30.9.07
Nada como um dia atrás do oito!

O dia saiu atrás de ser o número um. Mas caiu no primeiro de abriu e viu que era tudo mentira!

Depois foi querer ser o segundo, mas segundo lhe informaram, perdeu a vaga por um segundo.

Quando foi para o três, foi meia e já: levaram o dia para dentro do quarto.

Foi quando ele percebeu que ele ficou de quatro e não gostou. E o quarto estava escuro, o cachorro latia lá fora... Enfim, foi um dia de cão, e ele resolveu apostar no cinco.

Mas ao pegar no trinco do quarto para sair, o trinco quebrou e pulou pra cesta.

Já era a sexta tentativa e o dia já cansado lembrou que Deus criou o mundo em seis dias, e antes que o dia entrasse num oito ele resolveu seguir o exemplo de Deus e descansou no sete. Foi do sete que ele recebeu a declaração: - Dia como te amo!

Nada como um dia atrás do oito!


Carito
por Os Poetas Elétricos [10:29]
26.9.07
uma ruma de ummagumma uma ruma de ummagumma uma ruma de ummagumma uma ruma de ummagumma uma ruma de ummagumma uma ruma de ummagumma uma ruma de ummagumma...

ummagumma é o título de um antológico disco do pink floyd. para muita gente esse disco acabou virando sinônimo de cult, psicodélico, experimental, etc e tal.

sinto que falta mais isso para esse mundo sem rumo: uma ruma de ummagumma!

fiquei imaginando se fosse fabricado uma goma de mascar assim, com essa manha. que em vez de provocar cárie, provocaria carrie, a estranha. em vez de fazer cair o dente ali, faria implantar um dante ali... ghieri! mascando arte para qualquer parte! se o chiclete já funcionou para as invenções de magaiver, imagine um chiclete noutro plano - com esse toque pinkfloydiano... reinventando o jogo da vida, batendo/fazendo a maior bola!

uma ruma de ummagumma de mascar! grudando no mundo!

carito
por Os Poetas Elétricos [21:14]
25.9.07
EM TERRA DE REI QUE TEM OLHO É CEGO!

O post anterior me lembrou um causo que aconteceu em terras cearenses, pelas bandas da praia de Ponta Grossa, próximo a Canoa Quebrada. Foi num barzinho na beira da praia. Eu e Joane acabamos nos entrosando com a mesa vizinha e o dono do bar. Numa praia quase deserta, num dia vazio e hoje já distante, mas com aquele instante aqui registrado.

A mesa vizinha "era composta" por um inglês e sua simpática namorada cearense. Nada de sexo-turismo. Namoro "normal" mesmo! É importante a gente entender que isso também pode acontecer: europeu branco + morena nordestina também pode ser igual a uma coisa legal (legal em todos os sentidos).

Ambos moravam em Fortaleza e tinham ido passear naquele dia pela chamada "Costa Leste Cearense". No nosso caso, o destino foi ir um pouco mais além do oeste potiguar. Então se encontraram leste e oeste, Ceará e Rio Grande do Norte, Brasil e Inglaterra, e casais até então desconhecidos um do outro.

Muita cerveja e papos legais e o inglês também até que era legal. Digo "até" porque ele estava assim legal até certo ponto da conversa. Mas parece que ele teve uma pontualidade britânica para passar do legal para o ilegal. O ilegal foi o preconceito, mesmo às vezes acontecendo de forma inconsciente. O problema foi que a partir de uma certa hora o inglês começou a demonstrar um certo ar de superioridade para conosco, pobres nordestinos mortais! Aquela velha história ignorante de alguns ignorantes estrangeiros acharem que nós somos ignorantes. No caso específico, acho que o inglês pensava que nós éramos seus súditos. É verdade que muitas vezes nós brasileiros nos calamos frente a certos abusos estrangeiros. Quantas e quantas vezes o terceiro mundo se curva diante do imperialismo do chamado primeiro mundo! Mas claro que não deixamos por menos (até que nem tão súditos assim). E até a namorada do cara, que eu me lembre, também rebateu alguns comentários pra lá de equivocados feitos por ele. Mas o que me chamou mais a atenção foi um certo comentário do dono do bar, um pescador local. Local e orgulhoso de ser brasileiro e nordestino. Depois de uma série de comentários chatos sobre o Brasil e seu povo, feitos pelo inglês, o dono do bar falou:

- É estranho... Ele vem de uma terra que ainda tem rei, e ainda acha que é mais civilizado e adiantado que a gente!!!



