lá, posso lhe dizer que houve muito mais coisas interessantes. Risério associou a manufatura do texto com a arquitetura e disse que o ferro, o aço e o vidro não são nada sozinhos, são ferramentas para a construção arquitetônica. Assim também funciona a palavra na arquitetura do texto.
Direito a resposta e fim de papo
Chacal disse que ele queria reforçar a importância do corpo para a palavra, ressaltando a sua praia - a performance. Risério falou: "Fernando Pessoa não tinha corpo, só aquela maletinha para fazer aquelas contabilidades e fez aquelas incríveis poesias". Rapaz, essa mesa foi demais. Acho que o ping-pong naquela mesa ali não tinha fim. Mas teve por causa da hora. E aqui nos meus achismos, acho que Risério incomodou algumas pessoas com sua pose de maldito. Mas acho também o seu pensamento libertário posto na mesa provocou uma dinâmica a mais, com destinos inusitados para o tema em questão. Como diria Bretch: "sem o humor é impossível entender a dialética". E sem o perdão do trocadilho, digo eu: quando Rir-sério é o melhor remédio!
Cid Campos e João Bandeira - Cadê o Poemix BR?
Olhai o Cid dos Campos! E levantai a Bandeira do João! Os caras mandaram ver numa espécie de aula-espetáculo que fez a platéia verdadeiramente prestar atenção nas viagens dos paulistas que mataram a cobra da vanguarda e mostraram com quantos paus se faz uma comunicação eficiente. Senti que os aplausos foram sinceros para os vídeos-experiências, poemúsicas e outras concretudes e abstrações. A vanguarda é mais pop do que se pensa. Destaque para a fala de João Bandeira quando ele comentou que nada daquilo era novidade (o tema da mesa foi: NOVAS TECNOLOGIAS E SEU USO NA LITERATURA). João ressaltou que cada época sempre teve sua poesia com sua respectiva tecnologia e ele não gostava/não gosta do endeusamento feito hoje em dia a esse momento. João também falou que preferia chamar tudo de texto, denominação mais ampla para as experiências com a palavra.
Eles mostraram ainda cenas do projeto-show performático Poemix BR (espetáculo multimídia formado por Lenora de Barros, Cid Campos, João Bandeira, Walter Silveira e Grima Grimaldi, e que em muitas ocasiões conta com a participação do ex-titã Arnaldo Antunes), onde Cid usa o instrumento musical mais como ruído do que como melodia. E fica a pergunta: por que os caras não foram convidados para tocar no ENE? Nada mais justo que uma aplicação prática in loco da aula teórica.
Escutando o último CD de Cid Campos ("Fala da Palavra") não sei se podemos dizer que a sua experiência solo de misturar poesia e música caminha cada vez mais para a música, fazendo mais uso (ou menos desuso) se sua formação musical geral. A palavra aqui é mais cantada que falada, ainda que muitas vezes cantada de uma maneira falada. Penso que nesse disco ele corre menos risco sonoro, e inCid seus Campos de textos ousados em sons mais usados. Uma espécie de contrabando de informação escrita menos conhecida oralizada em uma estrutura musical menos desconhecida. Lembrei de uma entrevista de Arnaldo Antunes onde ele diz que naturalmente tem encaminhado seu trabalho em direção ao pop, como fruto de sua maturidade.
Mário Ivo, João da Rua e Sheila Azevedo (Ah! E Jorge Salomão e Heloisa Buarque de Holanda)
Mário Ivo presenteou à platéia com perguntas mais que interessantes aos participantes da mesa, inclusive a respeito do processo criativo-construtivo de João da Rua em seu livro Temporada de Ingênios (chamado na época pelo próprio autor de Romance Minuto). Numa mesa sobre poesia alternativa, Mário Ivo mostrou a alternativa de dar visibilidade a um escritor local, o mesmo acontecendo quando a jornalista Eliade Pimentel perguntou da platéia a Sheyla Azevedo sobre o movimento literário transgressor que ela participou nos anos 90 (o Sótão 277) com amigos como o hoje renomado filósofo, professor e escritor Pablo Capistrano.
Mas desbunde mesmo aconteceu com a competente pesquisadora e brilhante professora Heloisa Buarque de Holanda - uma verdadeira herói-isa do resgate histórico, que nos deu uma profunda aula, mas acabou monopolizando a mesa. O ótimo e simpático Jorge Salomão acabou a ver pavios, mas deixou para explodir depois, quando armaram uma entrevista com outro escritor em frente a sua banca atrapalhando o lançamento do seu CD voador "Cru Tecnológico". Das minas do CD de Salomão destaco o poema "Seco", já musicado tempos atrás pelo Barão Vermelho. Assista aqui ao poema Seco, no vídeo apresentado no encontro.
