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| 28.10.07 |
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ENTRE, QUARTO, PAREDES
a primeira parede
era azul. escura. desbotada ou coisa assim. bufenta. tinha um quadro torto. bem pequeno. disforme. abstrato. era uma parede sem muitos planos. seu único e primeiro plano era muito fechado.
a segunda parede
a segunda parede também era azul. menos escura. mais que desbotada. desbotava-se muito rapidamente. nessa frase já era clara. pegava o sol da tarde de cara. que entrava pela janela da parede de frente. e que lhe dava uma segunda dimensão das coisas. a segunda parede tinha um mural com fotos retorcidas pelo calor. como folhas secas. uma parede outonal em sol causticante. árida. era quase claro que também era uma parede ainda um pouco fechada.
a terceira parede
era literalmente terceirizada. era onde estava a porta. por onde entrava terceiros. pela porta que vivia batendo. por isso era uma parede rachada. tinha rachado com as outras em uma discussão sobre abertura. considerava-se mais aberta que as outras. porque tinha uma porta. que vivia abrindo e fechando. que vivia batendo. era uma parede sado-masô. era vermelha. de sem-vergonha. gostava de apanhar da porta e tinha uma vida sexual intensa. por causa da porta que vivia abrindo e fechando. e acreditava ser a terceira parede porque dizia ter a porta da percepção para a terceira dimensão.
a quarta parede
era a que tinha a janela. e se considerava a salvadora do quarto. porque tinha a quarta dimensão. linkava o quarto com o tempo lá fora. e quando estava com a janela fechada, vivia em fresta! era uma parede animada. e multi-cor.
a cama
entre essas quatro paredes havia uma cama. de colchão d'água. as pessoas mudavam completamente quando estavam ali, na cama, entre as quatro paredes. algumas dessas pessoas diziam quando estavam na cama: se essas paredes falassem... dizem que as paredes tem ouvidos...
o armário
justamente por que as pessoas se sentiam à vontade entre aquelas quatro paredes, muita gente saiu de dentro do armário.
a história
um dia teve tanto tempo lá fora, tanta gente entrando pela porta, tanta gente saindo do armário, a porta bateu tanto, que a primeira parede se abriu, a segunda parede ficou branca de vez, a terceira parede gozou como nunca, a quarta parede virou uma grande janela, todas as paredes começaram a falar ao mesmo tempo, contando histórias de eros uma vez... e eros tantas outras vezes...
o colchão rompeu. a cama desaguou.
e o mundo todo renasceu entrando em trabalho de quarto.
carito |
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| por Os Poetas Elétricos [01:08] |
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| 26.10.07 |
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Leve só as pedras
Ontem à noite Os Poetas Elétricos quiseram assistir ao show de Valéria Oliveira na Casa da Ribeira e não conseguiram. Calma! Não fomos barrados. É que a casa estava lotada, e no segundo dia de show! Que bom! Não para nós que perdemos um ótimo show, mas para Valéria por estar sempre com seu trabalho merecidamente reconhecido, fruto de seu talento e dedicação constante. Assisti a um show de Valéria faz algum tempo atrás e fiquei impressionado com seu profissionalismo e arrojo - musical, cênico, etc.
Estávamos ontem à tarde no Estúdio Megafone recebendo nossa Máster (finalmente, agora é só mandar o cd para a fábrica) e o técnico Eduardo Pinheiro (que está pilotando a mesa do show de Valéria) nos contou um pouco sobre o show, e nos falou que todos que desejam fazer uma apresentação profissional e artística deveriam ver esse show como um exemplo a ser seguido. Segundo o jornalista Sérgio Vilar, o trabalho de Valéria Oliveira é "de encher os olhos de qualquer crítico musical... o trabalho de Valéria é atualizadíssimo, de vanguarda." Leia mais sobre o trabalho dessa excelente artista potiguar em seu blog. Em tempo: o trabalho de Valéria é autoral.
Como ironizei em um post anterior: é que em Natal nada acontece!
E em Mossoró nem se fala... Ou melhor: se fala, se escreve, se debate... Pois enquanto isso, na sala de justiça da capital do oeste, justiça seja feita aos Jovens Escribas convidados para mais uma empreitada: dessa vez na Feira do Livro de Mossoró. Veja programação da FLM e as coberturas dos Jovens Escribas em sua página.