Carito


COSTA LESTE CEARENSE (Foto: Carito)

por Os Poetas Elétricos [01:03]
22.9.07
Maria Antonieta é pop e o cheiro do ralo é cult!
Uma associação de mau gosto entre 02 bons filmes

Quando eu era pequeno realizei uma experiência insólita e literalmente de gosto duvidoso. Ou melhor, de mau gosto mesmo, gosto ruim, não sei o que deu em mim. Mas num certo dia, quando eu estava no banheiro da nossa casa, depois de fazer as minhas necessidades, surgiu do nada uma outra e estranha necessidade, e eu resolvi saber que gosto tinha... a... merda! Pronto! Já disse. Já escrevi. Não sei se vou ter coragem de publicar. Acho que sim. Afinal, criança é criança. Será que eu já estava tentando me preparar para as merdas da vida?

Nessa semana assisti aos filmes "Maria Antonieta" (de Sofia Coppola) e "O Cheiro do Ralo" (de Heitor Dhalia). E acabei fazendo uma associação entre os filmes: a ADPQENM (associação das pessoas que estão na merda).

O que é que os 02 filmes têm em incomum?

Bem, o filme "Maria Antonieta" mostra a merda de várias pessoas: o povo da França na merda, e também a realeza na merda. Enquanto a população passava fome, a nobreza passava ridículo. E Maria Antonieta ao sair da Áustria fez uma grande merda, justamente porque se conscientizou dela. Quis sair da merda à francesa e aos poucos foi entrando numa maior ainda. Talvez seja mais adequado dizer que ela fez uma "entrada à francesa". A diretora Sofia Coppola não só tratou de um fato histórico real, mas principalmente fez um filme sobre uma mulher, sobre uma jovem. Ser jovem é ser pop, com desejos, transgressões e viagens de jovens, não importa a época nem o épico. A trilha sonora é impecavelmente pop e transgressora: Siouxsie and The Banshees, The Cure, Gang of Four, New Order, Strokes, etc. A expressão aqui reinventada por mim "tema nas bases" é por causa do tema do filme ser pop assim, pois temer as bases e não querer estar na merda é um tema popular e pode sempre representar uma revolução. Maria Antonieta viveu entre as bases não sólidas da decadente realeza de então e outras ascendentes bases bem mais capazes: as do povão. Mas também viveu tremendo nas suas próprias (e impróprias) bases. O filme não fala apenas de revolução francesa ou de saída à francesa... mas entra na revolução pessoal de cada um, humaniza a história, inquieta a memória, e por isso talvez seja essa uma das razões do filme ter sido vaiado no Festival de Cannes pelos súditos franceses contemporâneos. É a sina da guilhotina, ainda hoje em dia: agora querem a cabeça de Sofia!

http://www.facasper.com.br/cultura/site/critica.php?tabela=&id=90


Quanto ao filme brasileiro "O Cheiro do Ralo", ele é cult: na forma como foi feito, na história do livro em que foi baseado, e também joga merda pra tudo que é lado! O personagem principal representado por Selton Mello é terrível. Mas diz coisas terríveis que às vezes pessoas teoricamente não terríveis um dia querem dizer, e até dizem, ou pelo menos pensam. O filme é humanamente incorreto? Pode ser, mas o mundo está repleto de gente violenta assim, que tanto bate até que fura, que prefere o não ao sim, e fere quem não adere a seu mundo cruel. O céu foi pro beleléu e o inferno é aqui! Mas o personagem que vivia sob o cheiro do ralo, tem um estalo quando percebe também outro algo bem na frente do seu nariz: uma bunda feliz, que lhe inunda e lhe diz... pensamentos mais além - humaniza esse explorador de gente que está na merda, e também mostra a merda de vida do explorador de merda!

