29.6.07
O CINEMA E MEU DESPERTAR SEXUAL
Ou: MEU DESPERTAR SEXUAL FOI COISA DE CINEMA!

Penso que meu despertar sexual, de uma forma mais nítida (forma mesmo!), apareceu na figura de algumas mulheres que, de alguma forma (forma mesmo!), marcaram minha vida.

Sendo assim, o despertar sexual veio junto com o despertar da forma, o que me parece razoavelmente lógico.

Fazendo um resgate histórico desse meu despertar, farei pequenas narrativas de alguns fatos que me impressionaram bastante na minha infância e adolescência. Evidentemente, como se trata de um resgate estético, esses fatos vêm muito bem acompanhado de fotos na memória. Fotos memoráveis. Na verdade, fotos em movimento, ou seja, cinema. O meu despertar sexual e toda a sua essência formal sempre se traduziu de maneira bastante cinematográfica.

Não sei verdadeiramente a ordem cronológica dos fatos, das fotos, dos filmes que ainda rodam nas salas do meu cérebro, boa diversão para neurônios saudosistas. Para os neurônios que restaram, cinema ainda continua sendo uma boa forma de mantê-los vivos.

Sei que em plena forma infantil, eu era uma criança que brincava muito. Comecei a perceber mais o meu pinto e brincar com ele. Um dia, no banheiro da nossa segunda casa no bairro de Petrópolis, não sei exatamente como, comecei a... Sei exatamente que foi muito bom e tenho esse fato como minha primeira punheta. Sem fotos outras, só o sentir. E eu senti muito. Demais. E pensei: Que negócio bom!!! Depois que aprendi, não quis mais parar. Não sei se chegarei a ser um grande poeta, talvez um grande poeteiro...

Outro fato que me marcou bastante aconteceu em um daqueles veraneios de três meses na Praia de Pirangi. Na minha infância e adolescência, costumávamos ir a Praia de Pirangi em dezembro e só retornar à Natal depois do Carnaval. Em um certo veraneio, lembro de ter visto a nossa empregada nua, de costas, quando entrei em seu quarto para chamá-la para descer à praia comigo e meu irmão mais novo. Como entrei no seu quarto de forma muito rápida, acabei por surpreendê-la trocando de roupa. E trocando em miúdos, foi minha primeira grande foto! Ela absorveu minha entrada radical de forma natural, e ainda falou para eu esperar ali mesmo. No entanto, sempre muito tímido, saí do quarto sem jeito, e logo depois, quando descemos à praia, eu não pensava em outra coisa: uma grande e bela bunda branca tomou conta de mim. E ela era realmente uma moça muito bonita. Como uma estrela de cinema.

E meu primeiro filme veio logo em seguida, estrelando essa mesma empregada e seu namorado. Certa vez fomos os três passear até a "prainha" (que era como chamávamos a primeira praia entre a praia de Pirangi e a praia de Cotuvelo, também chamada por nossos pais como Praia do Flamengo, nome oficial na época). Chegando lá, ficamos numa área que chamávamos de "as pedras". Fui sozinho para as poçinhas em busca de peixinhos, e quando retornei encontrei a "minha" empregada e seu namorado deitados na areia, por trás de umas pedras. Ele, por cima dela, adentrava a mão no seu vestido. Com certeza eu ainda não sabia o significado da palavra voyeur, nem o significado do que estava acontecendo. Mais exercitei com maestria o meu voyeurismo, e senti que o que via era algo realmente muito especial. Hoje, acho essa cena muito parecida com aquela em que Burt Lancaster deita com Deborah Kerr na beira da praia. E ali estava eu... A um passo da eternidade! Muito tímido e discreto, resolvi me retirar do observatório, achando que estava fazendo algo errado. Acho inclusive, que esse meu lado tímido e discreto, sempre atraiu as mulheres, ou pelo menos, deixou-as mais à vontade.