Enfim, como sempre posto e aposto: em Natal e no RN acontece muita coisa... Mas uma coisa é "cena cultural" e outra é "movimento cultural". Para chegarmos a um movimento cultural, precisaríamos a meu ver, antes de tudo, uma valorização artística local feita pelos próprios locais (inclusive também feita pelos próprios artistas entre si). Recentemente no blog Cidade dos Reis (em 20/10), Mário Ivo postou sobre a morte de Dona Salete (viúva de Newton Navarro) e sobre o descaso da província com o seu marido.
Uma cidade onde impera as panelinhas jamais terá um verdadeiro caldeirão cultural. E a receita é pesada... Como diz o título do novo trabalho de Valéria: "leve só as pedras". E não só as leve como atire a primeira quem nunca se alienou por aqui.
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [10:46] |
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| 20.10.07 |
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Made In Natal
Natal sofre de uma doença chamada "não acontece nada nessa cidade", "Natal não tem nenhum grande nome de expressão na arte", etc. Escuto isso desde pequeno. E desde quando me meti a ser artista, a sair na noite e tal, que escuto mais ainda. Enquanto isso... na BatCaverna poptiguar... muitos morcegos levantam vôo faz tanto tempo...
Entre sanguinhos novos e coagulados, algumas gotas aqui, para brindar os vampiros também doadores de sangue made in Natal... Isso sem falar nos muitos vampiros já "clássicos" norte-rio-grandenses como Câmara Cascudo, Nísia Floresta, Auta de Souza, Mirian Coely, Zila Mamede, Newton Navarro, Mirabô Dantas, etc, etc, etc...
Na cidade do sol que já foi "Nova Amsterdã" e "Londres Nordestina", só para citar alguns dos vampiros mais "moderninhos" (sei que muitos não os conhecem): 1 - Palatinik
Está na wikipedia: "Abraham Palatnik (Natal, 1928) é um artista plástico brasileiro. É um dos pioneiros e a maior referência em arte cinética no Brasil. Suas obras contêm instalações elétricas que criam movimentos e jogos de luzes. Estudou pintura, desenho, história e filosofia da arte na mesma época em que fazia um curso de motores a explosão, em Israel. De volta ao Brasil, em 1948, integrou o primeiro núcleo de artistas abstratos do Rio de Janeiro. No ano seguinte, iniciou suas pesquisas no campo da luz e do movimento, responsáveis por seu reconhecimento como um dos pioneiros da arte cinética, após a menção especial do júri internacional, na I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951. Integrou o Grupo Frente, aproximando-se da poética visual dos concretos e neoconcretos. Desde então, vem desenvolvendo um trabalho que une pesquisa visual e rigor matemático. Suas obras integram coleções particulares e importantes museus europeus e norteamericanos.
Vive no Rio de Janeiro."
Onde também vive o também potiguar: 2 - Moacyr CirneEstá na " História do Rio Grande do Norte": No final dos anos 60 surgiu um movimento literário, provocando um impacto no Rio Grande do Norte e também no Brasil: o lançamento simultâneo em Natal e no Rio de Janeiro do Poema/Processo. Segundo Álvaro de Sá, "o Poema/ Processou criou muito e radicalmente".
Moacyr Cirne foi um dos fundadores do movimento. Que declarou sobre: 3- Falves Silva "Sem Falves, a arte e o poema do Rio Grande do Norte não seriam a mesma coisa. Sua ousadia, seu radicalismo, sua inquietação, suas potencialidades gráficas, ocupam um lugar específico na produção cultural de nosso estado: o lugar de justa e necessária radicalidade antiliterária. E, em sendo radical, um lugar profundamente humano".