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2235

O cenário é um caso à parte, e totalmente integrado no todo. Nisso o filme também não falha - diante de tanta tralha não tem trilha sonora, tem tralha sonora! A banda Apollo Nove move a nossa cuca que vai embora para essa atmosfera cult-brasuca.

Se Selton Mello sai dessa história fazendo o melhor papel de sua vida, Maria Antonieta entrou na história fazendo o pior papel pra sua morte. Que merda! Acho que a que eu experimentei quando criança não era tão ruim assim.


Carito
por Os Poetas Elétricos [02:28]
18.9.07
As cores do preconceito

A situação está preta! Então vamos clarear as idéias. Mas deu o maior branco. Amarelou!


Carito
por Os Poetas Elétricos [14:24]
16.9.07
Ana após Ana...

Onde encontrar outra Ana em chamas? Seu corpo pegava fogo, sua mente explodia, tudo que ela era, ele queria! Mais que o agora de Isadora ou o pra sempre de Celeste. Celeste era uma peste, Clarice nunca lhe disse, Berenice lhe dizia demais, Da Paz não tinha paz... Graça era uma desgraça. Ana sim era massa. Mas era fogo e virou fumaça! Ele foi salvo por Amparo. Mas Amparo não tinha faro.

Depois ele procurou Ana nos homens. João era muito chão, Léo era muito céu, Pedro era muito cedo, Eduardo era muito tarde. Guerra era uma guerra, Isaque era o Iraque, Samir era faquir, e ele achou que Ana podia explodir ali. Mas não. Nem em João nem no pé de feijão, nem em Pedro nem no lobo... Tudo parecia muito bobo.

Então ele passou a namorar somente Anas querendo reencontrar a sua. Ana sua, sua cura. Ele passou a viver na rua. Da amargura. Que sempre dura.

E Ana após Ana ele viveu a busca de um incêndio em seu coração. Até que reencontrou a Ana das chamas e descobriu que ela agora era de águas, cachoeira sem eira só beira do rio, e ele entrou nova mente em cio. Ana era o mar do mundo e ele mergulhou fundo, para se afogar e ninguém lhe salvar!


Carito
por Os Poetas Elétricos [21:38]
15.9.07
PropaGRANAS

Imagine se as propagandas fossem assim:

Por causa de grana, publicitário comunista mente como nunca, e faz sucesso fazendo partido de direita ganhar de forma errada!

Por causa de grana, arquiteto ambientalista pra comprar seu teto vende lista de projetos para um tal repleto de mal contra o meio ambiental!

Por causa de grana, bancário faz de otário e bobo todo e qualquer cliente fazendo ele ficar consciente e inseguro se não fizer o seguro!

Por causa de grana, menininha doidinha que não andava na linha, doidinha pra ser poetisa, abandona sua revolta e tudo que é belo, mas incerto, e nem avisa: pega o trem de volta para o futuro certo, e a mesmice, restabelecendo o elo, com a caretice, quase perdida, e troca a carreira da madrugada, pela mais pedida, carreira de advogada, rogada. Muda o curso, faz concurso, e doutora (do tipo poetisa desfeita), deixa de procurar a dor, para ser procuradora (do tipo suspeita)!

Por causa de grana, músico alternativo troca som criativo por um mais chamativo e bobo, sonhando tocar na Rede Globo!

Por causa de grana, piloto campeão vira espião e quase que se Ferrari, mas escapa ileso, mas não iliso, usando sua imprópria fórmula única para os seus anseios: os ruins justificam os meios!

Por causa de grana, cabeleireira é cria de indústria cosmética sem ética e ainda cria uma campanha intensa provando que O CREME COMPENSA!

