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| 28.7.06 |
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Hoje rola aqui um sampler literário: colado abaixo um maravilhoso texto do amigo escritor, professor e filósofo Pablo Capistrano. Um forte e belo texto recém-saído do forno mental da palavra - sobre literatura, lembrando o dia do escritor comemorado essa semana.
Boa leitura! Carito
Um ofício dentro da vida Pablo Capistrano. http://www.pablocapistrano.com.br/
"Tudo que não é literatura me aborrece". Li isso quando tinha uns quinze anos. Se a memória não me deixar na mão, acho que foi num livro de Gustav Janouch, chamado Conversas Com Kafka. Janouch era um jovem candidato à poeta que conheceu Kafka e que o visitava no escritório de advocacia para conversar sobre literatura. Com quinze anos eu direcionei a frase de Kafka para o ato da leitura. Imaginava que talvez, o que ele estivesse tentando dizer era que a vida era muito curta para se ler qualquer coisa que não fosse literatura, ou para se fazer qualquer coisa que não tivesse a ver com algum tipo de "vivência literária". Mas o que significava viver na literatura? Durante muito tempo eu persegui uma resposta para esse enigma. Li uma imensa quantidade de biografias de escritores para descobrir qual a cor e o tom de uma vida literária. Qual o caminho para sumir da vida banal e entrar na literatura, como se o ofício de escrever pudesse, de um modo ou de outro, abarcar a própria vida e transformar essa mesma vida num imenso romance. Durante dez anos apostei todas as minhas fichas nisso. Para escrever um livro talvez eu devesse encontrar uma porta perdida em algum lugar, que pudesse tornar a minha experiência de estar no mundo, tão rápida quanto um texto de Jack Kerouack, tão intensa quanto uma trilogia de Henry Miller, ou tão maravilhosa e assustadora quanto um conto louco de Poe. Dez anos haviam se passado e eu, apesar de ter escrito mais de 300 páginas de quase tudo que você possa imaginar, não havia conseguido concluir um único livro. Foi então que o deserto apareceu e por dois anos eu não consegui escrever uma linha. A experiência do deserto é inquietante. Estar diante do vazio que a incapacidade de nossa linguagem aponta pode desconstruir qualquer tipo de talento e subverter a compreensão do que significa "se aborrecer com tudo aquilo que não for literatura". Estar árido de palavras é pior do que não saber o que fazer com as palavras que você tem. Para alguém que sente a compulsão pela linguagem isso se torna fatal. Tentar estetizar a própria vida é uma experiência de risco que já levou muitos colegas de ofício literário mais cedo para o cemitério ou para o manicômio. Meu erro, naquele tempo de sonhos intranqüilos, era acreditar que a vida deveria estar a serviço da linguagem. Isso torna a linguagem insuportavelmente pesada. A literatura não consegue conter a vida. Ela não tem força suficiente para ocupar todos os espaços da vida e fazer com que a vida se torça na sua direção. Quando você tenta transformar seu romance na sua vida, seu romance afunda com um peso que não lhe é natural e então você se pega sozinho, sem sua mais fiel amiga, sem sua mais agradável amante. A literatura pode ser o tijolo que falta para preencher algum dos inúmeros buracos da alma de alguém. Quando você negocia com ela e respeita seus limites, ela pode oferecer muito. Hoje, quando eu penso na frase de Kafka, nessa semana em que se comemorou o dia do Escritor (todo mundo tem um dia e deve haver dia para tudo, dia para o operador de bolsa de valores, para o viciado em drogas injetáveis, para o torcedor do Vasco da Gama, para qualquer tipo de ser humano); entendo que o seu aborrecimento não era o de quem vive fora da literatura e quer desesperadamente virar personagem de um livro. Mas sim o aborrecimento pragmático que indica que, para exercer o oficio de escritor, é necessário ser mais do que um simples escritor. È necessário primeiro estar vivo num mundo muito maior e muito mais vasto do que os que se guardam nos livros. Num mundo no qual a linguagem está a serviço da vida, com tudo de dano e benefício que isso possa provocar.
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| por Os Poetas Elétricos [13:39] |
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| 26.7.06 |
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O palco é uma aventura no coração da África da poesia and roll!
Aquela propaganda do primeiro sutiã a gente nunca esquece. É assim também o primeiro show - a gente também nunca esquece, mesmo com os neurônios mutantes ficando cada vez mais do tipo "ando meio desligado"... Porque a gente está sempre ligado na lembrança do "último primeiro show". Porque cada novo show é como se fosse o primeiro de novo, uma nova estréia. Então os últimos serão sempre os primeiros: ansiedade, friozinho na barriga, uma energia lúdicadolescente que o espírito da poesia e o sangue rock and roll sempre românticos insistem em injetar. E aquela vontade de estar em cima do palco fazendo arte, para qualquer parte...