Está ainda no mesmo site natalpress: "Uma última decorrência da vanguarda concretista é o Poema-Processo, cujo precursor é Wlademir Dias Pino, um dos participantes da Exposição de 1956. Lançado em final de 1967, com a usual exposição e os necessários manifestos, o Poema-Processo caracteriza-se desde o início pela recusa radical à discursividade.Antenado com os movimentos literários no eixo Rio-São Paulo, o jovem Francisco Alves da Silva percebeu a transição poética que estava acontecendo e, juntando-se a Moacyr Cirne, Nei Leandro de Castro, Marcos Silva, Anchieta Fernandes e Dailôr Varela fizeram uma Exposição de Poemas Processos simultânea em Natal e no Rio de Janeiro, em 1967, criando uma nova forma de ver a poesia.Durante a época do desenvolvimento do Poema Processo em Natal, Falves Silva, J. Medeiros, Anchieta Fernandes e Alexis Gurgel criaram a revista "DÊS" para que seus poemas circulassem entre os meios culturais. O grupo participou de várias exposições itinerantes por Recife, João Pessoa, Fortaleza e Rio de Janeiro." 4 - Jota Medeiros:
Representante da vanguarda poptiguar, mais conhecido e respeitado lá fora do que na sua terra Natal. Veja aqui o artista multimídia em cena. 5 - Juçara Queiroz
Deu ontem no blog Grande Ponto: Homenagem à Jussara Queiroz
A cineasta Jussara Queiroz será homenageada amanhã (hoje, sábado) e domingo na tenda de Cinema da Funcarte, dentro do Goiamum Audiovisual, a partir das 18h. A Mostra Retrospectiva Jussara Queiroz tem curadoria do documentarista e jornalista Paulo Laguardia, que realizou este ano o DOCTV O Vôo Silenciado do Jucurutu, exibido na TV Cultura, e que conta a vida da cineasta potiguar. A tenda de cinema da Funcarte foi montada no pátio do local e tem estrutura de exibição que conta ainda com pracinha, mesas, cadeiras, pufes, e um café Nega Fulô, aberto até 23h. Confira programação completa pelo http://www.goiamumaudiovisual.com/O Café Nega Fulô, onde encontrei e conversei com: 6 - Guaraci Gabriel e Julio Castro
As instalações de Guaraci, tantas vezes ignoradas na província, ganham o mundo, também em parceria com o vj poptiguar Júlio Castro. Júlio me contou a surpreendente intervenção que eles realizaram em Cuba e na Patagônia. E leia aqui o que Joyce Pascowith escreveu sobre Guaraci. Obra de Guaraci em Mossoró7 - Marcos Bulhões
Recém chegado do doutorado em Barcelona, o professor, ator e diretor teatral diz que não faz mais teatro, faz performance. Marcos que marcou a cena cultural da cidade nos anos 80 e 90 com os grupos "Esquina Colorida" e "Stabanada Cia. De Teatro" está fazendo agora uma montagem multimídia do Fausto. Nós, Os Poetas Elétricos, temos orgulho de fazer parte da trilha original desse novo e bulhônico trabalho. 8 - O Festival do Forte e a Galeria do Povo. 
9 - E para essa siesta de sábado, colo um poema de Adriano de Souza:
10 - Bom fim de semana!
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [12:07] |
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| 17.10.07 |
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Goiamundo
 Ontem fui assistir ao filme El Benny (foto), na "mostra de longas-metragens cubanos" que está acontecendo em Natal, dentro do projeto GOIAMUM AUDIOVISUAL.
Tenho mais que fascínio e curiosidade pelo mundo cubano, mas confesso que no início do filme eu estava ali quase que por uma necessidade pessoal de crescimento. Eu não estava nos meus melhores dias para ver "filmes diferentes".
Diferentes de quem cara-pálida?
O filme foi me seduzindo aos poucos e eu fiquei impressionado com a história real do incrível músico cubano Benny Moré que eu nunca tinha ouvido falar! Não é uma versão latina da profaníssima trindade "sexo, drogas e rock and roll", aqui como "sexo, rum e jazz and rumba", até porque essa expressão não é propriedade-paradigma de seu ninguém.
O guitarrista amigo Adriano Azambuja diz que não é guitarrista, é guitarreiro. Então para meio de conversa, também não sou escritor, sou escriteiro, não sou poeta, sou poeteiro, não sou metido à jornalista nem metido a filósofo, sou só metido, metido nas minhas impróprias coisas. E nesse direito à impropriedade, meto-me em "divaneios": Nina Simone é uma dessas divas. Mas por que eu não conhecia o divo Benny? Divo, não nego. Pago quando puder. E já começo pagando em fácil resposta: é a tal da globalização que tanto cruelmente homogeneíza como paradoxalmente democratiza a heterogeneidade, facilita a informação, etc. Li recentemente, na última Bravo, que foi usando a globalização que Manu Chao consegui fazer penetrar no mundo com eficiência e eficácia o seu discurso anti-globalização ("O Paradoxo de Manu Chao").