Carito

Essa legião de gente ruim propaganda em mim - não sei mais quem sou, porque "todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou"... Nesse Renato sem cachorro, o clima tá + Russo realmente: "vivemos num mundo doente"...

por Os Poetas Elétricos [01:15]
13.9.07
Fiz uma nipo-inspiração!

Desde criança vivo dessa herança - do imaginário lendário de cavar na praia um buraco no chão e encontrar o Japão... Um dia tanta areia tirei que cheguei a encontrar uma luz vermelha como um sol lá no fundo - acho que era o oriente querido, na fenda que se abriu da lenda a me buscar... e a libido, da sashi'mente sushi, mergulhou no sashi'mar...


Carito
por Os Poetas Elétricos [23:01]
11.9.07
Viajando (ainda +) no feriadão...
Aproveitando o feriadão da independência para viajar de uma forma independente... com...
...passagens para...

1. Espanha

Assistindo VOLVER de Almodóvar, volto mais uma vez a Espanha onde já morei e depois passeei. Almodóvar não é um amigo real como os que lá ainda tenho, mas tenho no cineasta um amigo da ficção que me mostra realidades cruéis com humor e lirismo - poesia e azia nos universos paralelos.

"Em Volver (2005), Almodóvar aborda a relação entre mulheres de uma mesma família. São três gerações que, de alguma forma, tiveram problemas com os homens. Estes, por sua vez, ocupam um lugar ingrato no filme. Cabe às mulheres o papel de cuidar e proteger a família, inclusive da violência masculina. Em Volver, Almodóvar trata também o tema do abuso sexual, já abordado em Má Educação (2004), mas agora pelo viés feminino. Trata-se de um assunto delicado, que envolve culpa, medo e vergonha. Esses sentimentos funcionam como subtexto para os desdobramentos do filme. Pairam como fantasmas que separam, mas também aproximam essas mulheres. Através do filme, Almodóvar enfatiza a cumplicidade e o vínculo entre elas, sejam mães e filhas, irmãs ou vizinhas."

"Em Volver, Almodóvar homenageia e rememora o cinema e sua história ao recorrer a uma cena da atriz Anna Magnani no papel de Maddalena Cecconi, do filme Belíssima (1951), de Luchino Visconti. Belíssima trata também a relação entre mãe e filha, o que constitui um belo elo temático entre os filmes. Volver é também o nome do tango composto e interpretado por Carlos Gardel, presente na trilha sonora."

Da crítica de Marília Hughes
http://www.coisadecinema.com.br/matCriticas.asp?mat=2132


Ainda viajando na Espanha, o diretor Alex de La Iglesia se torna para mim um guia turístico pouco convencional e me leva de volta ao centro de Madrid que por sua vez se torna agora também o centro de uma mistura de comédia e suspense em A COMUNIDADE. Destaque para a interpretação dos atores, a maioria escolhida por serem atores de teatro. Um especial destaque para Carmem Maura, que faz a protagonista - por causa de sua atuação nesse filme a atriz ganhou o Prêmio Goya de melhor atriz (o Oscar do cinema espanhol).

"Dinheiro fede, é sujo, mas por ele as qualidades mais genuínas do ser humano são postas ribanceiras abaixo. Todo mundo é louco por dinheiro! Para uns; assim como o sexo e a comida, ele é um prazer que deve ser saciado a todo custo; para outros, o necessário, já é o suficiente. Seja qual for sua relação com o dito cujo, vale a pena ver o filme 'A Comunidade' do diretor espanhol Alex de la Iglesia; que faz analogia em torno do dinheiro de forma criativa, cômica e inteligente."

Da crítica de Clayton Tadeu
http://www.webcine.com.br/filmessi/lacomuni.htm


2. Palestina e Israel

Uma viagem difícil, mas de grande reflexão e aprendizado através do polêmico e didático filme PARADISE NOW. Indo fundo mais que na região de fronteira desses 02 lugares - indo fundo na região de fronteira interior do ser humano, entre várias coisas que faz muito tempo também estão em tempo de explodir.