Artista local?
Em tempo: Flávio Freitas me disse que não é mais artista local. Cansou dessa história. Pois assim eram anunciados no ENE os... escritores locais! Mas Flávio agora é apenas um artista. Então, locais (como eu), mirem-se no exemplo... desses artistas de antenas... da raça...
A próxima flor do Dácio
Levei falta nas inúmeras outras mesas, mas já aprendi a lição de casa: que venham os próximos ENE - o encontro já está marcado na minha agenda. Que se entenda que ele se estenda além da tenda. Qual a data mesmo? E a programação?
Carito
Foto roubada do blog de Chacal http://chacalog.zip.net/: Fausto Nilo, Chacal, Cid Campos, Moara, João Bandeira, Tom Zé e Roberto, depois do show de encerramento do 2º Encontro Natalense de Escritores.
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| por Os Poetas Elétricos [14:58] |
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| 25.11.07 |
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Sabedoria pra pular...
Faz muito tempo que vivencio as particularidades do povoado de Ponta do Mel, no município de Areia Branca, na fronteira do Rio Grande do Norte com o Ceará - onde praticamente morei por 08 anos, vivendo de "ponte terrestre" entre Ponta do Mel e Natal. Nesses dias proseando pelo lugar aprendi mais umas coisinhas.
Perguntei a cicrano sobre fulano que foi simbora pras bandas da Paraíba, como ele anda, se tá bem, o que anda fazendo por lá, etc. E perguntando sobre a família dele, se ele levou os filhos, e coisa e tal, eu quis saber quantos filhos ele tem.
- Que eu saiba tem dois. Cicrano me disse.
- Por que "que eu saiba"? Perguntei.
Ah! O sinhô sabe como é. Fulano é muito danado. Vive aprontando por aí.
Foi aí que a curiosidade me mordeu e eu perguntei:
- Por aqui já teve algum caso de pedido de DNA?
- Ah! Não! Aqui não precisa. Todo mundo se conhece, todo mundo sabe das coisas... E tem aquele ditado: "quem é filho de puta tira a mãe da culpa".
- Então nesses casos sempre cada menino é parecido com o respectivo pai?
- Mas tem também aqueles filhos de Tiquinho.
- De Tiquinho?
- É. Um tiquinho de um, mais um tiquinho de outro...
E completou:
- O senhor que é escritor podia conversar mais com a gente do lugar, pois aqui é outra linguagem.
Como eu disse no início do post, faz tempo que observo esses quadros vivos, e me sinto ao tentar escrever e expressar o que sinto, como um expressionista da sabedoria pra pular... pra pular pra fora do lugar-zoológico de apenas ser visto como um lugar onde as pessoas de fora dizem "olha como é bonitinho o que eles dizem" ou "eles até que são inteligentes"...
Pra pular pra algo mais lógico: das cadeiras de balanço das calçadas pra dentro das cadeiras da Sorbone.
Tenho dito.
Carito

Ponta do Mel em fotos de Rachel Guedes 
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| por Os Poetas Elétricos [18:02] |
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| 19.11.07 |
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Os remédios do meio do mundo!