Muitos outros fatos & fotos se passaram, se fizeram filmes, que ainda hoje se revelam. Na minha adolescência e pós, a Praia de Pirangi e o bairro de Petrópolis foram cenários de muitos amores platônicos. Os amores atônitos vieram aparecer mais tarde, na fase de "jovem-adúltero", quando Pirangi tornou-se uma espécie de Quartel General para o exército da salvação: os meus namoros reais! Durante a maior parte do ano, a casa era abandonada, e eu e meu irmão (em horas diferentes) literalmente tomávamos conta da casa (e dos casos). Para essa época passada, grandes lembranças e uma grande homenagem, traduzida nesse meu pequeno poema, que sempre hai-cai muito bem:

CALO-ME PELOS COTUVELOS
E FALO-ME
PELOS PIRANGIS

O mais incrível é que esse tempo parece não passar. Vez por outra, hoje em dia, mesmo na-morando firme há tempos com a minha bela musa protagonista do filme real da minha vida, continuo firme no pó de pir-lim-pim-pim que não avisa e abusa de mim na tal Síndrome de Peter Pan, sempre nessa Terra do Nunca, atraído por triângulos de bermudas, de cuecas, nu com a minha poesia. Voyeur, tímido, platônico, atônito... Continuo um eterno e terno admirador das coadjuvantes musas cinematográficas e das mulheres em geral, que nunca é em geral, e sim sempre especiais, específicas...

Jéssica Lange foi uma delas. Lembro do filme King Kong em 1978... a bela e a fera! Fui assisti-lo num velho cine do centro da cidade de Natal (através do filme, para mim, Natal logo se transformou em Nova York). Meus 14 anos de idade sentados numa poltrona, despertando meu Empire State... O cinema descobrindo minha bela, estimulando minha fera. Para essa musa já quase sem blusa fiz o poema que estará no segundo cd dOs Poetas Elétricos:

CINEMA DISTANTE

Jéssica Lange
Já fica longe

Nos anos 80 tive um caso tórrido com Nastassja Kinski. Os amigos brincavam e perguntavam:

- Ela sabe disso?

E eu dizia: claro! Com toda a força daquela paixão, não tinha como ela não saber. E a vantagem dessa relação que antecipou para mim o termo virtual, é que nunca brigamos nem ela se importou com os meus outros casos (e nem eu com os dela): depois amei Lauren Bacall, Isabella Rosselini, Bia Seidel, Linda Fiorentino, Gwyneth Paltrow... "Win Wenders e aprendendo"...

Recentemente tive um relacionamento com Halle Berry e Angelina Jolie, e andei tendo umas quedas por Jude Law - o que quase me fez questionar meus (des)caminhos sexuais... Mas machismos e brincadeiras à parte, por que só Halle Betty pode ser a mulher gato? Hey Jude! Você é o maior gato, fora da law dos homens, dentro da minha melhor poção mágica que mais me ensina: minha alma feminina...

Para mim, inclusive, a mais bela e sensual cena de sexo da história do cinema (independente de opções sexuais) é a cena entre as atrizes Naomi Watts e Laura Harring no filme de David Lynch "Cidade dos Sonhos".

Então meu caro leitor, minha cara leitora, desejo-lhe uma boa noite que agora vou entrar em mais um estado de felicidade dos sonhos... Tenho que responder um e-mail de Charlize Theron...


Carito

por Os Poetas Elétricos [20:14]
27.6.07
liquidificabastidores

Alguns posts atrás iluminaram o atemporal, quando falei que ia falar mais sobre o lançamento do livro e disco de Mirabô. Mirabô, grande músico, compositor e amigo muito querido, grande parceiro de uma grande tropicalista de nomes como Capinam, que teve suas músicas gravadas por Elba Ramalho, Fagner, Maurício Tapajós e Teresinha de Jesus, entre outros ilustres da nossa MPB... Bem, Mirabô... lante... acaba de lançar um livro contando as histórias que viveu com essa intrépida trupe nordestina e brasileira em geral que re-evolucionou o chamado sul maravilha setentista com toda uma genialidade altamente ins-pirada daquela época (o livro se chama "UMAS HISTÓRIAS, OUTRAS CANÇÕES"). O cd ("MARES POTIGUARES"), em tempo, traz o artista interpretando suas próprias canções entre famosas (como "A Quem Interessar Possa") e não menos belas inéditas ou quase...