"Vale a pena ver este "Paradise Now" que, em 2005, foi candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro, apesar de histéricos protestos israelitas. Hany Abu-Assad filma a Palestina e Israel com grande cuidado, sem cair em tentadores lugares-comuns. Boa realização para uma história que não procura indicar-nos caminhos. Em vez de nos dar culpados ou vítimas, apenas acompanha pessoas. Com intriga política, sensibilidade e até algum humor."

http://oterceirohomem.blogspot.com/2006/08/paradise-now.html


3. EUA

Meu amigo e parceiro Edu Gómez adora New York, principalmente andar nas ruas. Meu sobrinho Marcel está lá, nas ruas do Brooklyn e... e também nas ruas virtuais da Google onde tem um grande emprego real. E eu estive agora nas simpáticas ruas da história do filme A LULA E A BALEIA ambientado no início dos anos 80: um drama que dá comédia, e que mostra a contemporaneidade da relação entre os casais ainda na idade média (em vários sentidos). Sobre pais e filhos, sobre trens e trilhos, e num EUA ainda distante do 11 de setembro (data de hoje, dessa postagem).

"Nele, há várias matizes de psicologia que nos fazem compreender até as fraquezas mais patentes, como plagiar uma música do Pink Floyd para ficar bem aos olhos do pai, se esfregar pelas paredes com uma aluna que poderia ser sua filha, passar a mão cheia de sêmen pelos livros da biblioteca ou dormir com o instrutor de tênis do filho."

"Os momentos mais fortes de A Lula e a Baleia não são aqueles em que há uma relação, um diálogo ou um conflito, mas aqueles em que os personagens, sobretudo os mais jovens, são confrontados às suas próprias solidões."

Da crítica de Ruy Gardnier
http://www.contracampo.com.br/79/critalulaeabaleia.htm


Já o filme CAPOTE, também nos EUA, 20 anos antes, no início da década de 60, se baseia em uma história real, e mostra a relação entre o famoso escritor e um dos assassinos cruéis de uma boa família no pacato interior do Kansas. Capote não estava somente colhendo dados para escrever mais uma história - no caso a história desse terrível assassinato cometido sem nenhum motivo aparente. Ele estava também refazendo a sua própria história, em um polêmico laboratório vivo, ainda que um laboratório vivo... condenado à morte? Há sorte? Como matéria-rima para um escritor entre amor-e-dor? O filme toca fundo na logicamente não querida ferida e incômodo paradigma, quebrado até como técnica para se construir mais a fundo um personagem - a pergunta que Capote não quer calar: assassinos cruéis também têm sentimentos? Fiz teatro por mais de 05 anos, com meu amigo-professor-arteducador-ator-diretor Marcos Bulhões, e acho que ele foi o primeiro artista a me ensinar a necessidade fundamental de um aprofundamento radical na construção do personagem, psicologicamente e fisicamente montando-o. Em Capote, tudo vale a pena se a história não é pequena? Destaque para a interpretação de Phillip Seymour Hoffman.

"Antes de alcançar o sucesso, Capote trabalhou como redator na 'The New Yorker', onde seus contos eram frequentemente recusados. Sua obra experimentou um revival nos anos 90, quando a banda pop inglesa 'The Smiths' usou seu retrato na capa de um de seus álbuns."

http://sabotagem.revolt.org/node/387


4. Brasil

O filme ZUZU ANGEL toca noutra ferida - da ditadura militar, e conta a história real da luta da estilista famosa que teve seu filho desaparecido e assassinado, no auge de sua carreira no mundo da moda, e que também foi provavelmente assassinada. Universos paralelos que se cruzam.

Uma nova gravação de Angélica, feita por Chico Buarque especialmente para o filme, pode ser ouvida no encerramento do longa-metragem.