O feriadão me deixou contemplativo. E com vontade de fazer um post grande. Quem tiver "barciência" que tome uns tragos das letras a seguir. Cazuza cantava os venenos anti-monotonia e ideologia uma quero uma pra viver. Cada um busca seus remédios para a alma. No blog Cidade dos Reis Mário Ivo reencontra o tempo. Como reza Santo Agostinho, em frase já citada aqui em post anterior: "a casa da alma é a memória". Mário Ivo fala sobre casas e sobre o escritor Franklin Jorge, e roubando eu um trocadilho conhecido na cidade natal de Franklin Jorge, que não é Natal e sim Açu: "com Açu e com afeto". Salve Jorge! E salve outros blogs, tantos outros remédios para a memória, para a casa da alma. Sheyla Azevedo, por exemplo, em seu blog Bicho Esquisito, fala sobre seu encontro com o tempo que Caio Fernando abriu! Mas tem vida inteligente na Cidade dos Reis além da internet. Os mundos reais e virtuais interagem, como tem que ser. E para uma cidade que dizem ser o fim do mundo e que tem fama de não acontecer nada, cito mais uma vez alguns remédios made in Natal, para sair da inércia desde a semana passada seguindo por essa agora: sessão Cult no Cinemark, dica de Tácito Costa no site Substantivo Plural - o filme francês "Um Lugar na Platéia" (de Danièle Thompson) e vários filmes do diretor americano John Cassavetes, considerado o pai do cinema independente dos EUA. Tácito também fala sobre o "Encontro Natalense de Escritores". Confira programação e comentários sobre o evento em sites como: Overmundo, NatalTrip, Prefeitura Municipal do Natal, etc. O portal Nominuto fala sobre o festival gastronômico "Pratodomundo". Já no site DoSol, leia a cobertura com direito a "debate boca" sobre o festival "Rock na Rua" e desdobramentos como o "Movimento de Independência do Rock Potiguar". Mas chega de fim do mundo. Pois antes de chegar ao meio do post, quero mesmo é falar sobre o meio do mundo. Já faz tempo que estive ali. Lembro quando chegamos à "Praça do Meio do Mundo" (que também foi marco de partida para a história do road movie " O Caminho das Nuvens"). - É aqui! Pegamos a estradinha de terra no meio do mundo da caatinga e adentramos ainda mais... Estávamos no Cariri Paraibano. E encontramos o sertão verde. Embora Cascudo prefira o sertão "vermelho, bruto, bravo, com o couro da terra furado pelos serrotes hirtos, altos, secos, híspidos e a terra é cinza poalhando um sol de cobre e uma luz oleosa e mole escorre como o óleo amarelo de lâmpada de igreja", como ele diz em seu poema "Não gosto de sertão verde" (interpretado no disco " Poemúsica" por Arrigo Barnabé e Gereba, e também no cd " Sertão" de Gereba).  O sertão é diverso e mutante, e também verdeja, molha, alaga, e alarga... a mente... e o corpo no espaço do deus mandacaru, da menina faceira, do homem facheiro! No Cariri é melhor não prevenir, só remediar. E se deixar se surpreender pela medicina natural da alma do lugar, e principalmente do não-lugar.
 O Cariri é remédio que não se engole. O Cariri é remédio que nos engole.
Assim, não conseguimos nos aconchegar no ótimo "Hotel Fazenda Pai Mateus", porque aquele mundão de nada nos convidava para ir lá fora ver tudo todo o tempo, embora estivéssemos nos sentindo lá fora o tempo todo, o tempo tudo, no coração do sertão.
 Porque tudo é lá fora, no meio do mundo.
E no meio de tantas coisas, queríamos saber algo sobre as filmagens do "Alto da Compadecida". Mas já nos informaram de outras novidades. Uma equipe de filmagem tinha acabado de sair do hotel. - É um filme que tem um ator estrangeiro! As pessoas nos falavam ainda curiosas sobre o que tinha acontecido.
Depois de um tempo "Cinema, Aspirinas e Urubus" virou cinema de verdade, virou aspirina aspirante ao Oscar, e saiu avoando feio urubu ganhando o resto do mundo.
Fotos by Carito Porque o meio do mundo já havia sido conquistado há muito tempo: dinossauros de Souza, extraterrestres na Pedra do Ingá, o Pai Mateus em seu Lajedo, Zé Ramalho e Lula Côrtes no disco voador Paêbirú, e tantos filmes, ensaios e histórias anônimas como as do vigia do hotel:
O remédio para a violência lá no Cariri Paraibano
Eis um causo contado pelo vigia lá do Hotel Fazenda Pai Mateus, à noite, na beira da fogueira, onde o próprio vigia contador de causos faz parte do causo. Ele nos disse que uma vez uma moça de São Paulo ficou intrigada com a escuridão, com o isolamento da fazenda, e então lhe perguntou:
- Aqui não é perigoso? Essa fazenda assim... tão isolada... - Aqui não é perigoso não, moça! Porque qualquer coisa assim aqui a gente mata logo que a gente não gosta de violência não!
Carito
Porque no meio do mundo não só tem gente fugindo da seca, mas também tem gente fugindo de estereótipos colocados pelas periferias...
Porque do meio do mundo se chega às periferias como: Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York, Londres, Tókio... PARADIGMA UMA COISA DESSAS QUE NÃO POSSA SER QUEBRADA!
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| por Os Poetas Elétricos [16:01] |
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| 13.11.07 |
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Os Poetas Elétricos indicam: SHOW DE BOB CRAZY! Bob Crazy fez 44 anos e vai fazer um show histórico!!!
Conheci Bob Crazy no início dos anos 80. Ele era amigo de Manoca de quem eu já era amigo. Éramos todos muito jovens e morávamos todos próximos um do outro, no bairro de Petrópolis, em Natal. Manoca tocava guitarra. Bob Crazy tocava baixo - numa guitarra. Bob Crazy ainda não tinha conseguido comprar um baixo. Mas isso não era problema para ele. Bob inventou o baixo numa guitarra. Depois ele acabou até construindo um baixo, antes de comprar um "baixo normal".