A poeletra da poemúsica de hoje é "A Moça de Moçambique". Dia 04 de agosto vamos estar no palco com essa moça, com "outros sons, outras batidas, outras pulsações". As fotos abaixo são do amigo desbravador Eduardo Bagnoli em suas viagens pela África.
A MOÇA DE MOÇAMBIQUE
SE EU FOSSE A MOÇA DE MOÇAMBIQUE EU PEDIRIA PRA QUE EU FIQUE POR ESSA MOÇA MUDO O QUE EU SOU MUDO MEU NOME, A MINHA COR
SWEET HOME É MOÇAMBIQUE MUDO O CABELO, BOTO UM APLIQUE LEVANTO CEDO, NO MAIOR PIQUE NÃO TENHO MEDO DO SEU REPIQUE!
Carito 
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| por Os Poetas Elétricos [20:26] |
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| 25.7.06 |
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UM POEMA CURTO E UM LUGAR QUE CURTO
1 - No Show
Agora que voltamos a ensaiar e estamos em clima de show (Festival DoSol, em Natal, 04 de agosto, 21 horas) vou postar aqui de vez em quando alguma poemúsica da nova safra que vai fazer parte do segundo CD e dessa apresentação. A poemúsica de hoje é:
CINEMA DISTANTE
Jéssica Lange Já fica longe
Veja a imagem acima em seu contexto original na página: www.pulpanddagger.com/canuck/kongpix5.html
2 - No Limbo
"Limbo Quinquilharias" é o nome de um pequeno espaço que curto muito e coloco aqui como dica. Esse mix de lojinha e café é uma idéia dos publicitários Gabriel Novaes, Márcio Nazianzeno e Daniel Duarte. Fica em Natal, na Rua Afonso Pena, 666. Lá você pode encontrar quinquilharias muito legais, como livros, revistas, CDS, DVDS, quadrinhos, camisetas, buttons, posters... além de tomar um capuccino gostoso, uma cachaça envelhecida, uma long neck gelada... Tudo dentro de um pequeno espaço super agradável e criativo. Sábado passado eu tive a oportunidade de passar UMA TARDE NO LIMBO! E na próxima quinta-feira quem vai estar no LIMBO é a artista visual ANDREA EBERT com a EXPOSIÇÃO POTES (quadros, gravuras e objetos) - 27 de julho às 19 horas.
Confira o Limbo nas fotos de Renan Rego:
Entre no Limbo no orkut: http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=8223223610309504008
CAFÉ - QUADRO DE ANDREA EBERT Andréa Ebert na web: www.andreaebert.com.br
Saudações poelétricas! Carito
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| por Os Poetas Elétricos [00:50] |
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| 22.7.06 |
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O Baú de Pitolomeu
Pitolomeu insistiu muito tempo em ser criança. Seus familiares sempre lhe deram uma dura:
- Está na hora de crescer. Você não é mais uma criança!
Pitolomeu também teve uma longa adolescência. E ouviu a mesma ladainha:
- Está na hora de crescer. Você não é mais um adolescente!
Um dia Pitolomeu sonhou com todos lhe dizendo:
- Está na hora de morrer. Você é apenas um velho!
Então Pitolomeu correu ao seu baú de inutilidades, guardado desde a infância no sótão da casa, e catou um a um os objetos esquecidos. Desde um perfume usado quando despertou para sua primeira paixão platônica, a ingressos de shows, convites de casamento, postais recebidos dos amigos viajantes... Fotografias amareladas, cadernos da escola com os nomes e bilhetes das amigas... Fitas cassetes mofadas, discos de vinil, desenhos psicodélicos, revistas coloridas... Bilhetes de trem, passagens de avião, conchinhas e búzios das praias... Uma calça desbotada, um óculos quebrado, e muitas coisas indecifráveis - escritos ilegíveis, pedaços de panos misturados a outros objetos de forma estranha...
Retirou tudo de dentro e se deitou, fazendo do baú seu caixão. Convidou todos que apareceram no sonho para o seu velório. No convite, os responsabilizava pela sua morte prematura aos 94 anos. Os amigos se assustaram:
- Pitolomeu ficou doido!
Outros amigos acharam aquilo tudo uma grande curtição. E levaram isopor com cerveja, Martini com cereja e porquinho para o churrasco. Fizeram do enterro de Pitolomeu um verdadeiro picnic. A família de Pitolomeu não gostou nem um pouco dessa história. Sua mãe levou um psicólogo a tira-colo e um padre de plantão.
