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| 17.2.07 |
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UMA HISTÓRIA BONITA
Parece que a quarta-feira de cinzas chegou antecipada por aqui, e o bloco da saudade se instalou nos nossos corações...
Nesses dias alguém muito querido viajou. Mas foi uma viagem dessas que a gente tem dificuldade de aceitar, de se acostumar, de entender. Nossa cadela Jacobina estava conosco desde o início dessa grande viagem que é a "África Ponta do Mel". E nessa semana ela nos deixou, pelo menos no plano material.
Jacobina chegou aqui no oeste potiguar junto comigo e minha companheira Joane. Um lugar novo, desconhecido, tudo a ser conquistado, descoberto, a ser codificado, uma nova vida, uma nova terra. E Jacobina desbravou tudo isso aqui conosco, desde o início, há quase 08 anos, desde quando éramos somente nós e um povoado semi-deserto com pessoas estranhas a nós e nós a elas. Houve muitos momentos, fases, onde éramos somente eu, Joane e Jacobina. Solidão a três em um grande sonho... Depois vieram os outros cachorros, as outras pessoas, trabalhadores da obra, funcionários do hotel, hóspedes, familiares e amigos, até pessoas famosas. Houve também muitos momentos só das companheiras inseparáveis Joane e Jacobina - nas tantas vezes que eu ia, e ainda vou, sozinho a Natal... Não só para trabalhos do hotel. Muitas delas para ensaios, gravações ou outros momentos d'Os Poetas Elétricos...
Aprendi a respeitar mais os cachorros e a gostar mais deles com Joane. Sempre gostei muito de Jacobina. E nessa semana descobri que eu gostava muito mais de Jacobina do que eu pensava, que eu aprendi mais com ela do que eu imaginei, que tive ainda mais certeza como ela gostava de nós, como vamos sentir sua falta. E como ela deixou ensinamentos bacanas... Como o animal e a natureza podem ensinar ao homem. Jacobina ficou conosco do início ao fim sendo companheira, solidária, equilibrada, dócil, carinhosa, educada, gentil, elegante, simples, serena, alegre, na dela, na nossa, forte, destemida, defensora, resistente, fiel, amorosa... Amor incondicional e verdadeiro... Algo muito bonito... Como Joane disse: Jacobina foi/é uma história muito bonita que tivemos o privilégio de viver!
Jacobina veio de Pernambuco, e a batizamos com esse nome por causa de um personagem do filme "O Baile Perfumado" (um filme que entra literalmente nas histórias do cangaço): Jacobina era uma moça muito bonita e muito danada! E Jacobina, nossa cadela da raça Dogue Alemão, também muito bonita e muito danada, foi a última de uma ninhada, que ninguém queria por que sua pelagem arlequim era um pouco fora do padrão, seu branco não era puro.
Mas Jacobina era pura poesia!
Choramos muito, tanto, tanto, que até choveu! O veterinário disse que nunca tinha visto algo assim: que ele não entende como Jacobina não demonstrava dor, como ela ainda estava viva... Porque era algo impossível de entender que um animal suportasse tudo aquilo... E pelo que ele entendeu, ela já estava assim há certo tempo, embora não tenha sido possível perceber a grave situação a tempo. Parece até que Jacobina, como sempre, não queria nos incomodar, só queria poder ficar perto de nós...
Até o fim Jacobina teve essa generosidade imensa... Um amor imenso, enorme, amplo, largo como a praia aqui que ela gostava tanto de correr e brincar com os peixinhos na água...
Os peixinhos foram os "personal-trainers" de Jacobina: quando caminhávamos à beira da praia, os peixinhos saltavam para dentro do mar e Jacobina corria atrás dos peixinhos, desbravando as ondas, em busca de aventuras, sempre rumo ao desconhecido... Ela era como nós: ela gostava do nosso porto-seguro, mas também gostava do além-mar e do além-mato...
Então faço aqui esse post-homenagem, uma homenagem "póst-uma"... Uma espécie de hai-cai, um espécime de hai-cão, brincando com as palavras como Jacobina gostava de brincar com os peixinhos:
AMOR E JACOBINA PRA SEMPRE COMBINA!
Carito
Jacobina Perfumada

Jacobina & friends
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| por Os Poetas Elétricos [10:37] |
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| 7.2.07 |
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AQUI TERMOS DE TUDO
Era o que dizia a placa da mercearia de palavras: AQUI TERMOS DE TUDO! Termos e expressões penduradas por todos os cantos, palavras amarradas uma nas outras em frases inteiras caindo do teto, do tato, de todo e qualquer contato. Em cada canto, um canto. Era só lançar o olhar num canto que aparecia outro. Canto do olhar no canto da parede que produzia um canto de som. Palavras para serem compradas, descascadas, comidas, escutadas...
O vendedor me dizia feliz:
- Homi de Deus, nunca pensei em ganhar dinheiro vendendo palavra. Mas pra você... eu dou a minha palavra!
E eu pensei que eu era um privilegiado, numa época em que a palavra era cara, eu estava ganhando uma de graça...
- Não posso aceitar... - Que é isso? Tá duvidando da minha palavra?
Percebi rapidamente que se eu retirasse a primeira sílaba de "duvidando" a palavra se transformaria em "vidando", e o diálogo mudava para:
- Eu posso aceitar... - Claro! Você está vidando a minha palavra!
"Vidando" de vida, conjugada em verbo de bem viver... E eu também estou aqui, caro leitor, ou barato leitor (ou um leitor que é o maior barato)... Eu também estou lhe dando a minha palavra!
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [23:31] |
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