Em 1995 fui assistir ao concerto do grupo italiano Litfiba. Nunca tinha ouvido falar do Litfiba. Mas meu irmão Mário Ivo estava morando em Florença e eu pude respirar espontaneamente durante 03 meses aquele universo cultural italiano além dos planos turísticos convencionais. O Litfiba era uma espécie de lugar-comum representante das inquietudes de uma geração florentina e italiana, como foram os Titãs nos anos 80 em Sampa e no resto do Brasil. Lembrei-me dos shows dos paulistas então irados, quando todos na platéia cantavam todas as letras junto de forma visceral, como uma espécie de liturgia pop-pós-punk: "Não sou brasileiro / Não sou estrangeiro / Eu não sou de nenhum lugar / Sou de lugar nenhum" (veja aqui o vídeo de Lugar Nenhum). Assim também senti o Litfiba. Uma imensa multidão cantava junto a todo instante, conhecia todas as letras em comunhão constante. Mais que saudades de casa, pensei no lógico: como somos ignorantes! Era uma época de transição (como parece ser quase todas as épocas). Mas ainda precisávamos pescar muito nossos interesses. De vez em quando éramos pescados pelos nossos próprios interesses. Nesse show do Litfiba, na cidade de Prato, vizinha a Florença, a banda me pescou de forma surpreendente cantando uma canção sobre Lampião:
CANGACEIRO - Litfiba
Bandido nel Sertao / devo urlarlo al mondo così il mondo lo saprà / que viva, que viva, que viva, que viva / Eh, Ah, / Viva Cangaceiro,viva cangaceiro / Ah, Eh, / Viva Cangaceiro, viva cangaceiro / Vola cavallo vai / non sento niente non ho paura / mi han detto: "E 'pura la fantasia, fantasia / "Sì sono "El Capitao" / il samba è giusto ma è la festa che non va, no! / Ti dico per chi sto, tu dillo per chi stai: / devi urlarlo al mondo così il mondo lo saprà! / Ah, Eh, / Viva Cangaceiro, viva Cangaceiro / Bandido! / Se la terra è tonda e se il mare è blu / da che il mondo è mondo il forte vince e non sei tu! / Se la terra è tonda e se il mare è blu / da che il mondo è mondo il forte vince e non sei tu, no! / Non sei tu, non sei tu, no, no, Cangaceiro! / Bandido, Bandido!
Veja aqui um vídeo de uma outra canção do Litfiba: a clássica El Diablo.
Quantos Titãs, Litfibas, Nina Simones e Bennys existem por aí. E mesmo com a facilidade internética dos novos tempos, quando nem mais precisamos pescar com tanto peixe boiando, a contradição é que ainda assim muitas vezes esse mar não tá pra peixe.
A globalização tem o mar e a isca. Resta saber em qual dos dois vamos cair.
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [13:36] |
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| 16.10.07 |
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DICAS DE VIAGEM
Nesse feriado fiz uma grande aventura. Primeiro aproveitei a dica do mano Mário Ivo que já pegou carona na dica de Augusto Lula e viajei para o Canadá, Uruguai e... Enfim, fui conferir o diário de filmagem de Fernando Meirelles.
 Enquanto filma seu quinto longa-metragem, "Blindness - Ensaio sobre a Cegueira", Meirelles nos presenteia um blog que é uma verdadeira viagem ao processo de criação: http://www.blogdeblindness.blogspot.com/
 Depois fui ao México e me envolvi numa confusão dos diabos. Conheci uma galera barra-pesada que fazia rinha de cães, um ex-terrorista, uma bela modelo amante de um cara casado, e ainda participei de um acidente mordendo tudo! Você pode pensar que merda de viagem foi essa. Pois eu lhe digo, caro leitor, cara leitora, que você já deve ter visto essa viagem ou pelo menos ouvido falar dela. Senão vá direto conferir em alguma boa locadora de dvds AMORES BRUTOS (Amores Perros) de Alejandro Gonzalez Iñárritu (só faltava eu assistir a esse filme da trilogia completada com 21 Gramas e Babel). O início da parceria de Iñárritu com o argumentista também mexicano Guillermo Arriaga traz, como sempre, uma viagem ao profundo "hetero-gênio" humano. Eu cheguei atrasado alguns anos para essa viagem, mas na rinha humana que vivemos o bilhete tem validade para muito mais. Somos todos rinha do mesmo saco! E não vou ficar aqui pedindo perdão pelos trocadilhos infames. Assumo que tenho essa doença: é a minha maca registrada!