* * *

E aproveitando a deixa, não posso deixar de postar o poema-letra da nossa poemúsica que Mirabô nos em/canta no nosso segundo cd:

TEMPO DE ESPIO
(Para Joane)

No tempo espio o rio
No rio te encontro mar
No mar amar-te terra
Em marte em ar te acho

Com meu braço de riacho

A cada seguindo
Eu vou te segundo
Seguindo o tempo que acabou de passar
Eu piso fenda
E riso fundo
Eu vou te segundo
Por toda a vida
Que acabou
De ficar

* * *

E a gravação vai de invento em pulp... friccion: Edu Gomez abaixo liquidificando a dor em mais um espere-mental poelétrico...


MILK SHAKESPEARE

Sorver-te

Ou não sorvete

Eis o Milk Shakespeare!

* * *

Na próxima semana tem mixagem... hora de lapidar as pedrinhas... rolando... Poema and roll! Yeah!

Carito
por Os Poetas Elétricos [22:47]
22.6.07
projeto de arrigação

aquela falta de idéias já não estava mais dando pé. eu estava me afogando na sina vazia do meu cérebro. resolvi fazer um projeto de arrigação para o cérebro ficar mais barnabé. voltar a navegar por itamares sempre dantes navegados... e naveguei para assumção não no paraguay... eu naveguei original no itamar assumpção, assum preto da black poemusic - sei que esse não vai me dar o maior branco...

para lhe ser franco, bem walter franco: não se contente com o que tá na superfácil e mergulhe nesse fundo de investimentos pessoais desse mundo off-road: toma lá dakar ou mandar tudo para a puta que paris... você vai na ida eu vou na vodka: o resumo é de cada rum! tim-tim para ficar tan-tan...

carito
por Os Poetas Elétricos [19:10]
20.6.07
Éter ou gênio

O poeta é o pôr do sol vente químico
Que lhe faz mímico
Numa mágica assim
Pir lim por pim pim

Um gênio sem lâmpada
Um gênio da garrafa da rua
Embriagado pelo mar
Aceso pela lua

Éter ou gênio mal compreendido
Fodido ou imortal
O poeta embaixa a dor
E vira ardido cultural

Carito
por Os Poetas Elétricos [21:03]
19.6.07
a rebelião da porca que entrou em parafuso


aquilo não era uma chave de fenda era chave de cadeia chamava sua companheira de porca e fez ela entrar em parafuso até que um dia a porca se rebelou e disse para a chave de fenda: não vem que eu tô de folga!


Carito
por Os Poetas Elétricos [12:18]
16.6.07
OLHAI OS DELÍRIOS DOS CAMPOS...
DE GRAVAÇÃO!

Os campos de gravação são como os campos de aviação, onde as idéias decolam, alçam longos e incríveis vôos... Há os momentos onde fechamos os olhos e deixamos tudo na mão do piloto automático: a criaturartística que toma o manche da vida própria e sai mostrando ao criador que, como diz o Mestre Ambrósio: "há bem mais sóis restando entre as estrelas"...

Na semana passada tivemos vários vôos especiais de auto-reconhecimento... no alto-reconhecimento: a poeletricazinha Sofia debutando seus vocais precoces em cd com apenas 1 ano e 5 meses; a bela voz-densa-lenta-dança del'egante - o amigo e importantíssimo artista poeta, compositor, cantor Mirabô; o não menos mirabolante Antônio de Pádua com seu mágico pano de guardar trompete cavaquinhando descobertas...

O céu do estúdio estrelou de um jeito que estamos realmente acreditando... que estamos fazendo uma obra-prima... obra-irmã-amiga-namorada-amante-mãe-filha... da trilha... da liberdade...
cá-rito repleto de feliz-cidade espacial tomando nota em edu-ré-michelle-so far-sol-em-si-dói...
* * *
Sofia se enfia no aquário do estúdio de espírito com a intimidade lúdico-natural, como quem diz: quero gravar, cadê os headphones que eu quero brincar...

Mirabô se emociona com nosso poema-canção e nós nos emocionamos com sua emoção... E nos presenteia ele mesmo, cada voz mais vivo, em seu novo disco e livro (cenas do próximo post)...