Essa era uma característica dele - a inventividade. E definitivamente Bob não era normal. O seu apelido já dizia isso. Bob Crazy reinventou Marlon Roberto, seu nome original. Original? Não! Bob Crazy sempre foi muito mais original, e não normal. Ainda bem. Isso com certeza deu uma contribuição imensa para a minha vida: o contato imediato com o terceiro grau!
Bob falava dos habitantes da lua, mais que gostava do Pink Floyd (era um seguidor do grupo inglês e tinha o rock progressivo-psicodélico como uma espécie de seita existencial), fazia desenhos alucinantes e defendia teses mirabolantes. Criamos juntos o grupo de rock Fluidos, trocamos figurinhas de uma espécie de álbum invisível chamado de arte-rock, crescemos um pouco-muito juntos, e também separados. Hoje, mais de 20 anos depois, após ele completar 44 anos na semana passada, Bob finalmente vai fazer um show solo nessa semana (e com participações mais que espaciais). Passou toda a última década sonhando com esse show. Recentemente vendeu sua pick-up, fechou sua empresa, e foi se concentrar no vilarejo de Pium, com a "permissão" da sua mulher Jane (companheira desde a adolescência) e da sua filha Selen Ive, cujo primeiro "nome-impróprio" foi dado em homenagem aos Selenitas (como eram chamados os terráqueos que nasciam na lua), e o segundo "nome impróprio" foi inspirado numa namorada do artista plástico Marcellus Bob - a namorada de Marcellus Bob, Ive, que era do interior (de Carnaúba dos Dantas) e queria muito conhecer o aeroporto para ver um avião.
Bob é louco em fazer isso? Tudo por um show? Por um projeto maluco? Claro que é! Afinal ele é Bob Crazy! Alguns amigos comentam que ele parou no tempo - conclusão que podemos tirar quando observamos o cartaz do show pra lá de lisérgico, onde ainda encontramos todos os elementos do passado: a prova do crime de sua eterna emoção por um ideal. Um ideal incomum! Mas penso se não foi o tempo que passou depressa demais, atropelando tudo e todos, menos Bob Crazy. Pra que carro? Para um cara que já tem uma nave espacial! Sei que um show só pode ser considerado ou não histórico depois que acontecer. Mas não é o caso de um show de Bob Crazy, que já é histórico mesmo antes de "não-existir".
Diante de tantos carnavais fora de época, que tal ver ao vivo um verdadeiro cara fora de época, e que por sempre estar à frente de seu tempo, finalmente se reencontrou com seu próprio tempo, depois que o tempo parou para ele.
Carito
BOB CRAZY E O PROJETO HOMO HABILIS SHOW ELO PERDIDO DIAS 14 E 15 DE NOVEMBRO - 20 HORAS CASA DA RIBEIRA - NATAL - RN
Foto: Bob Crazy (na frente, à esquerda) no FLUIDOS, no início dos anos 80, com Carito (centro) e Manoca (ao fundo).* * * Ainda no Fluidos - início dos anos 80: Bob Crazy à esquerda e Carito à direita
"A casa da alma é a memória" (Santo Agostinho)
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| por Os Poetas Elétricos [14:23] |
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| 3.11.07 |
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jogo de barulho
ele gostava de embarulhar o silêncio e depois jogar as cartas na mesa, de som. era preciso muita coragem para isso, pois o silêncio reinava naquele jogo. ele era um rapaz valete. e era um às do som. mas o silêncio era um rei sem trono que tinha uma carta na manga: o rei contratou a dama de paus que tinha grande experiência em sedução para deixar o valete como uma carta fora do barulho. o valete entrou no jogo da dama de paus, e como era um valete de espadas, fez a dama tirar a toalha da mesa que logo começou a dar as cartas para o valete. o que o rei não contava, era com o fato da dama fazer muito barulho enquanto dava para o valete que era muito espada. foi aí que o rei entendeu que tudo conspirava contra ele: afinal, enquanto rei do silêncio, ele é que era uma carta fora do barulho, e ordenou: acabem esse jogo, esse jogo é um buraco! vossa majestade caiu direitinho, disse o valete enquanto empurrava o rei para dentro do jogo do buraco. e então gritou o valete: agora eu sou o rei desse barulho! som na mesa! colocou sua peruca vermelha, seu cachecol rosa choque, seu salto e gritou alto: e agora quem dá as cartas aqui sou eu!!!
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [16:39] |
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