 Também fiz um cruzeiro pela Itália. Mas uma amiga nossa sumiu numa ilha bela e árida. Procurando a moça desaparecida, apaixonei-me por Mônica Vitti e tive uma nostalgia insólita: senti saudades de um tempo que não vivi, onde havia tempo para crises existenciais e o cinema era antes de tudo Antonioni... Se você não vai dizer "já vi esse filme antes", pegue o barco para L'AVENTURA. Mas cuidado para não enjoar com a beleza do vazio existencial! Leia aqui um texto escrito por Antonioni em 1964 (SEIS FILMES) no qual o diretor conta, entre outras revelações, como lhe ocorreu a idéia desse filme.
 Fiz a incrível Rota da Seda com Jamal. Jamal é um refugiado de 12 anos de idade, e de muito mais de densidade. Saindo do Paquistão até Londres, peguei carona nesse road movie de tirar o fôlego (literalmente falando). Para essa viagem você tem que pegar Toyota, ônibus, entrar escondido e quase morrer sufocado num caminhão de carga... E o caminhão por sua vez vai entrar num barco que vai atravessar o... Você acredita em destino clandestino? Bilhetes para essa viagem só em locadoras benditamente suspeitas. O diretor inglês Michael Winterbottom varre fronteiras com um realismo chocante e tocante: junta ficção e documentário e nos une ao drama dos refugiados em meio aos contrabandistas de gente. Comércio humano em roleta russa! O filme NESTE MUNDO nem parece ser desse mundo. Mas como é!
 Como estava me sentindo claustofóbico devido às viagens anteriores, resolvi fazer outras viagens mais leves. Dessa vez não fui comprar a passagem em guichês, mas em clichês. Para não dizer que não falei de Hollywood, fui aos EUA, mas precisamente à Califórnia, e numa Kombi. Bem que poderia ter sido a Kombi nova do meu amigo Flávio Freitas... Mas foi numa Kombi velha de uma família tentando ser família a caminho do concurso PEQUENA MISS SUNSHINE. Não foi só uma viagem de automóvel, mas uma viagem de auto-ajuda. Em ritmo de comédia, e dentro da média - como a maioria das viagens hollywoodianas, foi uma viagem apressada e um tanto previsível. Mas foi uma viagem bonitinha. Veja aqui um trailer do filme.
Também viajei num trailer pra lá de alternativo com outra família raríssima. FAMÍLIA RODANTE é um road movie que sai de Buenos Aires para um casamento na fronteira com o Brasil. A família em suas varias gerações vai lavando a roupa suja no trailer terapêutico, e se acertando entre socos e risadas e... Bem, eu não queria contar o final, mas tenho que dizer como gostei da vovó da família ter ficado na fronteira para começar uma nova viagem. A vovó não voltou. Ficou lá, olhando para o Brasil do outro lado. E eu também. Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [15:29] |
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| 12.10.07 |
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Bilu tetéia
"Quando eu era pequenino, a minha mãe dizia: bilu bilu bilu, bilu tetéia"...
Quem se lembra dessa canção?
Stanislaw Ponte Preta já dizia: "pobre daquele que não guardou consigo um pouco da infância".
Eu lembro dessa e de muitas outras canções, como uma muito especial que a minha mãe cantava: "Madrinha Célia cadê Caritito que ele está aqui aos berros e aos gritos / Madrinha Célia Caritito vem ver / que ele não deixa nada se fazer"...
Exagero. E minha mãe sabe disso. Eu era bonzinho. Fujão. Mas bonzinho.
Das minhas fugas a mais épica foi para a então chamada na época Praça Pedro Velho (hoje Praça Cívica). Eu era muito pequeno mesmo, mas consegui sair da nossa casa e da nossa rua em Petrópolis e caminhei até a praça. Quando voltei, minha mãe perguntou:
- Onde você andava, menino? - No inferno das cuias!
Mas minha infância era o céu. Tanto que eu não queria crescer. Até hoje. Sofro da tal Síndrome de Peter Pan.
Veio dessa época de descobertas de um novo mundo também a descoberta do mundo novo da poesia. Manuel de Barros diz que procura chegar ao "criançamento da palavra". E que primeiro se apaixona pela palavra, para depois buscar seu significado.
Um dia, ou melhor, uma noite, enquanto eu esperava meu pai voltar para casa de uma reunião, me apaixonei pelas dobras de um papel branco. Era incrível o poder transformador daquele papel que acabou virando uma vela de barco em minhas mãos. Feito Manuel de Barros, deixei a vela provocar um poema que escrevi para meu pai. Como comecei a ficar com sono, fui dormir e deixei o poema me representando, escrito sobre o papel transformado em vela de barco:
VELA DE BARCO É VELA BRANCA VELA DE LUZ É AMARELA PODE DIZER A QUALQUER VELA QUE ME MANDE UMA PÉROLA!
