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| 30.8.07 |
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QUEM É DO AMAR NÃO ENJOA...
Amar é entrar numa canoa furada. Depois nadar, nadar e morrer na praia. Como um amar'atonista. Visão pessimista? Que nada! Nada mesmo! Nadar mesmo! E achar bom ainda! Geralmente a visão é linda, a praia é linda, até que finda. E o coração da canoa inunda: tanto bate até que afunda! E depois de morrer, renascer para entrar noutra canoa. Que rima e rema numa boa. Mesmo furada, avança! E nessa dança, a canoa balança, enjoa, mareia, faz cara feia, deseja a canoa alheia, vomita de barriga cheia. Mas quem é do amar não enjoa. Não enjoa de enjoar. Mesmo quando o amar não tá pra peixe. Ou sereia. É só não botar areia. "Deixa as águas rolar... eu bebo até me afogar"...
Viva! Mesmo à deriva...
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [13:52] |
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| 28.8.07 |
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A lei do vento livre
Proponho uma lei que garanta o vento soprar, o direito de ir e vir ventar, sem barreiras... Uma lei anti-sequestro para os prédios que roubam nosso vento...
Carito
Xilogravura de Flávio Freitas
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| por Os Poetas Elétricos [21:25] |
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| 24.8.07 |
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O SONHO DAS MANGUEIRAS
Estávamos eu e Edu chegando numa espécie de laboratório e eu aparentemente não sabia o que estávamos indo fazer, mas nossa mente parecia já adaptada para um auto-reconhecimento imediato deixando que coisas estranhas passassem por estranhas somente por alguns frames, como se sendo estranhas fizessem parte de um mundo passado, de filme retrô.
Então minha mente rapidamente se familiarizou com aquilo, como se já fizesse parte de uma rotina, que era avisada à mente e reconhecida pela mesma poucos frames antes da rotina acontecer.
E assim eu e Edu, lado a lado, braços esticados, fomos repor alguma coisa dos nossos corpos. Não! Não era pico, droga convencional injetável, essas coisas de junkies decadentes do passado, embora coubesse ali uma trilha genial de Chet Baker e um ambíguo clima futurista a la Blade Runner.
Havia umas mangueiras, algum líquido de introdução aos nossos corpos. E quando olhei para nossos braços, rapidamente apareceram buracos - a pele foi cedendo, se transformando em micro-cavernas para as mangueiras entrarem.
Mas foram apenas nossos braços em aparentes novos guichês. Faz muito tempo que estamos procurando nos velhos clichês sabermos quem somos por inteiro. Por isso estamos sempre lembrando de... se isso te piegas ou não - das sombras de outras mangueiras... Para continuarmos... dando uma esticadinha também em nossos abraços...
Agora escuto um barulho em fade-in, de outra mangueira: é a estação primeira querendo entrar no sonho...
Outros líquidos de outras mangueiras ainda caem dos olhos, e salgam a boca, e não à língua de distância do coração tá-que-ardia: tão perto que mais certo que a realidade de cada dia... Um sonho cheio de mangueiras e ainda assim nada enrolado. A vida tá muito mais... pra tudo que é lado! Holisticamente percebendo: enrolada e sombreada. Mas enrolada que sombreada no país da carne aval...
Já fora do sonho eu interfiro: viro filme, e tento real: que tal... uma fuga pro Mexico? Una siesta daquelas con un sombrero daqueles? Nem precisa ir tão longe - talvez ir tão monge por aqui mesmo: na luz da Pedra do Rosário, seduz o imaginário sombreado à beira de um condenado Rio Potengi que acena por tingir nosso (ainda possível?) Sena (é realmente uma pena nosso Sena por um triz... puta que Paris!), no bairro bucólico perdido da parte Montmartre de Natal...
Absyntho muito sempre há de pintar por aí...
Carito
PEDRA DO ROSÁRIO (Foto de Giovanni Sérgio) |
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| por Os Poetas Elétricos [20:57] |
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| 17.8.07 |
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Tirei na loteria Para Paula Ortiz
A tarde arde e vou na Limbo e bingo: tiro na loteria! Em tempo (para quem não sabe): a Limbo é uma pequena e deliciosa livraria-café que fica na Avenida Afonso Pena em Natal, dos amigos publicitários Gabriel Novaes e Márcio. E a "Loteria" é uma nova canção (ainda inédita) da novamiga Paula Ortiz, musa cantante da banda Eletro-Brilhar, que tive o privilégio de escutar via arquivo in loco, in Limbo, in computer, que o Davi me mostrou, quando cheguei lá na livraria tarde dessas...
Assisti uma apresentação da banda Eletro-Bilhar numa previa do Festival DoSol e vou transcrever abaixo o que escrevi para essa eletro-moçada a brilhar (o texto TACO CERTEIRO). Mas antes quero ainda comentar sobre a loteria desse dia, dessa tarde na qual Davi comentou com a força de Golias: - A Paula tava meio mal e fez essa canção! E eu escutando aquela canção sofrida, bela, triste, tenho que te desejar Paulinha, algo meio insólito, em nome da arte: continue sofrendo, para nos fazer tirar na loteria tardes cinzas de blues, lágrimas de chuva quente - item "abrigatório" para quem quer ir fundo na alma...
paula atina a mente...
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TACO CERTEIRO
- Tá me reconhecendo? - Claro! - Tem certeza? - Claro! E um bom show pra vocês! Falei pra Danina.