Cada pessoa que chegava recebia de lembrança um dos objetos de dentro do baú.
Pregado na parede do sótão, algo novo contrastava com toda aquela velharia - um calendário de borracharia com Cindy Crawford indicava a data: primeiro de abril!
Carito
Imagem do site http://www.arteemfoto.com.br/modelos/cindycrawford.html
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| por Os Poetas Elétricos [12:17] |
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| 19.7.06 |
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A Prostituta, a Baleia e eu
Um filme encalhou na minha sala. Mais que na sala da TV, na sala do meu cérebro. E se debateu por todo o meu corpo.
Eu estava trabalhando no computador com a televisão ligada, por acaso, e nem sabia bem em que canal. Depois vi que era o Cinemax. E primeiramente foi o trailer do filme que me chamou a atenção. Uma imagem linda e eu pensei: que lugar é esse!!! Virei-me de lado para ver melhor e havia uma baleia encalhada. De repente ela já estava encalhada na minha sala. Fui litoralmente hipnotizado por aquele oceano de imagens fantásticas e quando me dei conta estava mergulhado no conto do filme que coincidentemente começou logo após seu trailer (nem sempre é assim). Mas devido ao que eu estava fazendo no computador, a princípio não abandonei o computador completamente, e fiquei dividido entre as duas telas. Até que chegou um momento em que abandonei definitivamente o computador e mergulhei fundo na tv.
Não sei se foi Nietzsche que disse, mas li em algum lugar que às vezes por trás das superfícies belas estão as profundezas medonhas.
O filme "A Prostituta e a Baleia" (Espanha/Argentina - 2004) começou denso, tenso, e eu me perguntei intrigado: será o mesmo filme do trailer? Nessa hora eu já sabia (isso tinha sido falado e mostrado no trailer) que o filme se passava na Patagônia. O filme começou e... Cadê a Patagônia? Porque sou louco para conhecer a Patagônia e estava louco para ver um pouco mais daquelas imagens mostradas no trailer.
Primeiro veio uma outra patagônia: humana, dos lugares das inquietudes que habitam nossos pensamentos mais longínquos...
As resenhas na NET falam do filme:
"Após romper com sua vida corriqueira, uma mulher descobre a história de amor entre um fotógrafo e uma prostituta condenada à morte, ocorrido no passado. É quando ela decide por ir até a Patagônia, para conhecer o local onde viveram as pessoas que tanto a fascinam". http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/prostituta-e-a-baleia/prostituta-e-a-baleia.asp
"Vera, uma escritora espanhola, está se separando do marido. Para tirar sua cabeça desta situação, ela aceita escrever uma série de textos para servir de complemento às fotografias de um argentino morto durante a Guerra Civil Espanhola. Na tentativa de revelar alguns mistérios dessa história, como a razão pela qual uma baleia encalhou por duas vezes na mesma praia ou as condições que impulsionaram uma prostituta a viajar atrás de um fotógrafo, Vera abandona Madri e segue rumo à Patagônia argentina. Durante a viagem, a escritora é obrigada a submeter-se a uma mastectomia. Ao mesmo tempo, relaciona-se com um desconhecido na mesma cama de bordel em que os personagens do seu livro juraram não se apaixonarem nunca e tenta reconciliar-se com o passado". http://www2.uol.com.br/mostra/28/p_exib_filme_36.shtml
Bem, não assisti o filme de forma convencional. A história veio para mim como ondas que chegavam à sala, do apartamento e do meu cérebro, aos poucos. A beleza dos personagens e do lugar, a poesia do inusitado ou o inusitado da poesia, o drama, a trama, o caso, o acaso, o arraso, o mar raso e depois fundo, tudo fez daquele filme arte, e um mundo, à parte, distante, e ao mesmo instante, tão perto, por certo, incerto...
Um amigo me disse que achou o filme pesado e não conseguiu carregá-lo. E eu lembrei uma canção de Walter Franco:
"A PESAR De tudo É muito l e v e "...
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [20:52] |
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| 13.7.06 |
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Rockeiros sim, sem o perdão da palavra!
No início dos anos 80, quando eu era um pós-adolescente cabeludo, certa vez ia para a universidade e parei para dar carona a um conhecido que estava na parada de ônibus. Ele já estava na cena musical da cidade há mais tempo e quando entrou no carro me disse:
- Fala rockeiro!