Como diz a canção do ministro: "é a porção melhor que trago em mim agora, é a que me faz viver". A porção lúdica e sensível - que junta a porção mulher com a porção criança. Continuo mergulhando em busca de pérolas, com a vela aberta!
Carito
Os Poetas Elétricos em cartaz - by Gabriel Novaes fazendo arte SOMOS CRIANÇAS BRINCANDO COM AS PALAVRA'SONS...
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| por Os Poetas Elétricos [13:40] |
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| 11.10.07 |
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Isso está me cheirando a...
Deu na revista Carta Capital que deu na Veja que Che Guevara não gostava de tomar banho, que ele era fedido!
Marcio Alemão da Carta Capital comentou:
"Eu não sabia disso, mas, a partir de agora, passo a odiá-lo. Pelo que lutou e morreu, pouco importa. Como é que alguém pode querer mudar as coisas no mundo se nem ao menos cuida de sua higiene pessoal?
Em breve, o profundo jornalismo investigativo vai descobrir que Marx soltava pum de maneira incontrolável. Engels tinha mau hálito. Fidel tem uma frieira crônica que adora coçar.
Também comprovam que a famosa frase que diz respeito a endurecer sem perder a ternura não passou de uma bravata. Che declara que estava pronto para fuzilar seus inimigos, sem piedade.
Essa parte mexeu comigo. Eu jurava que nas guerrilhas, principalmente as chefiadas por Che Guevara, os inimigos eram convidados a comer uma empanada, cantar cantigas de roda e, eventualmente, renderem-se com um gostoso abraço."
Eu assino embaixo.
E não é só Che que assassina em cima, sem perder a catinga jamais...
Em outro tipo de catinga, na verdade caatinga, lá dentro do sertão, Virgulino Ferreira assassinou em cima, em baixo... diacho de destino dos Robins Hoods da vida! Virgulino Ferreira, o Lampião, provocou a morte em nome da polêmica do cangaço. Mesmo a avó da minha mulher, uma senhora humilde e honesta, me narrando Virgulino como o diabo, eu ainda o vejo como aquele importante anti-herói, underground, alternativo, cult. Principalmente quando eu soube que ele era arrojado, sofisticado, gostava de perfume francês e de se arrumar muito bem vestido para ir anônimo-do-mato ao cinema de famosos com Maria Bonita na capital de Pernambuco.
Imagine! Um cara que gostava de perfume francês e de cinema não podia ser bandido.
Já o outro anterior, matador fedido, só podia ser bandido. E um aventureiro! Imagine que ele antes de querer fazer a tal revolução, ainda resolveu brincar de viajar de moto, só para conhecer a América Latina. Pode?
Isso tudo me cheira... a confusão! Estou confuso. É complexo e diverso.
E sendo ambos, mesmo incomuns, fazedores da revolução em nome do bem comum, qual dos dois hoje vivos seria escalado para a complexa e diversa Tropa de Elite?
Então se os feitos de Che agora mudam com a catinga, os fatos de Lampião mudaram para mim com o perfume.
Lampião inventou o perfume fora de época.
Isso tudo continua me cheirando a confusão: é certo que não se podia cutucar Lampião com a Guevara curta!
O homem era requintado. Inclusive nos requintes de crueldade.
Pelo que estou não entendendo, a revolução entre Lampião e Che se diferenciava pelo perfume ou pela falta dele.
Isso está me cheirando a tocaia para Che - e dessa vez por parte de Lampião: o cangaceiro ainda tem a seu favor uma lenda que diz que ele só queria tomar um banho, de mar, lá na Praia de Ponta do Mel (único lugar do mundo onde a caatinga encontra o mar). Dizem que ele vinha do sertão em direção ao mar para isso. Mas no meio do caminho havia uma pedra - chamada Mossoró (ou uma chuva de balas). Os mossoroenses não deixaram Lampião passar adiante para tomar banho de mar em Ponta do Mel. Isso é que é crueldade.