"Angélica foi composta por Chico nos anos 70, em parceria com Miltinho (do MPB-4), em tributo à estilista, morta em circunstâncias misteriosas depois de enfrentar o governo militar para encontrar o corpo de seu filho, Stuart Angel, assassinado pela ditadura."

http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI1089346-EI1267,00.html


5. Inglaterra - Escutando DEATH IN VEGAS.

6. Islândia - Escutando BJORK e SIGUR-RÓS.

7. Finlândia - Escutando PEPE DELUXE.

8. França - Escutando AIR.

9. Uruguai - Escutando JORGE DREXLER.

10. Viajando no tempo - Lendo o livro "CONTRACULTURA ATRAVÉS DOS TEMPOS (de Ken Goffman e Dan Joy), Do Mito de Prometeu à Cultura Digital".

(...) "De fato, muitos dos personagens que acabaram ocupando lugar de destaque nos livros escolares - de Sócrates a Jesus, Galilleu, Martinho Lutero e Mark Twain - eram contraculturais em sua época."

"Esse livro levanta a pergunta 'o que é contracultura?' e identifica os temas comuns que perpassam as contraculturas em diferentes épocas e lugares. Também descreve o importante papel de catalisador de mudanças desempenhado pelas contraculturas no desenvolvimento das grandes culturas, mostrando de que maneira como um todo a cultura surge da contracultura."

(Do prefácio de Timothy Leary).


P.S - Próximos destinos: algum lugar-filme da última BRAVO ("100 FILMES ESSENCIAIS")... ou/e algum outro lugar-música, outro lugar-livro... até quizá - algum lugar-lugar...

Carito


Alguns cartões postais:

LEMBRANÇA DA AMÉRICA DO NORTE, EUROPA E JAPÃO:

A diretora norte-americana SOFIA COPPOLA que também já filmou na Europa e Japão, e usa AIR, DEATH IN VEGAS e NEW ORDER em suas trilhas sonoras...


LEMBRANÇA DA AMÉRICA LATINA:

Cartaz do road movie DIÁRIOS DE MOTOCICLETA, do cineasta brasileiro WALTER SALLES, que tem JORGE DREXLER na bela trilha sonora para a bela trilha espacial...


LEMBRANÇA DE DOIS RIOS (GRANDE DO NORTE e DE JANEIRO) e da BAHIA:

A potiguar ROBERTA SÁ, que canta junto com PEDRO LUÍS E A PAREDE uma ótima versão de "Dê Um Rolê" na trilha do filme ZUZU ANGEL (música dos Novos Baianos, gravada antes pela Fatal Gal Costa).

por Os Poetas Elétricos [07:52]
7.9.07
INDEPENDÊNCIA
Nos clichês a aos clichês...


1. drugs

Gus Van Sant nos faz entrar na letargia dos ÚLTIMOS DIAS de Kurt Cobain. Mais do que a história baseada no intrigante e misterioso suicídio do líder do Nirvana, o que mais me fascinou no filme (que por sinal teve muitas críticas negativas) foi o tempo do filme. Não foi por falta de aviso - o moço da locadora alertou: é meio lentão esse filme! Agora é que eu levo mesmo, pensei. E quando comecei a ficar com sono, não desisti - resisti. Fazia tempo que não assistia a um filme com aquele "time" Win Wenders. Você sente o tempo real do personagem, aquele tempo parado, aquele tempo que parece não ter sido editado para ser filme. E quando alguma edição mais visível acontece é para fortalecer ainda mais esse tempo lento: a narrativa, inclusive, "é muito fluida, constantemente fragmentada para ser remontada a seguir: a mesma cena é vista várias vezes por ângulos diferentes. O filme acontece num recorte de tempo, de poucos dias antes da morte de Kurt. Praticamente é um filme sem ação, quer dizer, mesmo que o personagem esteja fazendo algo em cena, isso não tem importância para o filme. Acredito que isto em particular motiva boa parte das críticas negativas ao filme. Não de todo sem razão: LAST DAYS é quase um filme chato. Poderia ter sido um desastre completo. Não é, graças à competência de seu diretor" (do texto de Janaína Azevedo em
http://revistaymsk.wordpress.com/2007/08/05/ultimos-dias-de-gus-van-sant ).


