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| 25.11.06 |
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A página do livro
Em meados dos anos 90 estava eu em Goiânia acompanhando meu pai que foi fazer um tratamento para a visão. Em um dos dias dessa semana que passamos ali, estávamos no hotel, à noite, e apesar da delicadeza da situação de meu pai, tudo caminhava bem, dentro da normalidade possível. Inclusive o objetivo principal da viagem: o tratamento do meu pai estava indo relativamente bem. Eu aproveitava os momentos no hotel, enquanto meu pai descansava, para dar continuidade a minha monografia sobre "O Lugar Teatral", referente ao Curso de Especialização em Ensino de Arte da UFRN. Em uma das minhas idas ao banheiro, comecei, como sempre faço (e acho que nunca deixei de fazer) a pensar! No banheiro, quando não leio, penso! Logo existo, claro! Mas nesse dia foi um pouco escuro. Ou muito escuro: mesmo eu possuindo uma religiosidade particular com Deus, minha existência quase sucumbiu a pensamentos do tipo "e esses meus pensamentos, aqui, agora, comigo mesmo, para onde vão?" Até aí nada de muito novo nesse plano de Caetano e de todos nós: "Existirmos. A que será que se destina?"
Mas dessa vez a crise transcendeu aos clichês existenciais e uma profunda e subjetiva inquietude quase me deixou sem objetivos. Minha mente foi ocupada por dúvidas, incertezas, angústias, tédios e depressões, em uma estranha planície, de vazios não férteis e sem fim. Sem mais nem menos. Simplesmente aconteceu. Estava tudo bem e de repente aconteceu: a minha mente me pregou uma peça!
Voltamos a Natal e fiquei dias assim, talvez semanas. Eu ia trabalhar, voltava para casa, e essa coisa comigo, me sugando, sem respostas, pedindo paixão e fé para a faca amolada do pensamento sangrando...
Eis que um dia, como eu sempre fazia na siesta após o almoço, puxei um livro na estante apara aquele instante de relaxamento pré-trampo da tarde. Peguei o livro "O Mahabharata" para dar uma folheada. O livro era de meu irmão e eu sempre tive curiosidade sobre ele.
Abri uma página aleatoriamente e o texto falava sobre a morte. De repente, do jeito que a crise veio, ela foi embora. Aquelas palavras me fizeram uma massagem existencial, algo realmente indescritível, algo mágico, místico, profundo, inexplicável! Cochilei um pouco e voltei ao trabalho iluminado, distribuindo aquela poesia para todos.
* * *
Nesses últimos dias andei lembrando uma brincadeira poética que fiz sobre "O Mahabharata" e publiquei aqui, no post anterior, abaixo.
Bom fim de semana para todos!
Carito
Em tempo:
"O Mahabharata (em sânscrito, grande Índia) é o grande épico hindu, ditado por Krishna-Dwaipayana Vyasa, o compilador. Sua versão completa, incluindo o Bhagavad Gita, supõe-se que seja do século 8 a.C. . Inspirou o filme homônimo, onde os atores eram de nacionalidade e raças variadas, para indicar a universalidade dos temas tratados neste livro".
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahabharata
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| por Os Poetas Elétricos [10:23] |
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| 10.11.06 |
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A vida é uma barra KM 37.500 do corredor, 10 de novembro de 2048
Houve um tempo em que as pessoas só se comunicavam lendo as barras uma das outras. Mas não aquelas barras da vida de cada um. Isso foi muito antes. Falo do tempo das barras de leitura que passaram a dominar a mente humana. E essa barra continua... Os olhos viraram leitores infravermelhos. Não os infravermelhos dos baseados. Falo dos infravermelhos baseados na mais alta tecnologia. Ninguém falava mais, nem escutava. Nada! Só o quase-silêncio daquele ruído minimalista do leitor ótico no papel agora humano. Qual era mesmo nosso papel? Não falo do minimalismo de Philipp Glass. Falo do quase nada que restou de comunicação absurda e muda. Quando foi mesmo que tudo começou a mudar? Lembro que a gente se encontrava na rua feito robôs. Quem foi mesmo que nos roubou a vida? Agora, nesse ano de 2048, consegui fugir desse corredor sem fim a que nos resumimos. Faz tempo que procuro um espaço diferente - não um corredor de laboratório. Mas um apartamento quarto e sala, uma casa no campo (para uma concentração diferente, claro), um oratório. Não vejo nada porque abandonei meus olhos infravermelhos. Estou sem meu leitor ótico e vou começar a falar de novo. Descobri uma casa clandestina que ensina a ouvir e falar. Nem acredito que vou falar novamente. Quanto a ouvir... sei que continuará difícil. Mas não custa tentar. Procuro um fim diferente, e por isso vou recomeçar a pensar. Já recomecei, né? Nossa! Já até escrevi tudo isso. Ainda existe aquele negócio de blog? Vou procurar um para criar. Antes se criava filho, cachorro... E quem diria que eu iria ter saudade da internet, senti-la como humana... Oh! Meus Deus! Quase tinha esquecido de Deus... E agora? O que é isso que estou sentindo agora? Acho que é a síndrome da abstinência. Preciso encontrar uma barra de cereais em algum museu gastronômico para esquecer esse vício da barra de leituras. Preciso abandonar de vez minha barra de leituras em algum espaço astronômico! A vida não pode ser simplesmente uma barra! Ei, você aí! Você está me lendo sem barra de leituras? Fale comigo? Você esta me entendendo?
Carito |
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| por Os Poetas Elétricos [13:22] |
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