E eu fiquei todo orgulhoso. Cheio de si, quero dizer, de mim mesmo! Nessa época um dos meus pesadelos era sonhar que tinham cortado meu cabelo. Acordava assustado e a primeira coisa que eu fazia era conferir se meus cachos rebeldes ainda estavam lá. Era a minha identidade!
Meu pai dizia:
- Não sei o que aconteceu com esse menino... O cabelo dele era tão bom...
O dia em que li uma entrevista onde o cineasta alemão Win Wenders falava que o elemento que diferenciava o seu cinema era o rock... Nossa! Fiquei muito feliz! Adorava Win Wenders, e adorava rock, e por não ter percebido com tanta clareza matemática onde estava o rock and roll à primeira vista naqueles estranhos e parados filmes eu gostei mais ainda. Como dizia meu amigo Nilberto (o "Nil e uma noites"): Win Wenders e aprendendo!
Afinal, que o clichê seja eterno enquanto dure: e rock é atitude mesmo! Atitude antropofágica que sai comendo tudo, e até hoje é assim. É rockabilly, rock and roll, rock progressivo, hard-rock, rock psicodélico, punk-rock, pop-rock, new wave, heavy metal, rock dark, country rock, rock rural, rock alternativo, rock comercial, indie rock, rock nacional, samba-rock, funk-samba-soul... e rock, rock regional, mangue beat, hip hop, rap... and roll, and roll, and roll!!! O rock transou com o blues e se transformou em tudo que disseram que iria substituí-lo. Talvez o termo "liberdade de expressão" tenha tido no rock um dos seus maiores entusiastas.
Na época do movimento punk, a onda era dizer que o rock morreu. Nada é mais rock and roll do que dizer que ele morreu. De vez em quando aparece alguma moda dizendo que ser rockeiro está ultrapassado. E logo depois aparece uma moda dizendo que a onda agora é ser ultrapassado, e tome revival dos anos 80, 70, até que a moda os separe e comece tudo de novo. Isso eu tô falando de quem está noticiando... ou até fazendo tese de pós-graduação... Porque o rock chegou à universidade mesmo ainda continuando no underground em muitos momentos. Talvez os melhores momentos? Não sei. Sei que nós, Os Poetas Elétricos, fazemos uma experiência poético-sonora assim, meio estranha, metida a moderna... Mas podem acreditar que é uma coisa espontânea. E fazemos questão de dizer, sem o perdão da palavra: o pecado do rock mora ao lado da nossa palavra. No fundo, continuamos rockeiros e com muito orgulho!
Carito DIA MUNDIAL DO ROCK Para Syd Barret... para o the dark Syd Barret of the moon...
Mesmo quando flertamos com a poesia concreta, o rock é a nossa mais concreta tradução. Quando flertamos com a vanguarda, o rock é a nossa mais abstrata tradição.  |
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| por Os Poetas Elétricos [19:27] |
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| 9.7.06 |
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Castel di Tora Do Monte di Tora ao Morro de Mãe Luiza
Esta semana deu vontade de postar um texto lúdico meio saudosista - essa postagem anterior que faz uma brincadeira com a vida e obra de Davi, refletindo de alguma forma uma viagem de 03 meses que fiz a Itália em 1995. Aí... bem... coisas da vida... ou da morte... sei lá... agora posto um texto sério, mas procurando ser sempre lúdico, também ainda linkado com a Itália, com essa viagem, e com muito mais.
Agora pela manhã recebo a notícia da morte do Pe. Sabino, amigo da minha família desde que eu era pequeno com meus irmãos, estudantes do Colégio Salesiano, em Natal. Pe. Sabino Gentile, italiano radicado no Brasil, mais especificamente em Natal, mais especificamente no Colégio Salesiano, mais especificamente na antiga favela de Mãe Luiza - onde se dedicou por toda a vida que logicamente não cabe em uma postagem de um blog. Castel di Tora
Quando estive na Itália com meus pais visitando meu irmão Mário Ivo que então morava em Firenze, nos encontramos com Sabino que estava por lá visitando sua família e ele nos levou para uma viagem mágica, daquelas de filme, em seu pequeno carro, por regiões belíssimas da Itália, incluindo seu próprio lugar, Castel di Tora, pequeno e simples vilarejo medieval de 100 habitantes no alto de um lago, onde todos se conhecem. 