Como já comentei antes, a avô de Joane, Dona Maria do Carmo, quando era criança, testemunhou uma passagem de Virgulino Ferreira lá por perto de Mossoró. Ela conta que quando ele passou por perto do sítio onde ela morava tudo se calou: grilo, bicho, vento e as crianças que pararam de chorar e assim não chamaram a atenção de Lampião.
E de vez em quando o mar se cala em Ponta do Mel. Como se ainda estivesse esperando ele chegar. E fica no ar um gostoso e intrigante cheiro de perfume francês... Viva a revolução!
Carito
Lampião e Maria Bonita em cena do filme BAILE PERFUMADO.
 Ernesto Guevara e seu amigo Alberto Granado em cena do filme DIÁRIOS DE MOTOCICLETA.
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| por Os Poetas Elétricos [12:06] |
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| 8.10.07 |
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Segundas intenções
A terça tinha muito ciúme da segunda com o domingo, e sempre repetia a mesma ladainha:
- Ela está sempre perto dele. Toda semana é assim.
Os outros dias pensavam diferente. A quinta, por exemplo, não agüentando mais, disse para a terça:
- Deixa a segunda pra lá. E eu não sei o que você vê no domingo. Ele é um saco!
E a terça disse para a quinta:
- Sinta! É porque você tem uma quarta na manga!
Mas a sexta saiu em defesa da quinta, e disse para a terça:
- Não vamos entrar nesse jogo. E a segunda, coitada, já é tão discriminada... Ninguém gosta dela!
A terça realmente não se conformava com a situação, então retrucou:
- Discordo. Os work-aholics a adoram. E nas outras situações ela se aproveita. Por exemplo, não posso eu, terça, ser um feriado, que a segunda já se faz de coitadinha e quer ser enforcada... Ela é cheia de segundas intenções...
O sábado chegou atrasado para a discussão, de ressaca, como sempre, saiu em defesa do domingo:
- Eu até gosto dele. É um bom vizinho... Tão bom para descansar...
E a terça indignada gritou para o sábado:
- Você só pensa em festa!
A segunda, não agüentando mais, fechou a situação, chegando (literalmente) junto da terça, lhe dizendo:
- Terça e apareça!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [21:47] |
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| 6.10.07 |
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A Última Sessão de Cinema
Enquanto lemos ótimas críticas mais ou menos recentes ainda sobre o nosso primeiro cd, no Canto da Sala e na DropMusic, saímos da sala de cinema com o cérebro tonto e o segundo filme pronto. Filme? E não era disco? Sim! Disco e voador... risco, amor e dor... ficção e fricção... E tudo vira filme, real e imaginário, onde projetamos sonhos, navegamos ócios e anos... Quantos anos!!! Desde 2005 começamos o roteiro desse segundo filme... Quantas sessões... no nosso homestúdio móvel - na fazenda Mangueira, no ap de Edu e Michelle... E no Estúdio Megafone desde junho...
Nessa última quinta tivemos nossa última sessão de cinema no Estúdio Megafone... despedimos-nos de Aline Alone, Tina (a aprendiz), a Moça de Moçambique, Mônica Doidecafônica, a Lua de Lia, Amanda e o Mandarim... no fim que não é fim... Os personagens vão viajar em suas próprias mensagens...
A criatura vai tomar vida própria, o segundo disco está pronto... para voar!
Edu sempre cita a frase de um produtor que diz: "um disco não se termina... se abandona".
Então chegou a hora de abandonar o barco, para virar barco e flecha, barco-íris nos olhos de jabuticaba que nunca acaba...
Carito
P.S: Estamos preparando a base de lançamento do nosso segundo cd voador para dezembro, provavelmente na Casa da Ribeira... Em breve confirmaremos lugar, data, etc. A produtora Keila Sena nos acena para reunião logo mais...
Making Of:
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| por Os Poetas Elétricos [09:48] |
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| 3.10.07 |
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O quarto azul Hoje é aniversário do meu irmão Mário Ivo. Tem festa na Cidade dos Reis.
E quero fazer uma homenagem a esse meu mano mais novo que se tornou mais velho para mim, pela densidade, por ser sempre uma forte referência cultural para minha vida. Faço uma reverência por aqui aonde vou postando uma foto do piso do nosso quarto-trampolim: o quarto de som onde fomos criados e recriados juntos, de onde saltamos para o mundo da vida louca vid'arte para toda parte! O nosso quarto azul! Hoje vendo de longe, sei que a terra é azul porque nosso quarto era/é azul! "É" presente histórico - em algum lugar do passado, em algum lugar do futuro. Eis então nesse dia especial, meu presente histórico espacial para meu mano Ivo no imageMário...
