31.10.06
A Cidarde!

O asfalto é o assalto à mão armada de concreto armado. Piche em riste aponta a estrada sem fim. Na cidade impermeabilizada a chuva passa e não fica. Não entra e só enche as ruas de lama e armadilhas. Em cada bueiro aberto uma sentença. E o homem paga o preço da verticalização. Na cidade tudo é solto, parece desconectado, frases soltas, verbo sem conjugação, pretérito mais que imperfeito, particípio passado e esquecido. Os números comandam os rumos desse elevador sem assessorista. Precisa-se estacionar uma cidade. Uma não. Várias. Mas os manobristas foram manobrados. E só restaram flanelinhas, pedintes no semáforo, textos andando em pão e círculos para o ovo... E o céu fretado com táxi-cardias aéreas descontrola as dores dos vôos...

Carito
por Os Poetas Elétricos [23:32]
24.10.06
Sex Box I

Espermas são carros velozes
Em busca do sexo
Ou posto

Sex Box II

Tanques de carros são vaginas
Engolindo bombas
De gasolina


Carito
por Os Poetas Elétricos [21:01]
22.10.06
A GATA d'á g u a


- Não vou mais nadar dentro de você. Agora me diga o que você ia dizer!

- Nada não!


Carito
por Os Poetas Elétricos [03:25]
18.10.06
Uma vida à francesa...

Depois de meia hora espremendo a lata de suco de maracujá que tinha congelado ele finalmente conseguiu colocar aquele delicioso restinho (em processo de transformação do "sorvete" para o líquido) no copo. As gotas de gelo amarelo caíram no copo e ele finalmente saboreou aquele suco especial indescritível. É certo que o gelo acabou diminuindo a "massa líquida" do suco. Mas o que ficou, ficou bom demais! Ele imaginou ser aquilo algum coquetel francês, como aqueles pratos de gastronomia minimalista com sabores exóticos ou de combinação inusitada. Assim, em vez de ficar sentindo falta, entendeu o resto de suco congelado como algo mais. Há tempos era assim. Desde pequeno quando imaginava um delicioso milk shake ao tomar o mais simples copo de leite com Nescau.

Foi dormir depois do coquetel fictício como se tivesse ido a um jantar francês. Demorou a chegar aos seus aposentos (na verdade, seu pequeno quarto de seu pequeno apartamento quarto e sala). Foi dormir feliz da vida, ignorando o despertador, se imaginando em um palácio de edredons de sedas numa cama macia e imensa. Ah! Como era boa a vida! Amanhã, sem hora para acordar! E isso era só o começo. Se a realidade era assim, imagine quando começasse a sonhar! O gosto doce-azedo do maracujá gelado passeava pela boca, e a língua repetia adormecida: Ces't La Vie! Ces't La Vie! VIVE la fête!!!


Carito


por Os Poetas Elétricos [23:18]
13.10.06
PONTA DO MEL

Aonde o sertão hai-cai no oceano,
um pequeno poema de ponta para uma grande praia de ponta.

Tudo que é árido
Desmancha
No mar.


Carito

por Os Poetas Elétricos [23:42]
12.10.06
"Pobre daquele que não guardou consigo um pouco da infância".

(Stanislaw Ponte Preta)

por Os Poetas Elétricos [11:45]
7.10.06
BENDITA NOITE NORTE-REALISTA!

Nas caixas sonoras do ambiente os quase estranhos e quase repetidos quase sons (o que significa isso?) na sala quase vazia e quase escura deixavam no quase pequeno Teatro da Fundação José Augusto em Natal (o Teatro de Cultura Popular) algo de quase psicodélico no ar. Ou no quase-ar? "Quase" porque parecia ser uma e podia ser outra - coisa alguma já está acontecendo? Será que o espetáculo já começou e isso faz parte da performance? De repente apareceu a voz em off de Carlos Gurgel (coordenador do projeto) anunciando mais um BENDITA POESIA.

E de repente se levantou da platéia Ruy Rocha, representando o POESIA ESPORTE CLUBE. E o que parecia já ser um ótimo recital de densa poesia se transformou em uma ainda melhor performance cheia de ritmo e contrapontos que Ruy, um cara cobra na arte da poesia, costurou no palco com maestria de trama criada. Uma dinâmica espontânea passeou com Ruy pelo palco e convidados na platéia, num ping pong poético ora em slow-motion, ora Speed Racer em alta velocidade. Uma grande abertura da noite que lembrou Leminski, influência-interseção em todos os participantes kami-quases, como os pernambucanos seguintes. "Não fosse isso e era tanto / Não fosse tanto e era quase".