Castel di Tora Nessa viagem fomos também à Pompéia. Inclusive eu estava pensando em postar aqui justamente um texto que conta nossa e-pompéia, quando fui com Sabino procurar o anfiteatro onde o Pink Floyd gravou seu vídeo-show antológico, com a platéia apenas de técnicos de som e vídeo, além dos fantasmas - alguns de pedras da larva do vulcão. Agora com esse vulcão da vida, ou da morte, entrando em erupção com essa notícia desse nosso amigo padre que nunca precisou cobrar de ninguém ir à missa (e entendia toda a vida como uma grande e natural liturgia), não me dou ao direito de ficar pra baixo. Sabino me ajudando a achar o anfiteatro em Pompéia
E olhando pra cima, vejo um filminho de uma história, entre tantas, que ele me contou: quando se ordenou padre na Itália, algumas décadas atrás, saiu em viagem de carro, meio easy rider, como um hippie, beatinic, da Itália para a Grécia com um amigo que também estava se despedindo da vida normal para sua missão religiosa-social-existencial. O Sebrae e outros órgãos gostam de falar de experiências empreendedoras. Eis mais uma: Sabino Gentile, um caso de sucesso! Um italiano-braziliano que conseguiu agradar a gregos e troianos, e deixou um belo legado. Que ele não seja a última flor do Lazio, nem dos laços, de família, ajudando a desatar tantos nóis entre nós, semeando amizade e irmandade entre os homens.
Sabino: lembro da nossa cerveja com pizza lá em Caserta, e quando você falou que toda aquela nossa conversa era também um ritual, uma missa, uma liturgia. E quando subimos o monte juntos para a celebração daquela missa fantástica no alto do lago, onde na verdade você conversou com os ex-drogados em tratamento, como se fosse amigo de infância de todos. Lembro que você esqueceu a batina, e celebrou a missa com calça jeans, e eu acabei virando seu coroinha improvisado. Naquela roda, de forma espontânea, no alto do monte com o lago abaixo, você parecia mais Aristóteles conversando sobre filosofia. E se mora na filosofia, pra que rimar amor e dor, rimo sua existência com essência, terna e eterna. Aquela sua viagem de carro para a Grécia continua. E você, do monte de Tora e do morro de Mãe Luiza, agora sobe o monte para o céu. Vai se reencontrar com o papa anterior que quando lhe viu disse com carinho: "Padre moderninho".
Sabino subindo o Monte di Tora
Sabino estava na Itália, na casa de sua mãe, quando sofreu um enfarto ontem. Não gostava de dar trabalho. Parece até que adivinhou. Vai ser enterrado lá, na próxima terça.
Ciao, Sabino!
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [11:01] |
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| 4.7.06 |
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O DIA EM QUE VIRAMOS EXPOSIÇÃO NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA, COM CERTEZA! Quase subindo pelas paredes... do elevador!
Na visita que fiz ao Museu da Língua Portuguesa em Sampa, aconteceu um fato que poderia me colocar "a línguas de distância" do arrojo do museu, se o bom humor brasileiro e o espírito experimentalista não estivessem presentes em todo canto dali. Foi no elevador. Ficamos presos no elevador do Museu da Língua Portuguesa. Na Estação da Luz, onde por um momento faltou... luz! Quero dizer, energia! E o gerador rapidamente fez todas as palavras voltarem a funcionar nas projeções e outras animações pós-modernas, incluindo a voz de Arnaldo Antunes no sistema de som do elevador de vidro com vista para a árvore da palavra - uma gigantesca e bela instalação. A energia do gerador só não chegou ao elevador propriamente dito (ou falado), que continuou parado, suspenso no meio de um andar. No fundo, ou melhor, no alto, estávamos bem instalados: música ambiente em poesia de Arnaldo, vista para obra de arte... Mas na verdade, nós viramos instalações! Com todas aquelas pessoas nos observando do lado de fora, logo abaixo. Estávamos eu, minha cunhada e minha mãe, além de duas adolescentes. Quando o elevador parou e ficou aquele clima no ar, eu virei para as adolescentes um pouco assustadas e brinquei:
- Faz parte da performance!
E elas acreditaram. Depois eu disse que era brincadeira. Mas é bom saber que há mentes abertas, dinâmicas, mesmo em um elevador fechado, parado.
Bem, acabamos pulando pela porta do elevador, antes que todos literalmente acabassem subindo pelas paredes, como os poemas do museu.
Ou foi tudo uma armação de Arnaldo Antunes para que todos nós decorássemos aquela poemusiquinha repetida... "até que a sorte nos separe"? Estávamos presos no tempo da palavra? Seria aquela porta do elevador das tais portas da percepção? Por pouco não foi "porta da decepção".
Mas vamos nessa que foi legal à bessa. E quem fica parado é poste... Quer dizer, às vezes elevador, Seleção Brasileira de Futebol...
Carito
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| por Os Poetas Elétricos [16:11] |
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