Encontrei o mesmo piso do quarto azul na academia onde faço ginástica agora. Coincidentemente, próxima a nossa antiga casa do quarto azul.
Lembro agora que muitos anos depois que saímos da nossa saudosa casa no bairro de Petrópolis, me encontrei com a minha ex-namorada Kalina, que casou com o DJ Maccaco, e me contou na época que estava grávida da sua primeira filha que tinha feito um exame no quarto de som! É que a nossa casa foi transformada na "Clínica da Mulher". E Kalina, que freqüentava nossa casa e nosso quarto de som, fez um exame na clínica em uma sala exatamente onde era o quarto azul!
Então, meu irmão, eis aqui um pouco de nossa base, de nosso ácido artístico-existencial. Pise firme. E salte pra cima!
Estou com você e abro: o coração!
Apesar de aparentemente separados, em casas distintas, ainda estamos juntos, no mesmo quarto de som todo azul! Quarto de som, quarto de sim!
Sim, a terra é azul! Porque nosso quarto é azul!
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [12:14] |
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| 1.10.07 |
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O Banquinho Mágico
- Daí de fora dá para ver o que tem lá dentro? Dá para ver alguém lá dentro? Achamos estranha a pergunta do homem. É certo que ele chegou pedindo licença e tudo mais... Mas sua chegada nos surpreendeu, e mesmo ele pedindo licença, estranhamos a pergunta e o próprio homem. Ainda assim fomos educados e respondemos: - Não! Não dá para ver. O vidro do restaurante tinha película e realmente não dava pra ver nada dentro do restaurante. - Pois lá de dentro dá para ver tudo aqui fora. Ele continuou. Novo estranhamento. O que será que esse cara está querendo dizer com isso? O que será que ele está querendo? Pensei intrigado. Ele foi se aprofundando aos poucos no que queria nos dizer até revelar que estava nos observando e nos admirando de sua mesa lá de dentro do restaurante. É que eu e minha nova amiga resolvemos sentar em um banquinho em baixo de uma árvore, num canteiro da rua, em frente ao restaurante onde almoçamos. Depois que almoçamos, minha nova amiga me apresentou ao banquinho e conversamos bastante até o homem chegar e nos interromper. O homem ainda nos disse que ele chegou, almoçou, saiu do restaurante, foi até o carro estacionando em frente a nós, e nós não o notamos em nenhum momento. E nos disse ainda: - Vocês fazem a diferença desse lugar! Fiquei lá de dentro imaginando o que tanto vocês conversam... argumentam, gesticulam, mudam de posição no banco... Ele nos falou de forma bastante empolgada sobre como nós éramos contagiantes ou algo assim, apaixonantes... Depois se despediu sorrindo, como se tivesse ganhado o dia por ter nos observado e nos sentido à distância. Esse foi o clima do meu primeiro encontro real com minha nova amiga virtual. Além da troca de figurinhas entre 02 escritores, blogueiros, além da admiração mútua, além do nosso inusitado encontro com o homem inusitado, sinto que a frase do diretor Karim Aïnouz, em entrevista nos extras do dvd do filme "O Céu de Suely", determinou a magia do nosso primeiro encontro sem medo de ser feliz e sem medo de ser infeliz: - "As pessoas tornam-se apaixonantes quando se mostram vulneráveis". E assim nos vulneramos, eu e Sheylinha. Sheyla de Azevedo, do blog Bicho Esquisito, grande escritora, jornalista, uma espécie de Clarice Lispector potiguar, cujo texto tem a magia de transformar o cotidiano em algo muito especial. Dessa vez seu texto saltou do monitor e ganhou a rua, o restaurante, o banquinho, e se transformou em magia num encontro real. Estávamos, desde sempre, marcando um encanto.
Imaginei então criar uma história chamada "O Banquinho Mágico". Sobre os poderes que um banquinho exerce em quem nele sentar. Ele é um banquinho que mesmo longe da praia, traz a maresia. Mesmo com tantos edifícios ao redor, traz o vento livre. Mesmo para as pessoas sem tempo, traz todo o tempo do mundo. Mesmo entre pessoas que não se conhecem tanto, traz a mais profunda amizade. Existe um banquinho desses em cada canto do mundo - cidade, bairro, rua, coração fechado ou lugar aberto, ele é abrigo certo. Experimente.
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [23:05] |
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