Para mim o filme é coisa de pele. De sentir a pele da película. E estar na pele dele, num filme que, através de uma (que pode ser considerada hoje excessiva) quietude cinematográfica, passa toda uma inquietude existencial (de outrora?), é ir além do clichê (ainda que sempre presente) sex, drugs e rock and roll. O filme subjetiva a mente e realmente deve chegar a incomodar aqueles que esperarem algo mais objetivo. É como se o próprio filme estivesse drogado - ele, Kurt e o espectador de Kobain, digo, de cobaia! Não sei se vivemos realmente numa democracia, mas a diversidade existe e é sempre bom um representante cinematográfico de um ritmo slow motion, num tempo de ditadura de fast food televisiva a la Malhação & cia. Em tempo (ou fora do tempo): a cultura fast food (meta-eufórica ou não) também pode ser considerada uma verdadeira droga... e lícita!


2. sex

Já o road movie TRANSAMÉRICA conta a história de um transexual que vai fazer a cirurgia para mudar de sexo, mas em meio a esse sonho descobre que tem um filho. Um filme para reflexão sobre quebra de paradigmas, sobre felicidade, coragem, tolerância, decisões, possibilidades... Mais do que extrair um pênis (o que na verdade cirurgicamente é colocar para dentro), o filme fala sobre extrair visibilidades das coisas (o que também cirurgicamente é colocar para fora). E nada fora de foco, nem fora de Focault!

"O filme, enquanto comédia, rende muito bem. Como drama, também. Já em sua condição pedagógica, surpreende ainda mais, porque toca fundo na ferida, expõe muito bem a vida das transgenders e nos leva a um mundo até então complexo, obscuro e pouco revelado" (da crítica de Vladimir Alves de Souza em
http://www.cranik.com/transamerica.html ).


3. rock and roll

Já faz tempo que sinto o rock and roll renovado na eletrônica dando outra tônica, e quanto mais estranha a crônica melhor para mim. THE ERASER é o trabalho solo de Thom Yorke, vocalista do Radiohead. Marcelo Morais, amigo e dono da loja Velvet Café & Música (que reabriu recentemente em grande estilo), onde comprei o disco, ressaltou a possibilidade de a capa ter sido inspirada no universo estético do cordel (xilogravura), e apontou até uma possível e sutil viola nordestina numa canção. O sertão é mais que um lugar geográfico - é um estado... de espírito!


Carito

"The Eraser não só confirma como supera as altas expectativas em relação a este trabalho. O álbum apresenta toda a densa atmosfera já conhecida da banda em dose turbinada, talvez pela liberdade individual de Yorke neste projeto".
( http://territorio.terra.com.br/canais/rockonline/lancamentos/materia.asp?materiaID=1380 )

por Os Poetas Elétricos [08:55]
2.9.07
Minha pátria é minha míngua...

De caso com o descaso, nosso país vai para o raso... Que Taís é esse? É essa... a pressa... inimiga com perfeição: é só Taís na tv, é só Taís que te vê... "Mamãe eu quero ser o Ibope quando eu crescer"... Pessoas morrem nos hospitais não atendidas... E o direito ao grave? É só bola na trave e o entrave continua enquanto mais gente morre nas ruas, nos aeroportos, no céu, enquanto foge o réu... Há algo mais além dos aviões de carreira, da carreira dos aviões, da carreira política dos que estão deitados na Câmara... Eu não sei não, eu não Senado, corrói opção pra tudo que é lado... Enquanto isso revejo a entrevista da minha vizinha Ana Paula no Jô Soares e mudo de ares: sinto-me felizardo por fazer arte e por fazer parte da sua luta contra o turismo sexual infanto-juvenil, protegendo a infância e a adolescência... Essa essência, não pára... doxo: também avança! ESPERANÇA... nesse domingo pé de cachimbo... da paz! O que é que eu faço? O que é que você faz?

Carito
por Os Poetas Elétricos [21:29]
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Palarveando
A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
O Espírito das Letras
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"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

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