Os pernambucanos Ivan Marinho e Malungo me mataram de inveja sadia, não só pela poesia, mas pela demonstração de nação poética pernambucana, num verdadeiro carnaval de gênios da lâmpada dos postes da rua da poesia com cheiro de mangue. A união dos poetas pernambucanos e a biodiversidade da palavra escrita tão fortemente oralizada invadiu a sala, onde também ventavam histórias que reinventavam a noite dentro: o teatro aparentemente vazio estava na verdade cheio de gente em forma de poesia e fortes coisas às vezes deliciosamente invisíveis. Se eu for contar aqui as histórias de vida e arte de Ivan e Malungo e de todas as outras pessoas que eles nos trouxeram em espírito poético para o palco-platéia, eu teria que escrever diversos livros e blogs sem fim. Mas 02 coisas me chamaram muita atenção em especial: o fato do veterano Ivan ser um sobrevivente da contramão estando ali nos dando uma mão, duas, corpo, mente, coração, boca: "O mal não é o que sai da boca do homem! / Pra bom entendedor meia palavra / É bosta" (A EXCREÇÃO É A REGRA). E o psicodelismo regional-cibernético de Malungo que vive em ruas espaciais: "Ao som de um hino evangélico. / Surge um boi mameluco: boi de fita. / Um boi maluco, psicodélico; / que rumina saudades e defeca solidão" (OBRA VERSIFICADA NÃO IDENTIFICADA).

E em uma sintonia minimalista o músico experimentalista Lindenberg Munroe improvisava reações sonoras que fortaleceram a poética de cada um e a espontaneidade de todos, enquanto esperava seu parceiro "oficial" Carlos Emílio Corrêa Lima.

Um toque de Laurie Anderson chegou com a dupla Munroe-Carlos Emílio. Uma hipnose meio floydiana abriu a performance poética-sonora-visual da dupla, com um vídeo-cenário que deu a partida para o multimaginário, onde a criação se confundia com o seu processo, terra poética em transe moderno, onde o pré-concebido dialogava com o improviso, que parecia perguntar: onde andará Jota Medeiros? Carlos Emílio na verdade estava ali assistindo seu próprio trabalho conosco, dentro e fora... Hipertexto, hiperpretexto para a farra do transitório congelado numa noite quente. Poema ar, poema líquido, poema mar, poema amar.

Depois do tudo-muito, Gurgel abriu uma garrafa de conversa informal acerca de estética poética, (re)fazer artístico e assuntos vários... Um brinde ao ato-reflexo, fluxo refluxo, espelhos espalhados e outras especiarias de troca, comunhão do prazer de ser - estando ali. Livros à venda, olhos sem venda. Individualidade e coletividade. Universo paralelo à mostra, em mostra perpendicular atingindo em cheio nossos corações. Talvez justamente porque a poesia também não tenha que necessariamente servir para alguma coisa ela seja tão importante e necessária, no nada que é tudo. Mais uma vitória do vazio fértil e do tão necessário resumo de cada um.

Bendita noite surrealista! Ou melhor transdizendo para cá: bendita noite norte-realista! Norte-realista fantástica!

Dia 26 desse mês será nossa vez: Os Poetas Elétricos e outros convidados de Gurgel. Estou tão a fim de participar quanto de assistir.

Carito

Os caras na web:

Ruy Rocha:
http://livroerrado.weblogger.terra.com.br

Malungo e Ivan Marinho:
http://www.interpoetica.com

Carlos Emílio Corrêa Lima:
http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id_usuario=14


Lindenberg Munroe: música experimental
(Arquivo Carlos Gurgel)
por Os Poetas Elétricos [21:05]
4.10.06
Caros amigos:

Repassando abaixo o e-mail do amigo, poeta e agitador cultural Carlos Gurgel, coordenador do PROJETO "BENDITA POESIA".

Então vamos lá!

Saudações poelétricas!

Carito


"BENDITA POESIA"

Na próxima quinta-feira, dia 05.10.06., às 21h,acontecerá no Teatro de Cultura Popular (F.J.A.), mais uma edição do projeto "Bendita Poesia", tendo como seu patrocinador o Governo do Estado e a Fundação José Augusto.

O referido projeto privilegia o poeta que utiliza a sua produção poética das mais variadas formas: com o auxílio de texturas sonoras, elementos visuais, data-show, performance. Tudo autoral e com sua entonação, voz.

O projeto que tem dimensão regional, já abrigou no seu palco poetas do Ceará, Pernambuco e Paraíba.