Depois comentei com Michelle na plateía. É que Danina felina não sabia que ela não era a primeira menina show-woman que eu conhecia que se vestia de drag-queen. Michelle Regis na veloz-cidade dos já quase velhos tempos do Elektra mandava ver na "pós-dução". E produção pós-moderna também é uma marca (literalmente) da banda Eletro-Bilhar. Paula deixa tudo por um triz... por Ortiz... a bilhar nossos navios e explodir nossos pavios - marca com unhas e dentes e pernas pra que te quero e caras e bocas e gritos e mitos o espaço a passo do palco numa ceeletrobrilhação litúrgica-lisérgica deixando a cuca em rito numa sinuca de bico! O Felipe parece que saiu flutuante da Roxy Music dos anos setenta/oitenta e de Cris chovem lâmpadas de amor sem pressa legal a bessa num som-atitude-altitude-e-pressão que me deixa Maníaco..............................................................
POR VOCÊS EU MORRO DE AMORNÍACO!
Com rito Carito
http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/eletrobilhar/ http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=47838 http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/release.php?id=6540 |
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| por Os Poetas Elétricos [16:01] |
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| 14.8.07 |
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EDU GOMEZ EM NOITE DE BLUES NESSA QUINTA!!!
 Nessa quinta (16 de agosto), às 22 horas, o guitarrista EDU GOMEZ estará se apresentando com banda e convidados especiais dentro do Projeto CLUBE DO BLUES (que iniciou com Flávio Guimarães), no BUDDA PUB, em NATAL. No repertório, suas músicas da época que tocava no Mad Dogs, algumas músicas de Moisés de Lima, mais clássicos do blues e rock, internacional e nacional, como Jimmy Hendrix, Santana, Steve Ray Vaughan, Eric Clapton, BB King, O Peso, etc. Na banda de apoio, Gustavo Concentino na guitarra, Léo no baixo e Samir na batera. Nos convidados: Giancarlo, Michelle Régis e Carito dando uma canja nos vocais. Em tempo: para quem não sabe, Edu Gómez está na cena musical faz mais de 20 anos, em projetos como Lã de Vidro, Banda Z, Modus Vivendi, Mad Dogs, Quase Famosos, Tricor... Nos últimos tempos desenvolve o projeto experimental de música e poesia com Os Poetas Elétricos e o seu projeto solo instrumental, já tendo conquistado vários prêmios com esses 02 projetos. O blues é uma de suas influencias e paixões, sempre com uma forte pegada de hard rock. A noite promete! 
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| por Os Poetas Elétricos [22:00] |
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| 12.8.07 |
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Eu, , meu irmão, meu pai e Nelson Gonçalves
Não lembro se foi no aeroporto de Natal. Mas o aeroporto estava praticamente vazio e quando vi o ídolo do meu pai, tratei logo de mostrá-lo discretamente: Nelson Gonçalves estava um tanto inquieto e caminhava de um lado para o outro. Quando ele passou por nós, nos dirigiu a palavra, com uma expressão de dor, com a mão na barriga, como se nos conhecêssemos:
- Estou com uma azia...
Nunca esquecemos daquele nosso momento íntimo com Nelson... Eu, meu irmão Mário Ivo, meu pai e Nelson Gonçalves dividindo conosco sua azia, na sala vazia... Nosso silêncio e respeito num tempo de aeroporto sem caos. Não houve autografo nem fotos. Só cumplicidade...
E hoje mais uma volta do boêmio no encontro do dia dos pais: cd, dvd de presente, de passado, de futuro: da mesma região da azia, o diafragma feito trovão no temporal solta a voz atemporal que nosso pai nos ensinou a gostar, nos acordando e cantando todos os dias:
"A deusa da minha rua Tem os olhos onde a lua Costuma se embriagar Nos seus olhos eu suponho Que o sol, num dourado sonho Vai claridade buscar"...
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [12:13] |
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| 7.8.07 |
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Bergman, Antonioni... e alguém para trocar a identidade comigo...
"Ontem completou o sétimo dia da morte dos dois cineastas". Assim começa a postagem de hoje do meu mano Mário Ivo que estreou faz alguns dias o maravilhoso blog Cidade dos Reis. http://www.cidadedosreis.blogspot.com/ Seu mano-súdito aqui ainda lhe rouba um pedaço do título de sua postagem para essa minha compostagem de hoje, mas sem agrotóxicos, só velhos e bons tóxicos: afinal vou falar de "Zabriskie Point", "Blow-Up" e "Passageiro-Profissão Repórter" por aqui...
Sempre admirei Bergman, mas pela maldição do rock me mirei mais em Antonioni. Não sou crítico nem coisa nenhuma, só coisa alguma. Ou seja, me contradigo assim que sinto o perigo, assim que quero, não espero. Por isso, caro leitor, cara leitora, não duvide: Antonioni era rockeiro sim! E ai daqueles estudiosos cinéfilos intelectuais que duvidarem de mim, me desafiarem no contrário. Eu tenho a arma do imaginário! E sabe o que vai acontecer com esses que me desafiarem? Nada! E não tem nada pior do que acontecer nada na vida de alguém. Portanto, por tanto mesmo, fique a esmo, meio "Blow-Up", exploda em "Zabriskie Point" e sinta o que senti quando tomei ácido por osmose na hipnose de "Zabriskie Point", quando vi Jimmy Page tocando psicodelicamente numa garagem em "Blow-Up", e vi ali, literalmente, na ampliação das idéias, que a gente pode ver o que quiser...
Agora quero mais: quero trocar de identidade com alguém. Como o personagem de Jack Nicholson em "Passageiro-Profissão Repórter". Cansei dessa vida! No filme, Jack deita e rola na trama, tem até morte. Quero deitar e rolar. Mas não quero morte. Só quero sorte. A sorte de um diretor como Antonioni para dirigir... meu carro comigo pelo deserto vermelho...
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [16:27] |
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