Antônio de Pádua coloca um trompete pra lá de Blade Runner em "Cinema Distante" - de arrepiar até a homenageada: como se só faltasse isso para Jessica Lange se "materializar" ali (ou se espiritualizar ainda mais)... Em "Amanda e O Mandarim", Pádua cria literalmente o "cavaco chinês", e fez daquele dia um mês, repleto de talento nato em fogo fato, consumido, no ato-delírio desses campos poéticos-sonoros-estrelares-doces-lares...
por Os Poetas Elétricos [16:20]
7.6.07
EM NOME DA ROSA (E A QUEM INTERESSAR POSSA):

Para quem quer saber mais sobre essa nossa zona... zona de criação, zona de transição, zona de transação, bendita zona-esculhambação... com as idéias espalhadas espelhadas na mente e nos computa-dores-e-amores equipamentos-sentimentos afins... muito afins de concluir a gravação do nosso segundo cd... zona sazonal quase virtual agora também quase real sem perder a fantasia jamais... ficção e fricção... bendita zona de perigo (perigo de mais uma viagem e perigo de não voltar mais dela)... Estou falando (e estou falhando) sobre nosso segundo cd ESTIRADO NO ESTIRÂNCIO, um trabalho realmente para iniciados: nós mesmos - que o iniciamos tantas vezes... projeto iniciado e reiniciado nem sei quanto tanto e nesse encanto requebrado comunicamos uma luz prateada ciando feito cio do anum... o anun ciando o cio da cria... ação: VEM AÍ NOSSO SEGUNDO CD! ESTAMOS VIRANDO PÁSSAROS ELÉTRICOS ENTRANDO NOVA-MENTE EM ESTÚDIO DE ESPÍRITO!


Gravar Aline Alone foi uma experiência assustadora. Criamos um monstro? Um monstro de solidão, belo e inatingível, como a vida às vezes é... A melancolia invadiu o estúdio de gravação - nosso estúdio de espírito! E ficamos perplexos. Eduardo descobriu que Aline era amiga ou namorada, enfim... ela tinha uma relação com Serafim - do nosso primeiro disco. Serafim foi um cara barra. E tá na cara, da poemúsica, que eles têm tudo a ver, e nos deixam a ver pavios... em tempo de explodir tudo... na poeira da vitrine daquela rua árida... Eu pensava que Aline vivia numa vitrine tipo Blade Runner, mas ela vive num oeste distante, de sol escaldante, chão rachado, coração partido e sangue virado tinta, escrevendo poesia e canção... O lamento de Aline nos deixou alone, mesmo estando a três... ou melhor, quatro com Wilberto que nos lembrou em tempo que o nosso cd tem peças também para dançar, rir... e essas de refletir e ficar triste, para mergulhar de cabeça, agulhar a carne e soltar o vazio que nos prende a esse mundo cão...

NA VITRINE

ALINE


SEMPRE
TÃO





* * *

Outro tipo de cena que sempre nos acena: em TEMPO DE ESPIO - Eduardo escuta a poemúsica do corredor do estúdio e escorre dor... Quando entra na sala encontra Michelle com o rosto molhado de lágrimas... Eu no aquário em transe... O que está acontecendo? Mais uma noite sem dormir...

Carito
poemúsica & êxtase no estúdio MEGAFONE...
por Os Poetas Elétricos [22:18]
1.6.07
Abaixo as eleições de retas!

Esses ditadores da homogeneização são ladrões de emoções, assaltantes dos etéreos gênios, querem roubar nossas curvas, deixar nossas vidas mais retas. Eles possuem um terrível plano cartesiano, um cartel que mede a linha sem nó nem piedade... Disfarçados de democratas são democ'retas...

Mas eu tenho outros planos para eles. Na verdade é um plano para mim: um plano de fuga, um plano de curva (eles vão se curvar para nós). Uma curva que perigoza junto comigo e me ejacula da estrada reta... e joga a linha na fogueira...


Carito
por Os Poetas Elétricos [21:29]
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Palarveando
A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
O Espírito das Letras
O Aniversário de Gni
 
Assista aqui o video vencedor do Curta Natal 2006
"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

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