Nesta quinta-feira teremos a seguinte programação:

"Poesia Esporte Clube" (RN)
Ivan Marinho(PE) e Malungo(PE)
E Carlos Emílio(CE) e Linbenberg Munroe(CE)

(Antes do sarau acontecerá lançamento dos livros dos poetas, e logo após a apresentação deles, um bate-papo com o público presente).

TEATRO DE CULTURA POPULAR

FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO - Rua Jundiaí, 641 - Tirol
NATAL - RN - Fone/fax: (84) 3232-5327 - (84) 3232-5323
http://www.fja.rn.gov.br


por Os Poetas Elétricos [19:12]
2.10.06
Baixando música da cabeça...

Recentemente o jornalista, músico e amigo Isaac Ribeiro me entrevistou para a coluna "Ondas Curtas" no jornal potiguar Tribuna do Norte, onde ele dizia no e-mail: "O que você está ouvindo? Pode ser mais de um CD, DVD, som baixado na net".

Isso me fez refletir sobre uma forma tão moderna quanto antiga de se escutar música, mais moderna que baixar música pela internet, mais antiga que o LP ou o rádio: baixar música da cabeça!

E lembrei historicamente das origens do som, nos homens das cavernas, no corpo percussivo, nos sons da natureza. Ainda muito se faz a polêmica pergunta: o CD vai acabar? Já tanto se fala nas inúmeras formas de se escutar música hoje em dia. Qual o próximo salto? Então ressalto: precisamos limpar o leitor ótico dos nossos neurônios, as agulhas da nossa memória. Pois as canções de Nelson Gonçalves que conheci e aprendi a gostar não foi em LPs ou rádio, mas sim através da voz de meu pai de manhã cedo no despertar de nossa casa. Meu pai até hoje sempre baixa essas canções da sua cabeça.

E a canção "Please Don't Go" nos anos 70? "BABY, I LOVE YOU SO / I WANT YOU TO KNOW"... Minha idade "aborrescente" na época não me permitia gostar verdadeiramente da música que tocava no radio AM da empregada de nossa casa. Mas a canção resistiu ao desgaste dos meus neurônios (no triângulo sem bermudas do sexo, drogas e rock and roll), e hoje a tenho comigo como um delicioso pop-clássico-brega. E sempre baixo "Please, Don't Go" da minha cabeça quando tenho vontade.

Além das ondas do radio, da rede lógica da net, existem e resistem os mistérios das ondas da mente que sempre sente a música nossa de cada dia - ontem, hoje e sempre: vamos continuar a também baixar música da nossa própria cabeça. "Música sempre há de pintar por aí"...

E por aqui também, claro! E baixar música da cabeça não impede de baixar da net, de comprar CD. É só para dar um toque. É sempre bom abrir o leque e abrir o link...

Abrindo o link:

Nessa quase entrevista que dei à coluna "Ondas Curtas" para o jornal potiguar Tribuna do Norte, citei uma banda que tenho curtido muito - boto muito o CD e também já baixo som direto da cabeça, porque o som já grudou, principalmente a canção "O Pinto de Peitos". Falo do CD "E o Método Tufo de Experiências", falo da banda CIDADÃO INSTIGADO. Para quem não conhece ou para quem já conhece: saiba mais sobre essa banda e seu líder Fernando Catatau e aproveite para conhecer (ou reconhecer) os sites http://www.dissonancia.com e http://www.coquetelmolotov.com.br , alguns dos que fizeram entrevistas bem bacanas com Catatau.

Em tempo: o site do COQUETEL MOLOTOV é de Pernambuco. E o site DISSONÂNCIA de "Cultura Alternativa no Front" (Rio Grande do Sul) além da entrevista com Fernando Catatau (Ceará) e mais um monte de coisas legais tem também à disposição o clipe dOs Poetas Elétricos PALARVEANDO (nós aqui, do Rio Grande do Norte).

É o Brasil arteiro diverso em prosa... Independência e vida!

Boa semana para todos! Não votei nulo. Mas defendo o voto facultativo "com ciência". Boa sorte para o nosso Brasil!

Carito

Capa do segundo CD do CIDADÃO INSTIGADO
por Os Poetas Elétricos [00:30]
ARQUIVOS       

 
 
Maria Elétrica
Palarveando
A Sina de Ina
Prelúdio Erótico do Poema Machão
O Espírito das Letras
O Aniversário de Gni
 
Assista aqui o video vencedor do Curta Natal 2006
"PALARVEANDO" do diretor Mário Ivo Cavalcanti

Para visualizar em tamanho maior: Assista Aqui!